Sangue Azul – Morte e corrupção na PM do Rio

SangueAzul

Sangue Azul – Morte e corrupção na PM do Rio
Autor: Leornado Gudel
Categoria: Reportagem
Formato: 15,5×22,5 cm
Página: 332
Peso: 400gr.
ISBN: 9788561501396
Preço: R$ 56,00
Editora: Geração

E-book
ISBN: 9788581301372
Preço: R$ 28,00

Sinopse:

Mais violento que o filme “Tropa de Elite”. Mais polêmico que o livro “A elite da tropa”.Mais revelador que “Rota 66”. Mais impressionante que qualquer livro, filme ou documento que você tenha lido ou visto sobre o tráfico de drogas e a corrupção policial e política no Rio ou em qualquer lugar. Incomparável. Revoltante. Absurdamente real. Umdepoimento chocante e arrasador!

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Policial militar escancara o interior da PM do Rio e denuncia seu envolvimento com o crime e o tráfico

Mais polêmico que o livro“A elite da tropa”
Mais impressionante que qualquer livro, filme ou documento que você tenha lido
ou visto sobre o tráfico de drogas e a corrupção policial e política

Quem se impressionou com “Tropa de Elite”, o filme, vai se chocar agora, definitivamente, com este relato perturbador e terrível. O policial militar da ativa Rubens – mas não se iludam, ele não se chama Rubens e não será identificado por motivos óbvios – relata sua vida e você espera então que ele discorra sobre heroísmo no combate ao crime, aos traficantes, aos assaltantes, aos corruptos.
Mas nada disso acontece. Após a suave auto-apresentação, esse falso Rubens abre sua autobiografia com a narrativa crua e apavorante de uma cena dantesca: o massacre impiedoso de pessoas provavelmente inocentes ou que, se culpadas, deveriam ser levadas a julgamento.
Inevitável a lembrança de, por exemplo, filmes de Quentin Tarantino o sangue jorra, rostos se desfiguram, corpos se estilhaçam. Mas não estamos, infelizmente, diante de um filme bem humorado e satírico. Aqui, é tudo brutalmente real. Despudoradamente real. Escandalosamente real.
“Sangue Azul – morte e corrupção na PM do Rio” trata da guerra civil não declarada que já existe no Rio de Janeiro e que, até agora, abate principalmente pobres, favelados ou não. Vemos aqui, pela voz de um deles, a história de policiais militares (os tais homens de “sangue azul”) dos quais se espera que nos protejam. Pouco a pouco, somos apresentados ao dia a dia dessa gente que também tem família, filhos, projetos de vida. Gente como a gente – mas existe algo de errado nessa história.
Eis, então, o drama: à medida que avançam em sua missão, esses policiais se corrompem, buscando dinheiro, e se dilaceram no abandono da ética e da própria humanidade. Transformam-se basicamente em matadores. Eles matam bandidos como se fossem justiceiros, mas, na dúvida, acabam matando qualquer um. E aí entram no crime. E então matam adversários. Matam concorrentes. Matam pessoas inocentes, inclusive mulheres e crianças. A barbárie. O horror. Rubens, esse Rubens que não se chama Rubens, resolveu falar. Por que tão perigosa decisão, ainda que protegida pelo anonimato?
O editor da Geração Editorial, Luiz Fernando Emediato, foi apresentado a esse Rubens que não se chama Rubens pelo jovem roteirista de cinema Leonardo Gudel. Um homem normal. Até o momento em que faz seu depoimento e pede sigilo. Por quê? “Bom, meu depoimento é uma confissão, não é? Se eu for identificado, vou preso e serei condenado”. Ponto.
Coube a Leonardo Gudel, que vai transformar essa história em filme, ouvir Rubens que não se chama Rubens e transcrever, com rigor e fidelidade, os horrores que ouviu. O policial se dilacera em seu relato seco, cruel, sem censura. Há momentos em que é difícil acreditar. Em seus apartamentos nas avenidas Vieira Souto ou Atlântica, os cariocas talvez sequer desconfiem que a verdade seja assim. Espera-se, sinceramente, que se assustem, ou melhor, que se apavorem. Os Rubens ainda não bateram na porta deles, mas essa hora não está longe de chegar.
O morro está logo ali, bem perto, e esses cidadãos convivem com balas perdidas, arrastões, um ou outro assalto. Os filhos deles vão ao morro buscar cocaína, todo mundo sabe. Mas, e agora? O que se relata aqui é outra coisa. É a visão do inferno. Do terror. De ummonstro que nos espreita, pronto para nos engolir a qualquer momento.

