jul 18, 2019
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A incrível história de JT LeRoy, escritor que existiu, mas era ficção

Filme com Kristen Stewart e Laura Dern recria caso do autor inventado por uma roteirista e encarnado durante seis anos por sua cunhada

Savannah Knoop (Kristen Stewart) passa seis anos fingindo ser JT LeRoy, persona literária inventada por sua cunhada Laura Albert (Laura Dern) Foto: Divulgação
Savannah Knoop (Kristen Stewart) passa seis anos fingindo ser JT LeRoy, persona literária inventada por sua cunhada Laura Albert (Laura Dern) Foto: Divulgação

SÃO PAULO – Na virada do milênio, um dos nomes mais falados do mundo literário era JT LeRoy . Ex-garoto de programa soropositivo abusado sexualmente na infância pela mãe prostituta viciada em drogas, o jovem criado numa cidadezinha da Virgínia Ocidental recriou sua trajetória nos livros “Sarah” (2000) e “Maldito coração”(2001) e virou best seller internacional. Atraiu a atenção de críticos e de celebridades como Gus Van Sant, Tom Waits, Courtney Love e Winona Ryder — Asia Argento, comentava-se, teria tido um caso com ele. 

Com seu visual andrógino, cabelos loiros e chapéus pretos, o recluso escritor prodígio fazia esporádicas aparições públicas — esteve até em Paraty, na Flip de 2005. Nesta sexta (19), chega ao iTunes “JT LeRoy”, filme que mostra a incrível escalada do seu sucesso. Detalhe: era tudo mentira.

LeRoy não passava de uma invenção da escritora e roteirista americana Laura Albert (vivida no longa por Laura Dern) e de seu marido, Geoffrey Knoop (Jim Sturgess). Quando aparecia em público, era a irmã de Geoffrey, Savannah (Kristen Stewart), quem interpretava o escritor, enquanto Laura assumia a persona de Speedie, sua assistente britânica. O ar misterioso e as frases sucintas eram estratégias para sustentar a farsa — descoberta em 2005.

Cai a máscara

Savannah Knoop, que inspirou o filme 'J.T.Leroy', de Justin Kelly
Foto: Divulgação
Savannah Knoop, que inspirou o filme ‘J.T.Leroy’, de Justin Kelly Foto: Divulgação

A criadora de LeRoy, Laura, teve uma juventude marcada por abusos sexuais, traumas que inspiraram os livros de seu alter ego. Em entrevistas, ela disse que se sentia melhor escrevendo sobre certas coisas como um homem jovem do que como ela mesma. Além disso, ela estava fazendo roteiros para a série “Deadwood” (HBO) e não queria ver seu nome associado a obras barra-pesada.

A história por trás da encenação foi revelada em 2005 pela revista “New York”, numa reportagem que explodiu como uma bomba no mercado editorial e no mundo dos famosos. Em seguida, o “New York Times” seguiu a pista e publicou um artigo de Geoffrey Knoop, dando todos os detalhes da farsa literária da qual também foi artífice.

Pouco antes da publicação das reportagens, Leroy e sua trupe vieram ao Brasil. Passaram por São Paulo, onde compareceram a eventos de lançamento do livro “Sarah” pela Geração Editorial, e também foram ao Rio, onde participaram da Flip. A passagem por Paraty, inclusive, inspirou Luciana Pessanha a escrever uma peça, “JT — Um conto de fadas punk” , montada em 2012 no CCBB e assistida pela própria Laura Albert.

Três anos após o trio ser desmascarado, Savannah escreveu um livro sobre a experiência e encarnar o autor, “Girl boy girl: How I became JT LeRoy”. Ela conta como, muito jovem, mergulhou em uma encenação que a transformou em uma celebridade instantânea.

De lá para cá, foi para Nova York, se apresenta como artista e cineasta e adotou a neutralidade de gênero.

— Muita coisa mudou desde então. Aquilo foi apenas um episódio entre tantos de uma vida inteira. Além disso, acho que tem a compensação de ficarmos mais velhos e aprendermos mais sobre nós mesmos, fazendo assim com que nos sintamos mais à vontade — diz Savannah, 38 anos, que assina o roteiro do filme com o diretor Justin Kelly.

Em uma declaração sobre o longa, Kelly escreve que o filme fala sobre pessoas cujo desejo de mudar sua identidade se manifesta de formas inimagináveis: “Esta me parece mais relevante agora do que nunca. É sobre o poder da crença, o culto à personalidade, a fluidez do ser e o desejo de pertencimento”.

Verdades e mentiras

Quando começou a encarnar JT LeRoy, Savannah tinha 19 anos — mesma idade de Kristen Stewart no primeiro filme da saga de vampiros “Crepúsculo”. Ao falar de sua personagem, a atriz parece ecoar seu início de carreira, hoje marcada por filmes menos comerciais.

— Savannah era muito jovem quando tudo aconteceu. Tentou se encontrar naquela situação, fingindo ser aquilo que não era. O que me atraiu foi justamente essa pessoa que mergulha inteiramente numa história, com as melhores intenções — diz Kristen, por telefone. — É legal poder lançar luz sobre algo que ninguém conhece direito e que praticamente todos julgam sem conhecer os detalhes.

