Lá sou amigo do rei

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Lá sou amigo do rei
Autor:
Carlos Marques
Gênero: Biografia
Formato: 15,6 x 23 cm
Págs: 264 + cad. de fotos
Peso: 573gr.
ISBN: 9788581300214
R$ 39,90
Editora:
Geração

Sinopse:

As fantásticas histórias de um repórter aventureiro, que enfrentou a ditadura militar, foi torturado no Brasil e na Argentina, clandestino em Paris, amigo de celebridades como Salvador Dalí, Jean Genet, Pelé, Khrisnamurti e João Paulo II, cineasta, músico, especialista em discos voadores, apóstolo predestinado do Santo Daime, embaixador da Unesco por acidente, e voltou ao país como partiu: quase anônimo e sem um tostão.

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Memórias de um Forrest Gump às avessas

 Geração lança as memórias do repórter Carlos Marques, que vivenciou alguns dos acontecimentos, e conheceu algumas das personalidades, mais marcantes do século XX

Você já ouviu falar em Carlos Marques? Pois você não é o único: quase ninguém ouviu falar dele. E, no entanto, ele esteve envolvido com alguns dos acontecimentos mais marcantes do século XX, no Brasil e no mundo, e foi amigo de celebridades como Salvador Dalí, Jean Genet, Pelé, Fidel Castro, Khrisnamurti, João Paulo II e Dilma Rousseff, entre muitas outras.
A vida de Carlos Marques lembra muito a de um personagem de romance picaresco. Depois de uma infância paupérrima em Jaboatão dos Guararapes, PE, onde brincava com os ossinhos dos irmãos mortos enterrados no jardim, Carlos torna-se repórter graças à influência do poeta Ascenso Ferreira, envolve-se com movimentos sociais e acaba discípulo do educador Paulo Freire. Quando sobrevém o Golpe de 64, Carlos é preso e torturado por causa de sua associação com Freire; posteriormente é obrigado a fugir do Brasil e exilar-se em Paris. De repórter da revista Manchete tornou-se cineasta, com um filme premiado no Festival de Veneza, e compositor. Este volume traz como brinde um CD com 17 das composições desse homem polivalente. Além de difundir o Santo Daime entre a classe artística brasileira, Carlos teve ainda fama de especialista em discos voadores, foi prisioneiro político também na Argentina e chegou a embaixador da Unesco por mero acidente. No entanto, ao contrário de Forrest Gump, um idiota que ficou milionário e famoso, Carlos Marques, um sujeito muito esperto, voltou ao país como partiu: desconhecido e sem um tostão.

“Alguém muito importante, não direi quem, disse a Carlos que este seu livro devia ser adotado no Itamaraty, para que os diplomatas pudessem exercer com mais competência as suas funções. Eu digo mais: este livro tem que ser lido por qualquer um e por todos, pois se trata de uma extraordinária lição de vida. A história de alguém que, por muito amar a vida, viveu-a plenamente, sem se dar conta do que fazia — história, simplesmente. E que história!” – Luiz Fernando Emediato

 “Clara, para mim, era a sua qualidade de repórter‑furão. Ele poderia ter sido um desses repórteres que fazem o folclore do gênero. Difratava‑se, porém, que nem bolinha de mercúrio, garantido pela talentosa vocação de factotum, que reconhece como sua.” – Muniz Sodré

“E aos que perguntarem se é verdade tudo o que contei, darei a resposta de Marco Polo, quando questionado se todas as coisas extraordinárias e maravilhosas escritas no seu livro As viagens ocorreram mesmo: ‘Eu não contei nem a metade de tudo o que vi’.” –  Carlos Marques  