Trechos do livro

O barraco que nós estouramos era também um esconderijo de armas de traficantes. Achamos quatro fuzis. Dois G3, um 5.56 e um AK47. Depois que me deixaram no pronto-socorro, a viatura seguiu para a favela vizinha e meus companheiros venderam, para a facção rival, os fuzis que nós encontramos”.

“Sabe o que eu acho? Vou ser sincero com vocês. A população tem mais que se fuder. Ela tem a polícia que merece, num sabe votar. Agora se tu deu pra trás é tu que vai ficar mal comigo e com os seus colegas. A escolha é tua”.

“Se uma dúzia de policiais sem nenhum aparato especial, sem a superestrutura do Estado junto com eles, toma um morro inteiro, porque a PM, com seus milhares de soldados, não consegue acabar com o tráfico?”.

Sobre o autor

Leonardo Gudel começou sua carreira trabalhando com o premiado diretor de cinema Ruy Guerra. Com ele, foi colaborador no filme “O Veneno da Madrugada”, baseado no romance “La Mala Hora” de Gabriel García Márquez. (2004. prod. Skylight) e escreveu o argumento do filme “O Último Gato”, baseado no Livro “Notícias do Mirandão” de Fernando Molina. (2007. Prod. Posto 9). Foi colaborador nos 21 episódios do seriado “A Lei e o Crime.”, de Marcilio Moraes. Exibido na rede Record, o seriado retratou histórias de uma delegacia e uma favela do Rio de Janeiro. Escreveu o roteiro do documentário “Raul Seixas: O Início, o Fim e o Meio.” (Prod. Denis Feijão e A.F. cinema). Filme dirigido por Walter Carvalho, está em fase de edição e será lançado nos cinemas no início de 2010. Também é o autor do longa-metragem de ficção “A Grande Jogada” (Prod. Stopline). O filme está em fase de pré-produção. Com filmagens marcadas para o 2º semestre de 2010, será dirigido por Leonel Vieira.

Entrevista com o autor

A cidade maravilhosa das Olimpíadas de 2016 está longe de combater o crime? O que o “Sangue Azul” traz a tona?
Se o problema fosse só de segurança pública, ainda assim seria difícil responder. Sendo o crime um problema extremamente complexo, conseguir medir se a cidade maravilhosa está longe ou perto de combatê-lo é simplesmente impossível.
O livro traz a tona uma visão de dentro do estado de guerra emque se encontra o Rio de Janeiro. Se parece ameaçador de longe, através das reportagens dos jornais, acompanhar um personagem que vive a violência diariamente é barra pesada. Principalmente quando não se consegue diferenciar quem é o bandido e quem é o mocinho, como os mais recentes acontecimentos tem mostrado.

Como conheceu “Rubens”, o homem que decidiu relevar para você toda a trajetória na Polícia Militar e mais: o que se escondepor trás das fardas?
Não posso revelar como nos conhecemos, pois comprometeria a segurança do Rubens.
Acho que me arriscaria a dizer que o que se esconde atrás das fardas são pessoas em situação parecidas com ao dos traficantes de drogas. Com isto quero dizer que, frequentemente, são pessoas de origem humilde que, diferente dos bandidos, procuram um emprego honesto, mas que sofrem com uma situação extrema e são obrigados a praticar quase que diariamente violência e morte.

Antes mesmo de ser lançada, sua obra já é apontada como mais reveladora que “Rota 66” e “Elite da tropa”. Com tamanha polêmica, você teme por alguma perseguição?
A grande novidade do livro é a experiência que o leitor pode ter de viver junto com Rubens, acompanhar o policial militar, o seu dia-a-dia. É um cotidiano brutal, indigesto. Acredito que nenhum ser humano se sente bem em viver desse jeito. Por isso acredito que os próprios policiais vão gostar do livro. É evidente que eles querem condições melhores de trabalho. Se o livro mexer de alguma forma com a estrutura da PM, vai beneficiar a todos. Estou torcendo para que esses meus possíveis agressores também pensem dessa forma…

Logo no segundo capítulo a trama começa quente, com perseguição e morte, seguida de suborno e corrupção da PM. Teve alguma parte do livro que você sentiu ainda mais “nojo” do estadoemque se encontra a segurança pública do País?
Quando você escreve ficção, existem personagens que sofrem agressões, outros morrem, outros matam. Mas tudo acontece num mundo distante, no plano da imaginação. Quando você cria uma relação com a pessoa real que viveu tudo isso, é completamente diferente. Conhecer de verdade o meu personagem principal não me fez bem. Eu achava tudo um absurdo. Acho que o que mais me chocou foi ele ter a coragem de me contar que matou uma criança. Mesmo se justificando “ou eu matava ou eu morria”, não tem perdão. Esse é o retrato do estado da segurança pública do país.

