Paisagem com neblina e buldôzeres ao fundo

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Autor: Eustáquio Gomes
Gênero: Contos
Formato 14 x 21 cm
Páginas: 152
ISBN: 978-85-7509-163-0
Peso: 0.2 kg.
Preço: R$ 24,00

Sinopse:
Paisagem com Neblina, o novo livro de Eustáquio Gomes, é uma espécie de autobiografia ficcional do autor de A Febre Amorosa e O Mapa da Austrália, todos lançados pela Geração Editorial. Dono de um estilo seguro, de sabor clássico, sem deixar de ser moderno, Eustáquio Gomes imprime a vários trechos de Paisagem com Neblina um tom bíblico, em alguns momentos machadiano, marca do escritor. Um livro para leitores sensíveis e de bom gosto. O volume tem primoroso e bonito projeto gráfico de Alan Maia. Na apresentação, o editor e escritor Luiz Fernando Emediato pergunta: Contos? Crônicas? Romance fragmentário?” E observa que o autor prefere “cromos”. Emediato acrescenta: “As quarenta narrativas deste livro encantador lembram pequenos desenhos coloridos ou estampas de calendário ou mesmo fotogramas de um filme que, embora avance até a juventude e a maturidade do narrador, tem na infância o seu centro narrativo.

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Geração lança “Paisagem com Neblina”, de Eustáquio Gomes
No 13.º livro, o autor de A Febre Amorosa consegue a façanha de se superar

A Geração Editorial publica o novo livro de Eustáquio Gomes, Paisagem com Neblina e Buldôzeres ao Fundo, em que o autor de A Febre Amorosa consegue uma grande façanha – a de se superar no estilo e na estrutura narrativa. Modesto, avesso aos holofotes, o escritor mineiro constrói sua obra, sem pressa e em silêncio, em Campinas, onde mora há mais de 30 anos. Paisagem com Neblina, espécie de autobiografia ficcional, é o terceiro livro de Eustáquio Gomes publicado pela Geração, que já lançou A Febre Amorosa(romance traduzido para o russo em 2005) eO Mapa da Austrália. O volume tem primoroso e bonito projeto gráfico de Alan Maia.

Se fosse vaidoso, o escritor poderia usar como epígrafe, não uma frase de Schopenhauer, mas alguns versos de seu primeiro livro, o único de poesia que publicou até agora, Cavalo Inundado, como estes do “Preâmbulo”: “Seremos simples como o ouro/ em sua substância e em seu silêncio”. Ou, talvez, outros, de “A volta ao ventre”:  “O que eu quero é estar na sala/ dos louros milharais de meu pai/ debaixo do sol, às três da tarde,/ ó citadina”. Ou ainda de “Álbum”: “Penduro-me em sangrado satélite./ Os tons do dia esfaqueando bandeiras./ Vai e arranca o teu quinhão de sonho/ Amar é lá outra invenção”.

Nas orelhas de Paisagem com Neblina, o editor e escritor Luiz Fernando Emediato pergunta: “Contos? Crônicas? Romance fragmentário?” E observa que o autor prefere “cromos”. Emediato acrescenta: “As quarenta narrativas deste livro encantador lembram pequenos desenhos coloridos ou estampas de calendário ou mesmo fotogramas de um filme que, embora avance até a juventude e a maturidade do narrador, tem na infância o seu centro narrativo.”

O editor observa ainda que é possível encontrar no novo livro de Eustáquio Gomes os contornos de uma novela em fragmentos. “Há aqui todos os caracteres de uma história que, valendo-se de elementos da imaginação biográfica, compõe o enredo de uma experiência que, com extrema economia de meios, busca uma linguagem próxima do romance de formação.” Para Emediato, a linguagem é a principal personagem desse livro, “o que não impede – muito ao contrário – que os episódios comovam ou façam rir, despertem melancolia ou exultação e despertem no leitor a paixão da vida, da leitura e, em alguns casos, até mesmo da escrita”.