A escritora e roteirista americana Laura Albert, que criou o pseudônimo de JT LeRoy Foto: Leo Aversa / Agência O Globo
A escritora e roteirista americana Laura Albert, que criou o pseudônimo de JT LeRoy Foto: Leo Aversa / Agência O Globo

Já Laura Dern, que assume o papel da xará Laura Albert, admite: uma de suas primeiras reações ao se envolver no projeto foi condenar a criadora de JT LeRoy.

— Eu li (o roteiro) superficialmente e minha reação imediata foi negativa. Por que uma pessoa tem que criar outra para se expressar? Mas para interpretá-la é preciso entendê-la — diz a musa de David Lynch e estrela de “Big little lies” (HBO). —Savannah possui uma profunda compreensão da necessidade de Laura criar uma personalidade alternativa para poder expressar. Ela não podia assumir aquele livro e Savannah entendeu aquilo.Apoie o jornalismo profissionalA missão do GLOBO é a mesma desde 1925: levar informação confiável e relevante para ajudar os leitores a compreender melhor o Brasil e o mundo. São mais de 400 reportagens, artigos, fotos, vídeos e áudios publicados diariamente e produzidos de forma independente pela maior redação de jornal da América Latina.

Fonte

jul 12, 2019
admin

Livros para a criançada curtir nas férias

Confira os títulos preparados pela Geração Editorial para seus filhos durante as férias de julho

Chegaram as tão esperadas férias de julho.. Muitas brincadeiras e diversão para os pequeninos. Mas que tal levar aos seus filhos a magia dos livros? Fazê-los submergir em mundos fantásticos e novas descobertas e aprendizados? Que tal ler aquela história antes de dormir ou mesmo antes de uma soneca? Esse hábito não somente estimula a criatividade e a cognição das crianças mas, também, estreitam laços familiares.

De acordo com uma pesquisa feita pela  Reading is Fundamental (RIF), em 2013, apenas 33% dos pais afirmaram ler histórias para os filhos antes de dormir. Já para 50%, as crianças gastam este tempo com TV, tablet e videogame. O levantamento feito com mil pais procurava levantar os hábitos de leitura em casa. Aproveite as férias para estimular o lado imaginário e promover a importância da leitura desde a tenra infância.

Confira abaixo os títulos que selecionamos:

1 – O Pequeno Príncipe

Começamos a lista com um dos maiores clássicos da literatura mundial, escrita pelo francês Antoine Saint-Exupéry,  O Pequeno Príncipe é um livro que atravessa gerações cuja história se passa de pai para filho.

A história gira em torno de um piloto que cai com seu avião no deserto e ali encontra uma criança loura e frágil que diz ter vindo de um pequeno planeta distante. E ali, na convivência com o piloto perdido, os dois repensam os seus valores e encontram o sentido da vida.

Livro de cabeceira de muitas crianças e um tesouro de muitos adultos é o livro mais traduzido da história, depois do Alcorão e da Bíblia.
Trata-se da maior obra existencialista do século XX, segundo Martin Heidegger. A edição especial de luxo pela Geração, tradução de Frei Betto, é enriquecida com um caderno ilustrado

2 – Amin e os livros mágicos

Escrito por Ádyla Maciel, Amin e os Livros Mágicos é um divertido e importante mergulho na importância da diversidade cultural que cerceia o mundo mágico do protagonista. Um belíssimo trabalho da literatura infantil.

Nas palavras do escritor Pedro César Batista:
“A história leva leitores e personagens do livro a deixar fluir a imaginação que toma conta dos encontros e buscas dos meninos Amin e Ati, que entram nos livros, viajam por países e aprendem a conviver e descobrir outros mundos.
Um livro cativante pela leveza com que a história é contada, mostrando a importância da convivência com a diversidade, com as diferenças e outras culturas. Ádyla Maciel mostra a riqueza dos encontros a partir da infância,
o que poderá fazer adultos mais humanizados e justos.”

Uma boa pedida para ler para a criançada antes da hora de dormir.

3 – O Ratinho Do Violão

A gente fala búlin, mas a palavra é inglesa e até um pouco difícil de escrever: bullying. A história do Chiquinho é uma história de bullying, uma judiação que gente maldosa faz com os outros, com as crianças. O Chiquinho é um menino muito bacana, do bem, que toca violão como ninguém. O que importa se ele manca um pouquinho, né? Se você ficar um pouco triste de ver o menininho encolhidinho de tanta chateação dos amigos, vai ter uma surpresa lá no final do livro. E vai querer gritar: viva o nosso Chiquinho!

A história de Chiquinho, personagem de “O Ratinho do Violão” é uma história que se repete com milhares de crianças e adolescentes pelo mundo: o bullying.

Um livro rico em aprendizados e que apresenta um texto sensível, lúdico, que envolve o leitor também com suas belíssimas ilustrações.

