ADHEMAR
A fantástica história de um político populista desbocado, amado e odiado, inspirador do infame lema “rouba, mas faz”, que participou do golpe militar de 1964, foi posto de lado pelos generais e morreu exilado em Paris, depois de marcar sua época e história do Brasil.

DEUSES DO OLIMPO
Explore o universo mágico da Grécia Antiga e conheça as histórias dos personagens mais famosos da mitologia. Um livro para gente pequena e gente grande tambécm! ( + )

OS VENCEDORES
Quem ganhou, perdeu. Quem perdeu, ganhou. Cinquenta anos após o advento da ditadura de 1964, é assim que se resume a ópera daqueles anos de chumbo, sangue e lágrimas. Por ironia, os vitoriosos de ontem habitam os subúrbios da História, enquanto os derrotados de então são os vencedores de agora. ( + )

A VILA QUE DESCOBRIU O BRASIL
Um convite a conhecer mais de quatro séculos de história de Santana de Parnaíba, um município que tem muito mais a mostrar ao país. Dos personagens folclóricos, tapetes de Corpus Christi, das igrejas e mosteiros, da encenação ao ar livre da “Paixão de Cristo”. Permita que Ricardo Viveiros te conduza ao berço da nossa brasilidade. ( + )

O BRASIL PRIVATIZADO
Aloysio Biondi, um dos mais importantes jornalistas de economia que o país já teve, procurou e descobriu as muitas caixas-pretas das privatizações. E, para nosso espanto e horror, abriu uma a uma, escancarando o tamanho do esbulho que a nação sofreu. ( + )

CENTELHA
Em “Centelha”, continuação da série “Em busca de um novo mundo”, Seth vai precisar ter muita coragem não só para escapar da prisão, mas para investigar e descobrir quem é esse novo inimigo que deixa um rastro de sangue por onde passa. A saga nas estrelas continua, com muita ação de tirar o folego! ( + )

MALUCA POR VOCÊ
Famosa na cidade pelos excessos do passado, Lily terá de resistir ao charme de um policial saradão oito anos mais jovem que acaba de chegar na cidade. Prepare-se para mais um romance apimentado e divertidíssimo escrito por Rachel Gibson.. ( + )

NOS IDOS DE MARÇO
A ditadura militar na voz de 18 autores brasileiros em antologia organizada por Luiz Ruffato. Um retrato precioso daqueles dias, que ainda lançam seus raios sombrios sobre os dias atuais. ( + )





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jul 13, 2018
admin

Treze dicas de livros para aproveitar a sexta-feira 13

Sexta-feira 13 combina com uma boa leitura debaixo das cobertas. Pensando nisso, preparamos uma lista com treze livros do gênero de terror, mistério, suspense, thriller psicológico e erótico para você aproveitar este noite no clima perfeito.

1 – A Face Radiante da Morte (Alexandra Marinina)

Escrito pela ex-investigadora russa Alexandra Marínina, este que é um dos policiais mais surpreendentes dos últimos anos já vendeu 22 milhões de exemplares na Rússia e Europa. Nele, a detetive Nástia Kamênskaya investiga o assassinato da bela Mila Shirókova, que procurava seus inúmeros parceiros sexuais em uma agência de casamento. Não há nem pistas nem suspeitos do crime.

Esta é uma trama policial envolvente e exótica, em que todos os personagens são suspeitos até prova em contrário. Este livro faz parte da coleção Carpe Diem.

2 –  Algemas de Seda (Frank Baldwin)

Mimi Lessing está noiva do homem que ama, quando seu colega de trabalho, o irresistível Jake Teller, desperta a sua curiosidade e interesse. Disposto a seduzi-la, Jake a convida a assistir, sem ser vista, aos jogos eróticos dele com suas parceiras, a quem leva ao êxtase sexual por meio da dor.

