Sem vestígios

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Sem vestígios
Autora:  Taís Morais
Gênero: Reportagem
Acabamento: Brochura
Formato:  16 x 23 cm
Págs: 292
Peso: 500gr
ISBN: 9788561501099
Selo: Geração
Preço: R$ 39,90

Sinopse

“Caso algum dia alguém reúna esses documentos que deixarei escritos ou, quem sabe gravados, eu recomendo que, com cuidado, os fatos sejam analisados e revelados para o povo brasileiro e a quem interessar, como a única forma que tenho de me redimir, mesmo após minha morte”. A fala é do Carioca, o narrador principal do livro Sem Vestígios, da jornalista Taís Morais, autora do também polêmico Operação Araguaia – os arquivos secretos da guerrilha. A autora, que recebeu este diário confidencial, deu voz ao militar, ex-agente secreto da ditadura, que nos traz revelações espantosas sobre as ações de quem, em nome da defesa da democracia, combatia os grupos de esquerda prendendo, interrogando, torturando e executando pessoas, algumas delas inocentes. “Sem vestígios – revelações de um agente secreto da ditadura militar brasileira” é um livro quase inacreditável, de embrulhar o estômago.

Leia o primeiro capítulo

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Esclarecimento do editor

No ano de 2003, fui procurado pelo jornalista Josemar Gimenez, diretor do jornal Correio Braziliense, que me apresentou a dois repórteres. Um deles, Eumano Silva, que trabalhava naquele jornal, e outra, Taís Morais, que então terminava seu curso de jornalismo e era assessora do Ministério de Minas e Energia. Eles pretendiam escrever um livro sobre a guerrilha do Araguaia.

Eumano fora convidado por Taís Morais, filha de um militar, para trabalhar com ela, em razão de o repórter ter ido à região e feito uma série de reportagens sobre os mateiros que na época da guerrilha tinham ajudado o Exército na caçada aos guerrilheiros do Partido Comunista do Brasil, PcdoB.

Taís possuía cerca de 1.000 folhas de documentos, cópias fiéis dos documentos oficiais da guerrilha. Esses documentos serviram de base para o livro Operação Araguaia – os arquivos secretos da guerrilha, que a Geração publicou em 2005, tornou-se um dos mais vendidos na época e ganhou o prestigiado Prêmio Jabuti na categoria livro de reportagem.

A obra reúne parte do trabalho de Eumano, uma pesquisa impressionante conduzida por Taís e, sim, os documentos, cuja íntegra, com mais de mil páginas.

Os militares continuam afirmando que estes documentos nunca existiram ou foram destruídos. Agora eles vão ter que negar o conteúdo espantoso deste livro, mais uma vez escrito por Taís Morais. Foi, sem dúvida, porque ela escreveu Operação Araguaia e nossa editora o publicou que, um dia, como naqueles romances de séculos passados, uma pasta volumosa chegou a nós pelo correio, endereçada por uma mulher que pedia segredo para seu nome.

Ela telefonou dias depois, para confirmar o recebimento, e pediu para marcar um encontro, o que foi feito. Tivemos um único encontro fugaz e tenso, no qual ela falou com justificada preocupação sobre os papéis, dos quais parecia mesmo querer se livrar — diante de condições, a principal delas sendo, claro, o total sigilo a respeito de sua autoria. Ela tinha razões para o medo.

A pasta continha um conjunto de papéis manuscritos em forma de diário e alguns capítulos do que pretendia ser um livro. Havia também algumas poucas fitas e recortes de jornais. O material parecia ter sido escrito até o início dos anos 90, em razão de um manuscrito que contém essa data e aparecia como a página inicial de toda a documentação.

O material era impressionante, pela qualidade terrível das revelações. Um ex-agente secreto, que parecia ter morrido recentemente, deixara aquilo para a ex-mulher, com a recomendação de mandar publicar. Mas não era um livro. Precisava de pesquisa para preencher lacunas, precisava de confirmações. Precisava ser checado, informações graves precisavam ser confirmadas, o texto pedia, mais que revisão, tratamento de reportagem. Os documentos eram um ponto de partida.

Chamei Taís Morais para cuidar do assunto, e o resultado é este Sem vestígio. Um relato impressionante do que foi a guerra suja entre as forças de repressão e os grupos de esquerda, do final dos anos 60 a meados dos anos 70 em nosso país, mais alguma coisa sobre a ação dos agentes militares até meados dos anos 80, quando a ditadura militar entregou o poder para os civis. Sem que estes agentes parassem de bisbilhotar a vida dos cidadãos até hoje, como se poderá saber.

O trabalho de Taís foi doloroso. Boa parte de suas fontes — as mesmas que lhe possibilitaram escrever Operação Araguaia — surpreenderam-se com o conteúdo do novo livro e no início recusaram-se a colaborar. Tocar em feridas do passado não é coisa que convinha à maior parte deles. No entanto, era preciso confirmar não só a veracidade das revelações como do próprio autor delas.

Todas as informações foram, de uma forma ou outra, confirmadas por outros ex-agentes que conviveram com o autor destas memórias e que também, por razões óbvias, pediram para continuar no anonimato. Hoje elas levam sua vida de aposentados, com outras identidades, e preferem, claro, continuar assim. Um deles, envolvido com o jogo do bicho no Rio, não foi ouvido. Outro, o coronel Lício Augusto Maciel, que participou ativamente da guerrilha no Araguaia, forneceu informações exclusivas, que estão em Anexo, no final deste livro.

Pelo menos duas das fontes de Taís levaram à certeza de que o ex-agente morto tivera papel muito importante nas ações narradas. Uma das fontes nos leva a crer que o autor destas memórias morreu misteriosamente, no Rio de Janeiro, com uma machadada na cabeça, dentro de seu barco. Estava aposentado havia vários anos e andava próximo de um grupo traficante de drogas — não sabemos se como interessado ou como infiltrado. Sua morte, estranhamente, jamais foi investigada.

Esse atormentado agente recomendou que seu relato fosse aberto com a chocante história da morte e esquartejamento do comunista David Capistrano. Eu e Taís decidimos manter o relato em sua forma cronológica. O resumo que o agente deixou escrito, por si só — o resumo que abre o depoimento reconstituído por Taís — já é de um impacto avassalador. Melhor que a história flua ao correr dos dias, como a própria vida.

O Editor

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