Dono de um estilo seguro, de sabor clássico, sem deixar de ser moderno, Eustáquio Gomes imprime a vários trechos de Paisagem com Neblina um tom bíblico, em alguns momentos machadiano, marca do escritor desde A Febre Amorosa. Seu novo livro é sobretudo um trabalho de criador pleno, seguro, de artista sem pressa, que vai agradar a leitores sensíveis e exigentes.

O livro é dividido em quatro partes. A primeira, “Paisagem com Neblina”, traz as memórias da infância e primeira juventude do autor, como “Teatrinho de nudez”, “Os paramentos” (conto reescrito de seu segundo livro, A mulher que virou canoa, de 1978), e alguns com lembranças do tempo de seminário no interior de Minas: “Balaústre de alabastro” (sobre a busca de palavras novas e bonitas), o saboroso e cinematográfico “Fuga” (jovens seminaristas – “uma praia carregada de pingüins” – tentados durante uma procissão por adolescentes, “duas gazelas de ombros nus”, um sonho proibido) e “Comunista” (outro texto delicioso e bem-humorado).

Além o doloroso e singelo “Paisagem com neblina”, em que o narrador relembra momentos sublimes da infância: o dia em que o pai o levou ao colégio dos padres – para se proteger da chuva, os dois entraram numa tubulação à margem da estrada enquanto esperavam o ônibus, e, na “cálida a atmosfera no interior do tubulão”, o filho ganhou uma moeda (“pra dar sorte”). É quase sempre assim, com momentos singelos e tocantes, que Eustáquio Gomes escreve seu livro. Também jornalista, certa vez o escritor confessou: “Nunca fui um grande repórter, talvez nem mesmo um bom repórter; era dado a divagações e contemplações, esquecia o principal e preferia os temas leves”.

Na segunda parte, “Outros Cromos”, o autor já adulto relembra passagens do início da carreira como jornalista e escritor e os primeiros anos de casamento e de paternidade (nas palavras do autor: “é a vida que segue, dispersa, febril, desconexa”). Ali estão, por exemplo, “A leveza do chumbo” (sobre seu livro de poemasCavalo Inundado, o de estréia, “o livro mais pesado do mundo”, composto em linotipo em 1975); “O livro” (como, aos 24 anos, escreveu os contos de A Mulher que virou Canoa em apenas duas semanas); “O general” (texto trágico e divertido); o precioso “Cartas a minha filha” (então recém-nascida) e o comovente e quase metafísico “A mãe”.

Na penúltima parte na penúltima, “Fragmentos de um Romance de Juventude”, o escritor diz com modéstia tratar-se de “capítulos de um livro falhado”. Parece ser a porção do volume em que existe mais ficção, mas também traz passagens da vida do escritor, harmonizando-se com restante do livro. Nico, o narrador alter ego do autor, mergulha “depressa e fundo na ‘quente e misteriosa corrente da vida’”, e relembra momentos curiosos e às vezes sublimes que viveu. Na última parte, “A viagem de volta”, o escritor, como diz na apresentação, “retorna ao ponto inicial simulando para o conjunto a configuração de uma lemniscata, ou melhor, do cão que persegue o próprio rabo”. Ali o autor depara-se com a destruição de paisagens da infância por buldôzeres, tratores de esteira com lâmina frontal de aço. É uma pequena novela, de onze páginas, de um grande estilista, um escritor no domínio pleno de seu ofício.

Mineiro de Campo Alegre, Eustáquio Gomes (1952) é formado em jornalismo pela Universidade Católica de Campinas e mestre em letras pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Hoje coordena a área de imprensa da Unicamp. Um de 13 livros publicados, o romance A Febre Amorosa (reeditado pela Geração) foi elogiado por Wilson Martins, Malcolm Silverman, Fausto Cunha, Uilcon Pereira e Fábio Lucas, e considerado “um pequeno clássico do underground” por Luiz Fernando Emediato. Em 1996, foi adaptado para o palco. Outros livros de Eustáquio Gomes:Hemingway: Sete Encontros com o Leão (1984), Jonas Blau(romance, 1986), Ensaios Mínimos (1988), Viagem ao Centro do Dia(diário, 2007) e O Mapa da Austrália (romance, 1998).

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