Entrevista com o autor

O que levou você a escrever suas memórias?
Eu contei minhas histórias para o editor Luiz Fernando Emediato e ele praticamente obrigou-me a escrever a história da minha vida. Sou de Jaboatão dos Guararapes, uma cidade da Região Metropolitana de Recife que tem uma praia chamada Piedade, onde quase morri afogado, uma Ilha dos Amores, onde comi minhas primeiras piranhas e um bairro chamado Prazeres, onde aprendi a amar… Foi lá que nasci num janeiro de 1944, término da Segunda Guerra Mundial e começo dessa “terceira” – dessa vez pessoal e onde sou o único cadastrado como sobrevivente…. pernambucano. Minha vida começa ali. Tem um período muito louco no Brasil até meados dos anos 70, um segundo tempo em Paris, onde vivi 30 anos, e a fase atual, aqui no Brasil, para onde voltei recentemente.

Quem foi seu pai?
Quis o destino que meu pai fosse um padre jesuíta e minha mãe uma doce e bela católica que o conheceria num confessionário, onde certamente revelaria um  ingênuo pecado que o faria largar a batina e constituir uma família, provocando, de cara, o nascimento de treze irmãos. Naqueles tempos conservadores, meu pai foi excomungado pela Igreja e condenado a uma pobreza sem fim. Um padre caído nesse pecado, àquela ocasião, não tinha salvação. Talvez por causa disso oito dos meus irmãos morreriam de fome…

Como você fez para escapar da tragédia que vitimou seus irmãos?
Por conta daquela miséria, sem remorsos, foi aos nove anos de idade que abdiquei da família para me lançar nessa carreira de moleque de rua. Insolente e desarvorado, vítima de inúmeros abusos policiais, juízes, padres e todos os eternos “protetores” de menores abandonados e que dão
“fiabilidade” aos moralistas de nossa sociedade sincera. Naquele vai e vem de prisões, claustros de conventos, marquises acolhedoras, abrigos de pontes da Veneza brasileira, o então jovem adolescente teve a luz do caminho político que me custaria tão caro mais tarde: um providencial encontro com o lúcido professor Paulo Freire, que na época integrava a jovem equipe de Miguel Arraes, e me conduziria a um engajamento rapidamente “enforcado” com a vinda do Golpe Militar de 1964.

O que aconteceu com você em 1964?
Paulo Freire foi se refugiar na embaixada da Bolívia, de onde seguiu para o exílio, e me restaria o caminho das prisões, primeiro no quartel do Exército, na Tijuca, no Rio, e depois no famoso DOPS, na rua da Relação, também na Cidade Maravilhosa. Ali eu fui torturado até a morte, segundo os jornais, mas felizmente não foi bem isso que aconteceu: clandestino, no começo, depois me arranjaram emprego no famoso jornal Diário Carioca, onde trabalhavam Josimar Moreira, Milton Coelho da Graça, Eurico Andrade, Sebastiao Nery e outros de igual calibre. A carreira de jornalista estava a salvo. Devo relembrar que a tinha começado, menino de calças curtas, no Diário de Pernambuco, pelas mãos do não menos famoso Ascenço Ferreira, poeta maior da pernambucanidade. Depois fui para a Última Hora do Nordeste, uma força que o Samuel Wainer daria
para a candidatura de Miguel Arraes.

Como foi sua carreira de jornalista no Rio?
Ah, o fim do Diário Carioca me levaria à revista Manchete, que literalmente “recolheu” os melhores repórteres do jornal defunto e eu era um deles…. Modéstia a parte, o sangue “guerrilheiro” que eu tinha nas veias vivia fervilhando e produzindo lágrimas em minhas reportagens, até o dia,
depois do AI 5, em que eu resolvi pegar um navio cargueiro chamado “Corina”, onde viajei a princípio clandestino, para ir tentar a vida na Europa, Paris mais precisamente. É essa, enfim, a história que está contada no livro. Uma história basicamente de minhas aventuras lá em Paris e aqui no Brasil. E o que me levou a contá-la, como disse, foi a insistência desse patrão da editora Geração, meu ídolo, meu amigo, ser de sensibilidade e de impaciência – muitas vezes exacerbada – mas homem padeiro que adora viver com a mão na massa.