4 – Uma Viagem Inesquecível

A linguagem das crianças é a linguagem do sonho, da poesia. E é em versos que se conta essa história de um garoto tão de mal com a vida a ponto de seu coração virar uma bolha – uma bolha muito escura, que toma conta dele inteirinho.

A solução para esse problema passa por muitos caminhos e muitas pessoas. Mas tudo vai se resolver de uma maneira inesperada – uma maneira mágica que inclui a paixão por livros, leituras e histórias. Por trás disso está uma menina amorosa, amiga e… muito especial.

Uma história que vai cativar o coração de seu filho.

5 – Minha Família

Neste livro surpreendente, que todos os pais – separados ou não – deveriam ler, um menino de sete anos de idade conta, de forma inteligente e bem humorada, como é sua vida em duas casas, com duas famílias, irmãos adultos, uma mãe severa, um padrasto muito organizado e um pai escritor, libertário e sem rotina. Um livro delicioso e muito encantador.

“Conheci esta história ainda no original: o editor queria saber se valia a pena publicá-lo. Achei que sim. E agora vejo-o transformado num belo livro! Como em muitos livros para crianças, um menino dos seus sete anos conta uma história – a sua: a vida com os pais separados, o pai “postiço”, os “meios-irmãos”. A narrativa corre fácil, tem humor e soa verdadeira, na apresentação de tanta gente, em tantas situações e tantos lugares, que vão preenchendo a vida do pequeno narrador. Essa fidelidade à voz infantil, que alguns mestres conseguem, neste livro deve-se a um pequeno detalhe: o autor é o narrador e tem mesmo, agora, 8 anos! É com alegria que podemos dizer: este é, no mais puro sentido da expressão, um bom livro de literatura infantil! “ – Maria Antonieta Antunes da Cunha

6 – Coleção Milly e Molly

Milly e Molly são duas amiguinhas de 8 anos de idade, uma loura e outra negra, que passam por diversas situações que lhes proporcionam aprendizados e exemplos de bom comportamento. Cada volume da coleção lida com uma determinada virtude, ou valor, como honestidade, generosidade, gentileza, respeito pelos animais, paciência, aceitação das diferenças, etc. São histórias que estimulam a imaginação das crianças, facilitam a discussão de temas delicados (um dos valores, por exemplo, é “Como lidar com o luto”) e incentivam os leitores-mirins a levar uma vida equilibrada e saudável.

“Sentimentos de dor, perda de identidade e baixa autoestima são elementos que transcendem as barreiras de raça, crença e cor. Temas como amizade, generosidade, alegria e sucesso também fazem parte de Milly e Molly. As histórias mostram como tudo isso pode ser incorporado no dia a dia da vida da criança”, explica a autora Gill Pittar, que escreveu 78 livros e duas séries para a televisão.

Os livros da coleção Milly e Molly foram lançados em mais de 100 países e traduzidos para 21 línguas.

“Milly e Molly é uma maravilhosa coleção de livros. Um verdadeiro achado.” Robert Munsch – Conhecido autor de livros infantis campeões de vendas.

Desejamos a vocês e seus pequenos uma boa leitura!

jul 10, 2019
admin

Amazon remove livros que falam sobre ‘cura-gay’ e conversão homossexual do seu catálogo

Livros de Joseph Nicolosi, o ‘pai da terapia de conversão’, são retirados da loja virtual da empresa

Amazon decidiu remover livros que promovem a 'cura gay'

Amazon decidiu remover livros que promovem a ‘cura gay’ Foto:Divulgação-Amazon

A gigante Amazon removeu livros sobre conversão de homossexuais e de ‘cura gay’ de seu website. 

Os livros do autor americano Joseph Nicolosi foram retirados da rede após pressões e denúncias da comunidade LGBT+. O autor é conhecido como o ‘pai da terapia de conversão’ e é fundador da Associação Nacional de Pesquisa e Terapia da Homossexualidade, nos Estados Unidos.

Seus livros tratam sobre terapia de conversão, uma prática nociva que tenta mudar a orientação sexual ou identidade de gênero da pessoa.

Seu livro mais conhecido é A Parents Guide to Preventing Homossexuality (Um Guia Prático para Prevenção da Homossexualidade, em tradução livre), que foi abolido do catálogo de livros da Amazon nos Estados Unidos e no Reino Unido.

Para a NBC News, a empresa confirmou que vários títulos do autor Joseph Nicolosi não estão mais disponíveis em seu site e que ela reserva o direito de não vender livros que vão contra suas diretrizes.

O autor morreu em 2017 mas a prática nociva sobre a terapia de conversão ainda ecoa pelos Estados Unidos e pelo mundo.

Lembrando que essa não é a primeira vez que a Amazon remove algo com conteúdo homofóbico e de ‘cura gay’. Em dezembro do ano passado, a empresa retirou do ar um aplicativo de conversão de um grupo religioso conservador dos Estados Unidos, que realizava podcasts e artigos anti-LGBTs, além de entrevistar pessoas que se proclamam ‘ex-gays’.

Fonte

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