abr 21, 2015
admin

25 ilusões de ótica de pirar a cabeça

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O Canadense Rob Gonsalves combina o surrealismo ilustrativo de René Magritte, a matemática de M.C.Escher e transforma a pintura em uma experiência bem divertida para o espectador.

O interesse de Gonsalves pela arte e a pintura surgiu ainda na infância.  Com 12 anos ele já tinha certa experiência com a técnicas e perspectivsa da arte arquitetônica. A maioria de suas pinturas têm um limite claro entre as várias histórias contadas, o que obriga o espectador a ir e voltar entre elas – como uma ilusão de ótica que muda a cada vez que você olha para ela.

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Fonte: IdeiaFixa

 

abr 18, 2015
admin

Uma coisa inútil

Qual é a utilidade da literatura? E do amor?

Alguém pode me dizer qual é a utilidade do amor? Até hoje ninguém me convenceu. Ele, o amor, é inteiramente inútil. Como a vida. Não tem utilidade.

Penso nisso quando tenho de ouvir umas pessoas dizendo que literatura é uma coisa inútil. Sou obrigado a concordar. É inútil. E nestes tempos brabos em que as mentes já andam impregnadas de utilitarismo, inútil vai assumindo uma conotação pejorativa. Mesmo assim, concordo, a literatura é inútil.

Apesar disso, continuo lendo, e cada vez com maior paixão. E continuo vivo nem sei pra quê. Literatura, eu disse em uma palestra, é tão inútil como ter filhos. Alguém da plateia, inconformado, alegou que filhos têm utilidade, pois podem trabalhar. Saí do embaraço afirmando que se têm utilidade já não são mais filhos, são mão de obra. Utilidade, no sentido prático, nem o amigo pode ter. Se tiver, deixa de ser amigo para tornar-se ajudante, ou qualquer coisa parecida.

Nem todos tiveram o prazer de ler Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto. Aquele final fabuloso, em que o mestre carpina não consegue justificar por que continuar vivo. “…/mas se responder não pude/à pergunta que fazia,/ela, a vida, a respondeu/ com sua presença viva.” Tinha acabado de nascer um menino.

Ocorreu-me o poema ao ouvir a história de um amigo que tem uma cadela. Uma cadela adulta a quem jamais foi permitido o amor: ela vive confinada e sozinha. Há pouco tempo meu amigo ganhou um filhotinho de cachorro e ficou com medo de que sua cadela o estraçalhasse com uma bocada só. A cadela mostrou-se muito impaciente com os exercícios de aproximação que recomendaram a meu amigo. Enfim, vencida a primeira semana de parcimonioso convívio (de cheirar o pano sobre o qual dormia o filhote até deixá-lo ao alcance da cadela foi um bom tempo) o filhote foi entregue ao canil, ao alcance da cadela. Sua companheira cheirou-o, deu umas lambidas e se afastou como quem diz: Já conheci, agora chega.

Pronto, a aproximação fora concluída com êxito. Não sem medo, claro. À noite muitas coisas acontecem, as noites costumam esconder mistérios. Mesmo assim, e com bastante dificuldade, meu amigo deixou os animais entregues a seus próprios instintos e foi dormir, que ele também é gente.

No dia seguinte, o dono dos dois caninos foi conferir o resultado da manobra. Deitada, a cadela era sugada por uma das tetas. Sem acreditar no que via, meu amigo pressionou uma teta desocupada: saía leite. Sem pensar em utilidade, a cadela estava protegendo um ser vivo.

Fonte: Carta Capital

abr 15, 2015
admin

Sumiram com o homem de madrugada

Brasília tem um inverno peculiar. Amanhece gelada, mesmo ensolarada, no meio do dia esquenta bastante e no fim da tarde esfria. A secura e os ventos cortantes desidratam, e enregelam, até a alma mais desavisados. Num desses dias, Carioca chegou à seção, como de costume, às oito da manhã.  Sairia da missão para o oeste baiano. Da sua equipe participava os agentes Valdir, João Pedro, além de um quarto integrante, mais o oficial Jean, no comando. A missão era levar o prisioneiro: Boanerges de Souza Massa, o Felipe, ex-militante da Aliança Libertadora Nacional, a ALN- a mais expressiva- e do Movimento de Libertação Popular, o Molipo. Mineiro de Rancharia, do distrito de Ajicê, era um homem de pele clara, estatura mediana e forte. Muito educado, conduziria os agentes ao aparelho que ocupara, antes da sua prisão.

Com Rui Carlos Vieira Berbet, que usava os codinomes de Silvino ou Joaquim, e mais duas ou três pessoas, entre eles Jeová de Assis Gomes, se instalara no oeste baiano com o objetivo de criar um foco guerrilheiro, exatamente na época que a repressão caçava Carlos Lamarca.

Assumiram a luta armada quando o país dava sinais de endurecimento na perseguição aos subversivos. Idealistas, optaram pela luta armada e eram tratados como terroristas pelos governos militares que tinham, por sua vez, a ilegitimidade como perfil, uma vez, que chegaram e se mantiveram no poder à força, desprezando qualquer prática conceituada na democracia política. O período pode ter deixado sintomas de desenvolvimento, mas à custa do aumento do endividamento do País, de tortura, mortes e desaparecimentos de adversários.

