set 20, 2010
Editora Leitura

“Voo para a escuridão” é tema de matéria especial de Domingo no JT

O colombiano Jak Harb, de 50 anos, sentiu as pernas tremerem quando chegou ao setor de imigração do Aeroporto Internacional de Cumbica no fim de julho. Alguma coisa fria se mexeu na barriga segundos antes de entregar os documentos para a Polícia Federal. A ansiedade nada tinha a ver com o lançamento do livro que conta sua história, que aconteceria dias depois. Também não era motivada pelo medo de voar – Jak foi comissário de bordo por 27 anos e fez centenas de viagens para o Brasil, muitas a passeio.

Acontece que aquela era a primeira vez que Jak  pisava em São Paulo após passar 400 dias preso por tráfico internacional  de drogas no interior do Estado, entre 2008 e 2009, sem ter cometido crime nenhum. “Ficar na prisão ajudou a me conhecer melhor”, diz Jak em português que denuncia a sua nacionalidade. A fluência no idioma se deve ao programa  Mais Você a a novela Caminho das Índias, ambos da TV Globo, que assistia na cadeia.

O martírio de Jak começou em 21 de junho de 2008, quando fazia um favor para uma colega de trabalho. Também comissária de bordo, Marta Ortegon pediu para ele pegar uma encomenda com outro colombiano quando estivesse em São Paulo. Mal sabia Jak que o colombiano era uma traficante de drogas, grampeado pela polícia. Agentes da PF prenderam o comissário, um colega de trabalho e o traficante no dia seguinte, no saguão de um hotel em Guarulhos.

Não adiantou alegar inocência. Jak fopi levado para a cadeia com outros 11 indiciados na operação San Lucca. Filho de um libanês que fez dinheiro na Colômbia com o comércio e frequentador de hotéis cinco estrelas pelo mundo, Jak foi parar na Penitenciária de Itaí, interior de São Paulo. Encarou a violência, o desconforto, a falta de apoio das autoridades e o medo de sua homossexualidade ser descoberta na cadeia.

“Quando cheguei a cadeia, é como se tivesse me desligado”, explica o comissário. Foi o que ajudou a enfrentar calor, frio e baratas passando pelo seu rosto enquanto dormia no chão. O colombiano emagreceu 15 quilos e perdeu parte da visão de tanto ler livro, principalmente do contemporâneo Gabriel Garcia Marques, e cartas.  Era quatro cartas por semana, em média: da família, de amigos e do namorado, um artista brasileiro que vive na Espanha.

A família estava presente sempre que podia e pagou uma advogada que se interessou pela causa. “Quando o encontrei pela primeira vez, olhei bem nos olhos e perguntei se estava falando a verdade”, recorda a advogada Verônica Sterman, que recebeu um “sim” como resposta. “A prisão dele era um absurdo.” Contra Jak, a PF tinha uma gravação em que ele marcava o encontro com o traficante (sem no entanto, em nenhum momento mencionar que iria apanhar entorpecentes ou coisa parecida). E o fato dele ser colombiano.

Ao seu lado um bilhete em que Marta lhe pedia um favor que sumiu do processo e só apareceu perto do julgamento, adulterado. A Justiça Federal inocentou Jak, em 5 de agosto de 2009. Hoje, o colombiano administra o resort da família em San Andrés, ilha colombiana próxima ao Caribe. Sua historia virou o livro VOO PARA A ESCURIDÃO (GERAÇÃO EDITORIAL – www.geracaoeditorial.com.br), escrito pelo publicitário e especialista em marketing político Marcelo Simões, que trabalha na campanha de Aloísio Mercadante (PT) para o governo de São Paulo”. Matéria de Tiago Dantas (19/09/2010)

1 Comment

  • Muito estranha essa matéria no Fantástico do ultimo domingo, 24 de outubro de 2010. Ficou muito claro que se tratava de matéria comprada ou “indicada” por fontes que a Rede Globo de Televisão nem imagina e que vai contra todos os seus princípios até hoje divulgados e defendidos. Essa advogada, Verônica A. Sterman, era, na época, uma simples estagiária daquele grande escritório, cujo nome não foi divulgado, e que foi, na verdao de, o escritório contratado pela familia do colombiano Jak Harb. Esse nome, Sterman, aliás, tem vindo a público com certa frequencia nos últimos anos. Primeiro foi com a prisão do tio de Verônica, Hugo Sterman, na Operação Anaconda, da qual ele se livrou graças aos serviços desse mesmo escritório onde Verônica veio a estagiar na sequencia. Depois foi com o pai de Verônica, o cirurgião plástico Silvio Sterman, cometendo a negligencia de operar a esposa do rapper Usher apenas 24 hs depois de conhece-la, sem proceder aos exames completos pré-operatórios, e com a consequente parada cardíaca da operada que, por pouco, escapou à morte, graças à perícia do anestesista que o assistia. E aí ficamos nos perguntando: A QUEM interessava a matéria obviamente propagantista deste domingo no programa Fantastico da Rede Globo de Televisão?? Ao réu colombiano, cuja história é, no mínimo, MUITO dificil de acreditar?? À jovem advogada, na ânsia de se tornar conhecida da Mídia e assim iniciar fortuna em sua carreira de criminalista, mesmo que isto inclua relações perigosas com o tráfico internacional?? Aos dois lados num acordo macabro?? Por mais que se pergunte, por enquanto, AINDA achamos que a Rede Globo de Televisão não precisa desse tipo de expediente… e mais!!! Deve ter sido vítima de expedientes externos que se utilizaram de contatos internos para atender a interesses de outros. Através de “profissionais” da área que se beneficiaram de “amizades” internas para assim se insinuarem. Haja visto o destaque dado ao nome da assim dita “advogada” do caso. BEM maior que os padrões vistos em todas as outras matérias, da Globo ou de outras emissoras. A Rede Globo de Televisão é conhecida por seus padrões tradicionais e seriedade. Esta matéria fere TUDO que aprendemos sobre a Rede Globo de Televisão. Que, com certeza, foi enganada, ludibriada, conduzida, por meio de algum profissional da casa, que não honra o emprego que tem. Esperamos com ansiedade algum tipo de reparação e explicação por parte da Rede Globo de Televisão. Que, com certeza, não tem interesse em ver seu nome ligado a este tipo de conexão. Muito obrigada.

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