A imaginação de Mimi é estimulada a tal ponto, que ela começa a questionar os seus planos de casamento e a sua vida sexual plácida demais com o noivo, sem perceber que, enquanto isso, um homem excêntrico e perigoso secretamente a segue e a observa, inclusive nos momentos mais íntimos.

Então, as mulheres com quem Jake dormiu começam a ser assassinadas, e a própria Mimi desaparece. Homens e mulheres não deixarão a leitura deste thriller erótico e absorvente até a última página, para a qual se caminha num clima de sensualidade e suspense eletrizantes.

3 – As Camadas Mais Frias do Ar (Antje Rávic Strubel)

Numa floresta idílica à beira de um lago na Suécia, um grupo de alemães na casa dos trinta anos, monitores de uma colônia de férias, procura escapar da civilização, esquecer o passado amargo e ignorar o futuro incerto. “A Natureza não faz perguntas”, diz o anúncio enigmático respondido pela desiludida Anja, contratada para trabalhar no acampamento de verão.

Após conhecer a etérea e misteriosa Siri, Anja fica fascinada por ela, colocando a sua identidade sexual em jogo, enredando-a numa teia confusa e sedutora que faz as duas mulheres entrarem em conflito com o resto do acampamento. As tensões latentes nesse microcosmo da sociedade moderna acabam eclodindo, e o paraíso estival degenera aos poucos num inferno de tortura psicossocial, violência, loucura e assassinato.

4 – Cidade das Sombras: O Guardião (Daniel Polansky)

Imagine um policial noir como os de Raymond Chandler e James Ellroy com o ritmo sanguinolento dos filmes de Quentin Tarantino e a fantasia de “O Senhor dos Anéis”, num cenário como a Los Angeles de “Blade Runner”, onde os policiais não querem ver nada que não convenha e convivem com gangues multiétnicas de assassinos, prostitutas, contrabandistas, drogados e traficantes.

Pelas ruas imundas desse mundo devastado, em meio a uma fauna corrupta, de que é prudente desconfiar a todo momento, vaga o “Guardião”, um tipo solitário e desiludido que viveu como combatente numa grande guerra, sobreviveu a uma peste e leva a vida como narcotraficante. Ele se droga para suportar seu cotidiano sórdido e investiga o cruel assassinato e estupro de uma garotinha.

“Cidade das Sombras” é uma trilogia fantástica, cujo primeiro volume é este alucinante romance de estreia que inaugura um novo gênero: a “fantasia noir”. Tenso, com um suspense crescente, “O Guardião” surpreende pela ousadia, assusta com a previsão de um futuro sombrio para a humanidade e garante uma leitura de impacto do começo ao fim.

5 – Ergue-se a Noite (Colleen Gleason)

Ainda em plena fase de luto fechado, Vitória Gardella volta a perambular pelas madrugadas de Londres, vestida com os trajes do marido morto, à caça de vampiros. Usa o disfarce masculino para não chamar atenção, afinal uma mulher não saía sozinha às ruas nem mesmo de dia, no século dezenove. Ela, porém, está muito adiante de seu tempo. Independente e voluntariosa, quer retomar sua missão, certa de que a rainha dos vampiros, Lilith, pode voltar a qualquer momento de seu exílio voluntário, cercada por seus seguidores.

Para enfrentá-la, Vitória deveria contar com a ajuda do jovem e experiente venador Max, que não manda notícias desde que regressou à sua Itália natal. E é para lá que Vitória viaja, agora disposta a desvendar tanto o paradeiro dele como as atividades dos membros da Tutela, uma organização secreta, recentemente descoberta, e que tem como missão alimentar vampiros, entregando-lhes seres humanos.

Este é o centro da trama de Ergue-se a noite – Crônicas vampíricas de Gardella, o segundo livro da saga das irresistíveis venadoras criadas por Colleen Gleason. A jovem americana é autora da série “Crônicas Vampíricas de Gardella”, com cinco volumes, cujos direitos já foram adquiridos pela indústria do cinema. Neste segundo romance (o primeiro foi O legado da caça-vampiro), o fascínio da heroína reside não só em sua coragem, beleza e sensualidade, mas no extremo voluntarismo, que muitas vezes a conduz a situações desesperadoras.