Como foi que você descobriu o Santo Daime?
Bem, eu tive uma enorme responsabilidade na descoberta da ayahuasca, mais tarde consagrada como Santo Daime. Caetano Veloso e Gilberto Gil, entre outros que frequentaram minha casa no Rio, quando retornei da Amazônia, podem falar  muito disso. Eu fui para a Amazônia, a serviço da revista Manchete, para entrevistar o verdadeiro pai-da-criança, mestre Raimundo Irineu. Em seu livro Verdade Tropical Caetano revela, inclusive
citando-me, tudo o que aconteceu com ele e sua tribo quando experimentaram a bebida em minha casa. Posso dizer, sem sombra de dúvida, que
simplesmente fui semente no crescer e desabrochar dessa árvore e o resto fica por conta dos inúmeros seguidores da seita em questão.

Por que razão você foi preso e torturado após o Golpe de 64?
Simplesmente porque, sem questionamentos outros, segui religiosamente os passos de um homem certo chamado Paulo Freire, meu guia.

Como você adquiriu a fama de autoridade em discos voadores?
Na verdade não sou e nem jamais fui autoridade em discos voadores, mas vale a pena revelar que, desde criança, minha porção bruxo se manifestaria, fosse nas escapadas aos terreiros de macumba, candomblés e similares, fosse nas conversas com o poeta Ascenço Ferreira, conhecedor e sumidade no assunto. Finalmente, nas sessões privadas de magias que, escondido, promovia nos quintais das casas em que Morava. Bastava minha mãe degolar uma galinha, para o almoço que eu ficava salivando e venerando aquele sangue quente fervilhando no prato fundo e depois, quando podia, surrupiava algumas gotas e corria para aspergi-las discretamente em alguns “necessitados” que viviam infernizando minha vida. Eram perversas e ingênuas brincadeirinhas de criança, eu sei, mas que muitas vezes davam certo. E como davam certo! Esse foi o começo, acredite, e eu até me lembro de algumas modestas filas de “clientes” que não negligenciavam meu lado curandeiro. Isso fez com que, desde cedo, todos esses temas (bruxaria, ufologia, magia e coisas do além-túmulo) me fascinassem e me levassem a mais tarde ser um próximo dos verdadeiros: Zé-do-Caixão, Zé Arigó, o bruxo argentino Lopez Rega, etc. A realização do meu filme, junto com o Ralph Justino, Carnaval, o aval da carne, com certeza, também me levaria, especialmente em Paris, a uma proximidade com os maiores especialistas em tanatologia que muito me ensinariam. Daí para os discos voadores foi um pulo e então conheci certo general Moacyr Uchoa, em Brasília, militar muito próximo do então ditador presidente João Figueiredo. Era um maluco que não somente via discos voadores, mas também apregoava diálogos inusitados com os extraterrestres. Foi ele quem me abriu as portas do poder para investigar o tema e eu o fiz com a sobriedade necessária, a tal ponto que, voltando a Paris, consegui entrevistar para o programa Fantástico, na TV Globo, o então ministro da Defesa da França, Robert Galley, a respeito dos dossiês secretos franceses sobre discos voadores. Isso me deu uma relativa notoriedade, e até livros citando-me como especialista na matéria foram publicados sobre aquela ousada façanha.