Médico formado pela USP, atendia guerrilheiros feridos. Um dos casos mais famosos envolvendo suas habilidades é a operação que ele teria feito na coxa de um outro militante da ALN – Takao Amano- depois de ele ser ferido durante um assalto. A cirurgia teria sido realizada na casa do casal Carlos Henrique Kanpp e Eliane Zamikhoski, em São Paulo. Passara um tempo em Cuba, num curso de guerrilha, onde, com seus companheiros, fundou o Molipo. Fazia parte do Grupo dos 28 ou Grupo Primavera – também os chamavam Grupo de Ilha. Apenas dois sobreviveram: Ana Corbisier, a Maria, e outro que se tornaria famoso e até viraria ministro no governo Lula, José Dirceu*, o Daniel. Alguns militares afirmam que Daniel foi agente duplo e contribuiu para a queda de quase todos os militantes que estiveram em Cuba.

O Molipo originou-se de uma dissidência da ALN, em 1971. Faziam parte desse agrupamento, além dos treinados em Cuba, pessoas do chamado 3º Exército da ALN, que depois ganhou novas adesões. A ALN sofrera um baque atrás do outro, em São Paulo. Carlos Marighella morreu em 4 de novembro de 1969. No ano seguinte, as Forças de Segurança mataram também seu sucessor, Joaquim Câmara Ferreira, o Toledo, fuzilado por companheiros numa rua dos Jardins, em 23 de março de 1971, suspeito de trair Câmara Ferreira. Suspeita infundada, e que praticamente liquidou a ALN-esfacelada por se envolver em ações cada vez mais violentas, como roubo de carros, assaltos a viaturas policiais e atentados à bomba, empregando todos os militantes disponíveis.

As atividades do Molipo começaram justamente naquele núcleo instalado na Bahia por Boanerges, nas regiões de Ibotirama e Bom Jesus da Lapa.
Em junho de 1971, Carlos Eduardo Pires Fleury contatou Boanerges. Jeová de Assis Gomes e Rui Carlos Vieira Berbet juntaram-se a Massa. Quando a área baiana passou a ser muito vigiada, Boanerges partiu para o Maranhão. Acabou preso em Pindorama, Goiás, e levado para a Capital Federal pelo CIE. Foi acrescentado à lista de desaparecidos e morreu sob a desconfiança de ter delatado companheiros. Carioca sabia que não era verdade. 

A missão do grupo de agentes consistia em ir até o aparelho que Boanerges ocupara para ver se seus companheiros haviam retornado, ou se havia indícios de que o Molipo prosperava. A casa ficava na região de Coribe, cidade de 18 mil habitantes perto de Correntina, nos confins do extremo oeste da Bahia, junto aos contrafortes das serras da Capivara e do Ramalho. Ali eles alugaram o imóvel e moravam com o dono, um velho baiano.

Boanerges foi obrigado a acompanhar a equipe para indicar o caminho. Paisagem desolada, árida. Perto de Posse, ainda em Goiás, a pista virou areia. Qualquer inabilidade do motorista poderia levar o grupo à morte, despencando em um das armadilhas da natureza. A caminhonete afundava na areal e Boanerges era o primeiro a ajudar e a empurrar. Sabia lidar com veículo atolado. Olhando o mapa, escolhiam o itinerário mais direto, pois não havia estradas decentes. O lugar escolhido para pernoitar foi Coribe, perto do Rio Correntes. Boanerges dormiu algemado à cama. Não que ele fosse fugir, somente pró-forma.

Partiram bem cedinho e, poucos quilômetros depois, o preso indicou uma estrada estreita e sinuosa que os levou à casa de madeira roliça, coberta com folhas de babaçu. Lá estava o velho. Ele confirmou a presença do subversivo e de mais dois companheiros que pagaram para se hospedar, mas sumiram tão de repente quanto chegaram:

“Nunca mais vieram aqui”, disse:
Nada a fazer. Ficou caracterizado que não houve condições de trabalho para o Molipo. Nada a fazer, a não ser algemar novamente o moço e retornar a Brasília. O prisioneiro foi entregue à Polícia do Exército, que o levou ao Pelotão de Investigações Criminais.

Carioca continuou sua atividade, normalmente. A Chapada dos Veadeiros tinha passado por uma desapropriação, e uma antiga sede de fazenda foi cedida ao CIE para a montagem de um aparelho, ação da qual ela participou. Região linda, bom clima, ao mesmo tempo erma e perto de Brasília. Na zona rural de Formosa, cidade goiana de 90 mil habitantes, uns 70 quilômetros a nordeste da Capital Federal, foi montado um campo de instruções.

Respondia pela vigilância um garoto, Geverci, que mais tarde se tornaria um agente importante. Semi-analfabeto, o soldado de pele clara, filho de camponeses e com disposição invejável, foi escolhido para cuidar do aparelho, justamente por ter dificuldades de convivência. Preferia a solidão. Muito hábil, foi designado também para auxiliar o cabo armeiro. Juntos, eles faziam a manutenção das armas e do material de disfarce.

Geverci servia como caseiro quando, num belo dia de sol, Boanerges foi transferido para o aparelho rural. A cada semana, três agentes se revezavam para vigiá-lo e, numa das vezes que essa missão coube à equipe do Carioca, esteve em contato com o prisioneiro. Em certo momento, o instinto caçador de um dos agentes, Javali Solitário, se soltou. Montou uma espera para capturar pombos e abater veados que iam ao cocho lamber restos de sal deixados pelo antigo morador. Também ficava à vontade no campo.

Depois de um mês, Carioca voltou. Perguntou a Geverci sobre Boanerges e ouviu como resposta apenas o seguinte:
“Foi feito e enterrado por aí. A equipe veio, levou o homem de madrugada e sumiu com ele.”

Um ano depois, o aparelho foi desativado. Boanerges, de quem nunca mais se falou, descansa em algum lugar próximo a Formosa, em Goiás. Os documentos das Forças Armadas apenas relatam seu desaparecimento, “provavelmente em ação contra o regime”.

Fonte: Livro Sem Vestígios 

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