6 – Jack, o Estripador – a verdadeira história, 120 anos depois (Paulo Schmidt)

O que torna Jack mais interessante que todos os outros assassinos seriais é o fato de nunca ter sido preso e de não termos ideia de quem ele foi, nem por que cometeu seus atrozes assassinatos. Ele é uma sombra, um enorme ponto de interrogação traçado com sangue.

O Estripador se transformou em lenda porque os mitos brotam das lacunas deixadas pela História. Tentar adivinhar a identidade do criminoso de Whitechapel ainda é a principal pergunta ou mistério policial da atualidade.

7 – Muito Além da Loucura (Marcelo Simões)

A história de um crime até então sem precedentes no Brasil: para ficar com a fortuna da família, Marcílio matou o pai, a mãe, a avó e o irmão. Marcílio Moura Maia tinha apenas 19 anos quando engendrou e deu cabo de um plano macabro para ficar com a herança do pai, um bem-sucedido empresário português que chegou ao Brasil muito jovem e fez fortuna vendendo tecidos.

A ideia inicial era assassinar o pai e o irmão esquizofrênico, sobre o qual deveria recair a culpa e cuja a morte deveria parecer suicídio. Mas a mãe e a avó se interpuseram em seu caminho e também foram eliminadas. Louco ou alguém desprovido de qualquer valor sentimental e moral? É o que você descobrir em Muito além da loucura, uma história dramática e repleta de suspense, intrigas e emoções. Leitura de tirar o fôlego da primeira à última página

8 – O Castelo dos Alquimistas (Peter Gustav Bartschat)

Alemanha, 1523: você vai encontrar aqui uma descrição da Idade Média que está mais para uma trama alucinante de Hollywood do que para a mesmice dos livros de História. Edgar Frischlin, um sujeito de hábitos simples, acaba envolvido numa trama surpreendente e, como espião do arcebispado, infiltra-se na fortaleza de Schönburg para investigar as práticas alquimistas do conde Frowin.

As suspeitas conduzem a uma torre inexpugnável, onde corpos humanos são usados como ingredientes de uma fórmula secreta para transformar chumbo em ouro. As investigações se complicam quando o conde aparece assassinado dentro de um quarto trancado por dentro. Perseguições, intrigas, lutas de espada e ataques ousados de cavalaria aumentam o suspense, até que Edgar Frischlin esclarece um dos crimes mais intrigantes do Renascimento alemão.

9 – O Enigma de Compostela (A. J. Barros)

No lendário Caminho de Santiago, que existe há mil anos, uma série de crimes faz um investigador desvendar um segredo que dura mil anos. Enquanto uma seita misteriosa assassina padres, freiras e turistas ao longo do caminho, voltas ao passado contam com grande emoção histórias ligadas às origens do Cristianismo, quando várias seitas se enfrentaram, todas falando em nome de Jesus Cristo.

As Cruzadas, a seita dos cátaros, a história de papas guerreiros, tudo isso se cruza com uma história de ação e mistério alucinante, da qual o leitor não consegue lagar. O autor pesquisou arquivos históricos durante 10 anos, inclusive no Vaticano, e fez o caminho de Santiago, de 800 quilômetros, quatro vezes, duas a pé e duas de carro. O livro vai interessar os leitores de Dan Brown e outros autores do gênero e também as pessoas que fizeram o Caminho.

10 – O invasor (Marçal Aquino)

Este livro traz a novela e o roteiro de cinema em que se transformou “O Invasor”, um livro onde não há um tiro, mas onde a violência e o descontrole está presente em gestos, atitudes, olhares e entonação da voz.