O livro pode ser considerado também comoumdesabafo de Rubens? É mais umhomemque se rendeu ao regime do crime?
Com certeza. Desabafando, ele teve a oportunidade de perceber, de enxergar o absurdo em que vivia. Se ele não enxergasse isso acabaria pirado, como a maioria, já que, segundo Rubens, os policiais não têm nenhuma assistência psicológica do Estado. Sobre o “regime do crime”, acho que o livro deixa claro que não existe tal coisa. O cotidiano da profissão é esse mesmo. Ou o cidadão, que passou por todo treinamentomilitar e não sabe fazer outra coisa da vida, se demite e fica desempregado, ou então aceita.

Acreditaemalguma política que possa banir o fim do tráfico e a desigualdade social no País?
Que existe alguma política eu acredito que exista. Só que a atual estrutura do poder público parece que impede qualquer tipo de mudança significativa. Só vemos pequenas melhorias e muitas delas simples paliativos.

Entrevista com Rubens, o policial

Por que decidiu expor a história da sua vida e os esquemas que há por traz da polícia militar do Rio de Janeiro?
Eu não quis somente expor minha vida, mas sim ajudar os amigos doentes e suas famílias, abrir os olhos do povo, que vê o policial como escória do mundo, corrupto, o que não é verdade, pois até o mais corrupto está disposto a dar a sua vida por um inocente, porque ser policial é uma razão de ser. Uma pirâmide de corrupção não se destrói por baixo, expulsando os praças, mas sim por cima, para que seja desfeita com
segurança, sem atingir o pobre inocente.

Você diz no livro que a maioria dos policiais acha que os grandes culpados pela violência e corrupção no Rio de Janeiro são os
“Políticos” e que a responsabilidade então é do eleitor. Isso, de certa forma, não é uma defesa para os policiais que não
trabalham honestamente?
Não, não “achamos” que são os políticos. Temos certeza. S política de não enfrentamento e corrupção que existiu em governos anteriores permitiu que o tráfico, sem combate, investisse parte dos seus lucros em compra de armas sofisticadas para combater a lei e calar os menos favorecidos. O povo teve sua visão reduzida, pois até hoje só lhe foi mostrado o que o governo queria que aparecesse. A polícia foi usada politicamente para distribuir as fatias do bolo e não para o povo, além do fato de que a própria população corrompe aquele que o protege, com 10 reais, por exemplo, para não ter ser veículo apreendido por um documento atrasado. E leva grátis o assunto para o churrasco de domingo: “Dei 10 pratas para o policial e eleme liberou, corrupto, safado!”. O povo também tem que mudar os seus valores.

O regime de corrupção é duro e vem de cima pra baixo como você descreve no seu relato. É umcírculo vicioso, ou entra, ou tá
fora?
Aqueles que entram, o próprio sistema durante os anos vai extirpando. Os praças são expulsos e os coronéis continuam intactos no poder, onde o máximo que acontece é perderem o comando do batalhão por três meses. Como pode um coronel de corregedoria ter mansão avaliada em um milhão e meio de reais? E aqueles que não participam do esquema, se prendendo a parâmetros morais de honestidade, geralmente trabalham internos ou quando saem para rua ficam passeando pela orla marítima, para a classe mais bem sucedida ter uma falsa sensação de segurança.

É muito forte quando você narra a sensação de “alívio” que um sangue azul tem quando mata um bandido. Não há remorso
algum?
Tal sensação de alívio não é por ter tirado a vida de umser humano, mas sim por ter sobrevivido ao combate. O remorso existe e com o tempo começa a corroer o homem por dentro, como um câncer, pois não existe qualquer preocupação com o psicológico do policial por parte dos governos, pelo contrário, para conseguir um encaminhamento para a psiquiatria, o praça quase fica preso até o momento em que surta  dentro de um batalhão, partindo para a agressão até mesmo contra oficiais, partindo para o alcoolismo, para as drogas e até mesmo, em alguns casos, cometendo suicídio.

O que diria paraumjovem que quer se tornar um policial militar?

Para que não o faça, pois ele esquecerá tudo o que de bom um dia existiu dentro dele. Até umdia que ele possa acordar, ou não.

Do que você se arrepende, sente falta e tem medo?
Me arrependo de ter permitido que a minha vida quase se acabasse. Não com a morte do meu corpo, mas com a morte do próprio espírito. Sinto falta de quando eu era criança, pois quando víamos um policial, queríamos apertar a sua mão. Eram verdadeiros ícones de moral, heroísmo e honra. Medo primeiramente de Deus, depois de perder o que me salvou e abriu os meus olhos, que é aminha família.

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