Teresa, que esperava as uvas

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Autor:Monique Revillion
Gênero: Contos
Formato: 14 x 21 cm
Páginas: 160
ISBN: 85-7509-137-9
Peso: 0.25 kg
Preço: R$34,00

Sinopse: Estes primeiros contos da gaúcha Monique Revillion revelam uma escritora que, como Clarice Lispector – mas com seu estilo muito pessoal – expressa uma forma feminina, poética e sensual de pensar e refletir sobre a vida e a alma. Como afirma Luis Fernando Verissimo, que apresenta esta nova autora brasileira, Monique Revillion tem voz própria – uma voz poderosa e firme que se estilhaça e se irradia, como num prisma, para iluminar nossos sentidos

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Viver-se em voz alta

Teresa, que esperava as uvas, livro de estréia de Monique Revillion, sugere um novo olhar sobre o mundo, na tradição da literatura de introspecção

Se como dizia Rubem Braga a crônica é “viver em voz alta”, há na tradição literária um tipo de escrita interior, instrospectiva, cujo mundo exterior muitas vezes nada mais é do que um dado do fluxo de consciência da personagem, que pode ser definida, seguindo a lógica do cronista, de “viver-se em voz alta”.

É nessa tradição que se insere Teresa, que esperava as uvas, livro de contos de estréia da gaúcha Monique Revillion. Ok, como alerta Luis Fernando Veríssimo no prefácio, definições podem ser enganadoras. O parentesco com Clarice Lispector é a mais evidente. Outra, diz Veríssimo, “é recorrer a uma palavra que não diz nada, que é quase uma desculpa: um texto denso”. E arrisca um ângulo melhor. Segundo o escritor, o livro é “prismático”, porque se reflete em várias direções.

Alguns desses prismas podem ser vistos logo no índice. Alguns títulos dos contos sugerem o oposto dos grandes temas que a literatura busca. São espécie de não-temas, como “Sal”, “Bolinha”, “Kiwi”, “Coleção”. Outros apontam para o inusitado: “Cedo”, “Antes dos nomes”, “Para entender das desmedidas”. E de todos os casos extrai-se literatura, pois mais que o mundo o que importa é a alma que vê o mundo.

Um dos títulos é emblemático: “Porque sempre quis aprender a olhar”. Na prosa de Monique, o olhar é um aprendizado. Como o do personagem de outro conto que aprendeu a “mudar a perspectiva de quem olha só de passagem”. Um “olhar desprevenido de razão”, que é o olhar que perpassa Teresa, que esperava as uvas.

Mais do que exercícios de estilo – pois, como Clarice, Monique Revillion também não enfeita – muitas frases buscam perscrutar o conhecido, o prosaico, por outros ângulos. O primeiro conto, “O Peixe”, abre com a frase: “Haviam alcançado a imperfeita paz”. Frase que é já em si um enigma. Para a escritora, um cartão de visitas e tanto, pois é com essa frase que Monique Revillion estréia na literatura brasileira. Muitos outros momentos de tornar o conhecido irreconhecível virão, como “fomos ao inferno em busca de luz” e “a habilidade do silêncio”.

Em geral, todo resenhista de livro gosta de elogiar dizendo que “se lê de uma só sentada”. Aqui também o elogio é pelo avesso. Teresa, que esperava as uvas pede uma leitura lenta e contemplativa. Que se saboreie cada trecho, pois como diz Veríssimo, carregam múltiplos significados. Uma literatura de penumbra, que mais se enxerga quando mais se diminuem as luzes da razão.

Mas já que Clarice é inevitável, acaba vindo dela a chave para compreender Teresa, que esperava as uvas. Disse uma das nossas maiores escritoras que “escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível”. É do irreproduzível que esse livro fala. E como trata-se de um livro cheio de paradoxos e labirintos, então podemos concluir com outra frase de Clarice, que ao mesmo tempo que afirma que escrever é procurar entender, diz também: “Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa todo o entendimento.”

Em Teresa, que esperava as uvas quanto menos se entende, mais se compreende.

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