Não por acaso o filme “O Invasor” venceu o Festival de Sundance de 2002, traduzindo para a tela um suspense que mantém a respiração presa do início ao fim. Este livro faz parte da coleção Carpe Diem.

11 – O Símbolo Secreto (Patrick Ericson)

Durante séculos a maçonaria escondeu da humanidade o maior de todos os seus segredos…Qual era o enigma que Iacobus de Cartago quis revelar ao mundo em 1523 e lhe custou a vida? Por que os Filhos da Viúva, que furaram seus olhos, cortaram sua língua e o mataram, continuam matando até hoje – sempre da mesma forma cruel – todo aquele que consegue decifrar o que ele escreveu? Qual a relação entre as catedrais góticas, a Arca da Aliança e as pirâmides de Gizé?

O Símbolo Secreto é uma aventura de suspense, frenética e apaixonante, uma corrida contra o relógio, repleta de erudição, revelações surpreendentes e reviravoltas emocionantes, que prendem o leitor da primeira até a última página.

12 – Sombras da noite (Lara Parker)



Amores destroçados, sonhos perdidos, vampiros sem rumo. E uma bruxa linda e apaixonada, com muita sede de vingança. Essa história  assombrosa e cult, que  arrepiou os norte-americanos nos anos 60 e 70, quando gerou mais de 200 telefilmes na rede ABC, conta a saga do triste vampiro Barnabas Collins, que vive seu drama no século XVIII e acorda, para novos horrores, nos anos 70 — os anos loucos do sexo, das drogas e do rock’n roll.

Atrás dele, apaixonada e vingativa, vem a alucinada Angelique, com seu passado de menina prisioneira do próprio pai e cujos sonhos foram  destroçados, 200 anos antes, pelo próprio Barnabas. Essa trama cheia de suspense, amores destroçados, sonhos perdidos, feitiçaria, dramas  existenciais, assédio e vingança, além de muito romantismo e muita história, é contada pela atriz e escritora Lara Parker, que interpretou Angelique na série de TV.

13 – Vou lhe Mostrar o Medo (Nicolaj Frobenius)

Edgar Allan Poe, o célebre poeta e autor de histórias de terror, bem como criador do gênero policial na literatura, é o protagonista deste romance de suspense psicológico, que discute os limites da criação literária e a responsabilidade moral da arte.

Nele vemos o jovem escritor norte-americano afligido pela pobreza, angustiado com a enfermidade da sua frágil esposa e assombrado por um maníaco que comete assassinatos inspirados nos seus escritos, além de sabotado em sua carreira pelo crítico literário Griswold, que lhe dedica um misto de admiração e ódio.

Publicado em toda a Europa, traduzido em dez idiomas e plagiado por Hollywood, este romance premiado, de Nikolaj Frobenius,  marca um dos grandes expoentes da moderna literatura norueguesa.

jul 24, 2013
admin

Entrevista com Nikolaj Frobenius sobre o seu livro, Vou lhe mostrar o medo

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Como e quando teve início a sua fascinação por Edgar Allan Poe?

A primeira vez que ouvi um conto de Edgar Allan Poe foi durante uma viagem que fiz com meu pai quando eu tinha 13 anos. Era outono e fomos para um chalé no bosque, na região leste da Noruega. Estávamos em meados de outubro e o clima encontrava-se úmido e sombrio. O chalé era isolado, não havia eletricidade e a atmosfera era soturna — perfeita para uma historinha horripilante. Não havia TV e nem rádio no chalé, nenhum acesso a entretenimentos modernos, mas ao anoitecer meu pai tirava um livrinho da estante e lia um conto para mim. A história era incrivelmente simples, sobre um homem que vagueia pelas ruas da velha Londres, observando as pessoas, entusiasmado com a atmosfera febril da metrópole. Ele se senta num café para descansar. Na multidão à sua frente, vislumbra um homem muito velho percorrendo a praça sem rumo. Por curiosidade começa a seguir o velho através de ruas e vielas estreitas, durante horas. O velho apenas anda e anda, sem direção, sem propósito, e no final o narrador desiste. Não há objetivo, não há motivo algum, apenas caminhar sem fim. Esse é o enredo do conto de Poe “O homem na multidão”. É incrivelmente simples, quase absurdo. Mas o modo como foi escrito, o terror reprimido do narrador e as aldeias escuras da velha Londres, causaram uma tremenda impressão em mim quando eu era garoto. Continuei a ler os contos de Poe e, mais tarde, interessei-me também por seus ensaios e poemas. Seus contos são de suspense psicológico e acho que foi essa combinação que me fascinou: o horror da alma.

