O pícaro russo

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Autor: Gary Shteyngart
Gênero: Romance
Formato 16×23 cm
Páginas: 456
ISBN: 85-7509-134-4
Peso: 0.8 kg.
Preço: R$ 54,00

Sinopse:
Este livro de Gary Shteyngart, um novo escritor russo radicado em Nova York, conta a fantástica e hilariante história do anti-herói Vladimir Girshkin, um jovem imigrante judeu russo que vive nos Estados Unidos depois da queda do comunismo soviético. Na trilha dos romances picarescos clássicos, na tradição de Dostoievski e Gogol, e, mais recentemente, de Henry Miller e Philip Roth, pela abordagem do sexo, Stheyngart relata as aventuras e desventuras de seu personagem e sua luta para recuperar suas identidade e vencer no amor e na vida – seja nos Estados Unidos, onde luta contra ao preconceito, seja no Leste Europeu, onde enfrenta a máfia russa. Sátira, risos, provocação, erotismo, melancolia, comédia e tragédia: tudo é superlativo na brilhante estréia deste novo autor.

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Comédia e tragédia de um judeu russo na América

Escritor russo radicado na América cria em seu primeiro livro personagem picaresco que surpreende pelo humor negro e pela incessante busca do sucesso.

A partir de sua própria biografia, o escritor russo radicado em Nova York Gary Shteyngart conta em seu primeiro romance a história de um jovem judeu russo pós-soviético às voltas com o novo ambiente, os Estados Unidos, como possibilidade que até poucos anos atrás era mais do que utópica. No entanto, o personagem encontra um cenário onde tudo já foi ocupado e está cada vez mais difícil descobrir um bom lugar na América. É portador da carga do desmantelamento soviético e da substituição do poder totalitário dos comunistas pelo poder também totalitário da máfia. Como ele irá se comportar no universo da democracia norte-americana, que só pode ser levada a sério como a chance de se dar bem a qualquer custo? Foram-se os projetos construtores modernistas de direita e esquerda. A ordem é tirar as próprias vantagens.

Os caminhos buscados pelo pequeno herói às avessas, no entanto, fazem com que o livro salte além das questões de fundo sociológico e o inscrevem no panorama amplo e profundo da literatura que tem raízes no Lazarillo de Tormes, o guia de cego peninsular às voltas com todas as dificuldades imagináveis que o mundo cria para a sobrevivência dele. A saída picaresca prova-se mais uma vez eficaz contra as mitificações moralistas. O humor é a arma de resistência. O humor e a imaginação desvairada, que leva o romancista a romper, felizmente, os limites do realismo. Não podemos mais contar com a nobreza do herói, resta-nos a caricatura desse herói, com o qual tem em comum pouco mais do que o fato de ocupar o papel central numa narrativa.

Em vez do romance de formação, em que alguém passa por várias etapas até atingir a maioridade espiritual, podemos falar sem receio em romance de deformação. Os resquícios filosóficos, religiosos e morais que o mantinham em pé só vão funcionar como pretexto cínico para as jogadas de quem se encontra fora e pretende, quando muito, permanecer no limiar. Sua guerra, de antemão, está perdida. Só não sabemos como ele vai perder essa guerra. Vendo-se perdido, abaixo do fundo do poço, não perde tempo em medir conseqüências nem o tamanho do adversário, ou dos adversários. No seu delírio, pretende transformá-los em ferramentas dos seus próprios desígnios. E é assim que o protagonista entra mais no terreno do humor do que do patético – o que é ótimo para o romance e, claro, para o leitor.

Um golpe de quinta categoria tem conseqüências fantásticas ao colocar em movimento todas as forças contra ele. As forças do sistema e as forças da marginalidade internacional. Ambas – denunciando um acordo obscuro de duplos que só podem existir um em função do outro – ameaçam tornar a sua existência insustentável. Diante disso, não há o que pensar: qualquer risco vale a pena para garantir algum resultado irrisório. Isto é, se houver pelo menos alguma migalha sob o sapato de alguém, não importa de que lado esteja. Muito mais do que literatura de imigração, este é um romance do nomadismo contemporâneo.

O autor leva para a língua inglesa a tradição cultural russa de Dostoievski e, bem mais, de Gogol. A isso se acrescenta também a tradição do humor judaico de Mêndele Mocher Sefarim e Sholem Aleichem, que vai se instaurar no teatro, no cinema, na televisão e na ficção da América. Basta lembrarmos Groucho Marx e, na literatura, Roth e Joseph Heller – inexplicavelmente menos lembrado do que outros nomes. Com eles, Shteyngart tem em comum a temática da instabilidade e a estratégia da cara-de-pau.

Este livro é, portanto, mais do que um novo romance americano. Faz, claro, a crônica de uma faixa nova-iorquina, mas ao mesmo tempo estabelece sintonia com o que se passa no globo. Não edifica: diverge e diverte.

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