Por que você foi preso e torturado também na Argentina?
Celebridades sempre enchem bolsos e contas bancárias, mesmo as celebridades inventadas, e era meu caso: discos voadores, então, era um prato cheio! Além disso, o fato de ter convivido com Krishnamurti , na Suíça (e isso era verdade!), ter feito o filme Carnaval, o aval da Carne (verdade também!) e, sempre ousado, viver cutucando o diabo com vara curta, arranjei uma maneira para ser convidado especial de um programa da televisão argentina sobre fenômenos paranormais. Aí, desembarquei em Buenos Aires como celebridade, com direito a imprensa e TVs me esperando no aeroporto. Uma coisa gloriosa e nenhum dinheiro no bolso, como sempre, aliás. No saguão até assinei autógrafos antes de seguir
para o hotel cinco estrelas onde a equipe da televisão seguia cada um dos meus passos como se eu fosse celebridade…

Mas, e a tortura?
Calma, chegaremos lá… No dia seguinte, primeiros ensaios nos estúdios, recebemos a fatídica notícia da morte do presidente Juan Peron e, é óbvio, o programa foi adiado. Eu deveria esperar no hotel uma nova convocação que demoraria alguns dias e aquilo começou a me inquietar provocando angústia e, antes que o desespero se apoderasse desse meu ser inquieto, pus em marcha meu chamado plano B: exercer meu jornalismo de origem, freelancer, como sempre, vendendo minhas matérias a quem pagasse mais. Foi aí que o meu lado imbecil saiu do armário. Com a ajuda do amigo Eduardo Galeano conheci o famoso Quino, criador da Mafalda e muito próximo dos Montoneros, os guerrilheiros portenos,dores de cabeça do poder. Ao mesmo tempo, me aproveitando daquela minha celebridade paranormal, decidi me investir junto a Casa Rosada, pois sabia que o bruxo Lopez Rega era o responsável pela união da então presidenta Isabelita com o defunto Peron: a mistura não poderia dar certo, claro. Ninguém poderia admitir que eu saísse de uma reunião com os “subversivos sanguinários” e fosse confraternizar efusivamente com os “honestos” torturadores donos do poder: só eu mesmo! O pior é que o imbecil não voltaria ao armário… Fui em cana mesmo! E torturado mais uma vez.

Você acredita que existe mesmo uma cidade perdida escondida na Amazônia, como você conta no capítulo “Nazistas na Amazônia”?
Pessoalmente jamais acreditei na história dessa cidade perdida mas o jornalista alemão, correspondente da ZDF, Karl Brugger, profissional respeitado e depois assassinado no Rio de Janeiro, acreditava. Tanto que escreveu um famoso livro intitulado Akakor, que foi traduzido em dezenas de países e vendeu milhões de exemplares. Fiz um filme sobre o autor e o tema que me levou à Amazônia e à Alemanha: por conta disso vivi uma delicada e perigosa aventura cheia de peripécias que conto em detalhes no meu livro. Uma coisa que até hoje não consegui entender: as inúmeras mortes de personagens citados no meu filme e que logo após as filmagens desapareciam, ou melhor, morriam.

O que você quis dizer com a última frase do seu livro: “Eu não contei nem a metade de tudo o que vi”? O que ficou ainda por contar?
Ora, nesse livro, digamos, conto minha história até o início dos anos 70 e evidentemente, com prudência, também evito certos detalhes do vivido
que mereceram ou exigiam uma necessária “distância” para serem revelados agora. Eu convivi, e voltei a conviver, com pessoas que sofreram,
como eu, e junto comigo, no passado, e hoje estão no centro do poder. Não quero, não devo revelar essa intimidade agora. É preciso saber dar tempo ao tempo, não é? As injustiças e o irreparável são duas coisas que sempre estão juntas da mesma forma como lembranças e imaginações não andam tão distantes quanto parece. Por conta de filhos, netos, amigos e compromissos profissionais (hoje sou um funcionário internacional aposentado da ONU), o fim de meu exílio aconteceria paulatinamente e em doses moderadas. Quero dizer com isso que somente com a ascensão do Lula à presidência da República comecei a visitar regularmente o país. E sempre ainda com medo do que poderia acontecer. Então, somente a partir do segundo mandato é que, finalmente, tomei coragem e comecei a preparar minhas malas. Com a chegada de Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto consolidei minhas esperanças: essa é a outra metade que pretendo contar no próximo volume.

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