O seu livro traz uma ligação bastante sutil entre Griswold, Poe e Samuel, o assassino. Griswold condena Poe por ser amoral como escritor e como poeta, ao passo que Samuel — o homem que comete assassinatos sangrentos inspirado pelos contos de Poe — é um personagem completamente amoral. Seria isso um modo sutil de sugerir que Griswold tinha razão em sua opinião de que a poesia deve sempre ter uma justificação moral?

No que se refere a Samuel, acho que as ações dele dificilmente podem ser compreendidas como algo além de um terrível mal-entendido. Mas creio que também demonstra a vulnerabilidade da literatura. Não existem garantias, para o escritor, de que ele será entendido, e textos às vezes podem ser mal interpretados de formas muito destrutivas. Mas há outra camada no romance que se ocupa — como você mencionou —, do subtexto amoral dos escritos de Poe. Assim, embora Samuel Reynolds seja com certeza o tipo de fã obcecado que nenhum autor deseja ter, ele foi influenciado pelo elemento misantrópico do universo de Poe. A atmosfera de perigo nos contos de Poe também está associada aos elementos de violência e horror da sua ficção, ele tem um autêntico instinto para isso. O que talvez explique por que Poe continua sendo um escritor tão controverso.

Quem são seus escritores favoritos e de que modo eles inspiram você?

Li Edgar Allan Poe quando adolescente, juntamente com Dostoievski e William Faulkner. O material “dark”. Mais tarde, passei a ler de forma mais abrangente e tive uma forte queda por escritores sul-americanos, como Borges e Bolano. Sempre apreciei o gênero noir e recentemente li muita coisa do escritor norte-americano de literatura pulp David Goodis. Sujeito perturbado. Escreve formidavelmente.

A sua ideia para o romance Vou lhe mostrar o medo é exatamente a mesma do filme O corvo, que estrelou John Cusack no papel de Poe, mas o seu nome não foi mencionado nos créditos. Foi plágio ou você fez algum tipo de acordo com os produtores do filme?

Bom, às vezes acontece de você ter uma ideia realmente boa e então alguém a retalha toda e finge que é dele. Isso não contribui muito para a minha boa opinião sobre a humanidade, mas não há dúvida de que existem por aí abutres à procura de ideias para adotar, roubar e devorar. Na verdade, o filme foi bem decepcionante, a ideia acabou sendo melhor que o próprio filme, o que me parece justo: se você rouba as ideias dos outros, receberá algum tipo de castigo no final.

Não são muitos os autores noruegueses conhecidos dos leitores brasileiros. Em sua opinião, quem são os melhores autores da Noruega e o que você tem a dizer sobre deles?

A Noruega é um país pequeno, mas somos abençoados com uma literatura bastante rica, tanto tradicional quanto contemporânea. Knut Hamsun, o Dostoievski norueguês, Henrik Ibsen e Sigrid Undset são provavelmente os escritores noruegueses mais célebres. O bom a respeito da literatura norueguesa contemporânea é que existem realmente muitos estilos e perfis, há escritores jovens que mergulham na vida privada do aqui e agora, mas existem também alguns que procuram dar vida nova a gêneros antigos, como o noir, o romance político, etc.

Você está com algum projeto novo no momento? Pode falar a respeito?

Estou concluindo um novo romance, intitulado A maldição. É um romance sobre um romancista que escreve um romance autobiográfico a respeito da infância dele e de um incidente particular em que uma escola foi incendiada. O culpado é expulso da escola e, mais tarde, dado como morto. Porém, muitos anos depois, o piromaníaco volta para se vingar do modo como foi retratado no romance, e o romancista é lenta porém inevitavelmente envolvido numa teia sinistra. Esse é o enredo, e no momento o meu trabalho consiste em tornar cada frase tão boa quanto possível.

Confira o book trailer promocional:

Sobre o livro:

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Edgar Allan Poe, o célebre poeta e autor de histórias de terror, bem como criador do gênero policial na literatura, é o protagonista deste romance de suspense psicológico, que discute os limites da criação literária e a responsabilidade moral da arte. Nele vemos o jovem escritor norte-americano afligido pela pobreza, angustiado com a enfermidade da sua frágil esposa e assombrado por um maníaco que comete assassinatos inspirados nos seus escritos, além de sabotado em sua carreira pelo crítico literário Griswold, que lhe dedica um misto de admiração e ódio.Publicado em toda a Europa, traduzido em dez idiomas e plagiado por Hollywood, este romance premiado marca a estreia, no Brasil, de Nikolaj Frobenius, um dos grandes expoentes da moderna literatura norueguesa.

jul 17, 2013
admin

Vou lhe mostrar o medo, na Bravo!

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“O CORVO”, TRADUÇÃO DE MACHADO DE ASSIS (meio engomada e pedantezinha, né?) Se tiverem preguiça de ler os avatares emplumados e poéticos que reproduzo em seguida, pulem-nos e sigam em frente – circulando, circulando!

Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
“É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais.”

Ah! bem me lembro! bem me lembro!

Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o chão refletia
A sua última agonia.
Eu, ansioso pelo sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora.
E que ninguém chamará mais.

E o rumor triste, vago, brando
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido,
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplacá-lo aqui no peito,
Levantei-me de pronto, e: “Com efeito,
(Disse) é visita amiga e retardada
Que bate a estas horas tais.
É visita que pede à minha porta entrada:
Há de ser isso e nada mais.”

Minh’alma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo e desta sorte
Falo: “Imploro de vós, — ou senhor ou senhora,
Me desculpeis tanta demora.
Mas como eu, precisando de descanso,
Já cochilava, e tão de manso e manso
Batestes, não fui logo, prestemente,
Certificar-me que aí estais.”
Disse; a porta escancaro, acho a noite somente,
Somente a noite, e nada mais.

Com longo olhar escruto a sombra,
Que me amedronta, que me assombra,
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta;
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu, como um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.

Entro coa alma incendiada.
Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais forte; eu, voltando-me a ela:
“Seguramente, há na janela
Alguma cousa que sussurra. Abramos,
Eia, fora o temor, eia, vejamos
A explicação do caso misterioso
Dessas duas pancadas tais.
Devolvamos a paz ao coração medroso,
Obra do vento e nada mais.”

Abro a janela, e de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
De um lord ou de uma lady. E pronto e reto,
Movendo no ar as suas negras alas,
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta, em um busto de Palas;
Trepado fica, e nada mais.

Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gesto severo, — o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: “O tu que das noturnas plagas
Vens, embora a cabeça nua tragas,
Sem topete, não és ave medrosa,
Dize os teus nomes senhoriais;
Como te chamas tu na grande noite umbrosa?”
E o corvo disse: “Nunca mais”.

Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que lhe eu fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera
Dificilmente lha entendera.
Na verdade, jamais homem há visto
Cousa na terra semelhante a isto:
Uma ave negra, friamente posta
Num busto, acima dos portais,
Ouvir uma pergunta e dizer em resposta
Que este é seu nome: “Nunca mais”.

No entanto, o corvo solitário
Não teve outro vocabulário,
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda a sua alma resumisse.
Nenhuma outra proferiu, nenhuma,
Não chegou a mexer uma só pluma,
Até que eu murmurei: “Perdi outrora
Tantos amigos tão leais!
Perderei também este em regressando a aurora.”
E o corvo disse: “Nunca mais!”

Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
“Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
Que ele trouxe da convivência
De algum mestre infeliz e acabrunhado
Que o implacável destino há castigado
Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
Que dos seus cantos usuais
Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
Esse estribilho: “Nunca mais”.

Segunda vez, nesse momento,
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao corvo magro e rudo;
E mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera
Achar procuro a lúgubre quimera,
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: “Nunca mais”.

Assim posto, devaneando,
Meditando, conjeturando,
Não lhe falava mais; mas, se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava.
Conjeturando fui, tranqüilo a gosto,
Com a cabeça no macio encosto
Onde os raios da lâmpada caíam,
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam,
E agora não se esparzem mais.

Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso,
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível;
E eu exclamei então: “Um Deus sensível
Manda repouso à dor que te devora
Destas saudades imortais.
Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora.”
E o corvo disse: “Nunca mais”.

“Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
Onde reside o mal eterno,
Ou simplesmente náufrago escapado
Venhas do temporal que te há lançado
Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
Tem os seus lares triunfais,
Dize-me: existe acaso um bálsamo no mundo?”
E o corvo disse: “Nunca mais”.

“Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
Por esse céu que além se estende,
Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
No éden celeste a virgem que ela chora
Nestes retiros sepulcrais,
Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!”
E o corvo disse: “Nunca mais.”

“Ave ou demônio que negrejas!
Profeta, ou o que quer que sejas!
Cessa, ai, cessa! clamei, levantando-me, cessa!
Regressa ao temporal, regressa
À tua noite, deixa-me comigo.
Vai-te, não fique no meu casto abrigo
Pluma que lembre essa mentira tua.
Tira-me ao peito essas fatais
Garras que abrindo vão a minha dor já crua.”
E o corvo disse: “Nunca mais”.

E o corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e, fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais!

“O CORVO”, TRADUÇÃO DE FERNANDO PESSOA (NO MAIOR CAPRICHO)

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
“Uma visita”, eu me disse, “está batendo a meus umbrais.

É só isto, e nada mais.” Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu queria a madrugada, toda a noite aos livros dada
Pra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais –
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,

Mas sem nome aqui jamais! Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
“É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.

É só isto, e nada mais”. E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
“Senhor”, eu disse, “ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi…” E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.

Noite, noite e nada mais. A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais –
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.

Isso só e nada mais. Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
“Por certo”, disse eu, “aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.”
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.

“É o vento, e nada mais.” Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,

Foi, pousou, e nada mais. E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
“Tens o aspecto tosquiado”, disse eu, “mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.”

Disse o corvo, “Nunca mais”. Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,

Com o nome “Nunca mais”. Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, “Amigo, sonhos – mortais
Todos – todos já se foram. Amanhã também te vais”.

Disse o corvo, “Nunca mais”. A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
“Por certo”, disse eu, “são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesperança de seu canto cheio de ais

Era este “Nunca mais”. Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que queria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,

Com aquele “Nunca mais”. Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,

Reclinar-se-á nunca mais! Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
“Maldito!”, a mim disse, “deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!”

Disse o corvo, “Nunca mais”. “Profeta”, disse eu, “profeta – ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!

Disse o corvo, “Nunca mais”. “Profeta”, disse eu, “profeta – ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!”

Disse o corvo, “Nunca mais”. “Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!”, eu disse. “Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!”

Disse o corvo, “Nunca mais”. E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,

Libertar-se-á… nunca mais!

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E a leitura de Vincent Price de O Corvo, sardônica, lelé da cuca e claramente do lado da ave….

Adivinhem quem também descascou o abacaxi de O Corvo? O Zé do Caixão, em unhas  e osso!

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Fonte: Bravo!

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