nov 10, 2014
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O fenômeno Black Bloc, direto das ruas

Por Humberto Trezzi

Num país em que 50 mil homicídios por ano não provocam sobressaltos, todo mundo parou para observar, boquiaberto, a violência Black Bloc. Por quê? Será porque uma violência é invisível, afastada, e a outra é ostensiva, exposta, teatral? Foi para solucionar essa equação que três paulistas, a cientista social Esther Solano e os jornalistas Bruno Paes Manso e Willian Novaes, decidiram se lançar às ruas em meio ao turbilhão dos protestos que sacudiram o Brasil em 2013 e 2014. O resultado desse trabalho está no recém-lançado Mascarados – A Verdadeira História dos Adeptos da Tática Black Bloc (Geração Editorial, 336 páginas, R$ 34,90).

Os três acompanharam de perto as manifestações dos mascarados na Pauliceia e realizaram mais de uma centena de entrevistas. O objetivo era entender o fenômeno social – e nada melhor, para isso, que ir a todas as manifestações. Esther fez isso, uma a uma, das pequenas às grandes. Bruno, repórter de O Estado de São Paulo, foi testemunha e narrador dos grandes protestos. Willian, criado na periferia, falou com os jovens de igual para igual e conseguiu perfilar a gênese dessa nova forma de anarquismo, engajada, direta.

Os autores descobriram que os Black Bloc incorporavam dois papéis: “Antes da máscara, o sujeito, o jovem. Depois dela, o conceito, o ódio. Repulsa contra tudo (…). Não contra um partido determinado ou uma figura política, mas contra uma ordem de coisas, um contexto, uma realidade”. – Fazemos teatro, sim. Para chamar atenção sobre o que está errado no sistema – admite um dos mascarados.

Esther enfrentou críticas de amigos, ao começar as entrevistas que resultariam em trabalho acadêmico. Também recebeu advertências dos Black Bloc sobre o perigo de conversar com a polícia. A obra é equilibrada, mas não poupa críticas. Esther chega a questionar as contradições dos mascarados em casos de quebra-quebra e agressão a policiais. A resposta de um dos mais experientes mascarados: – Os moleques que fazem isso não têm a mínima noção do que significa ser Black Bloc. São pseudomanifestantes, vão pela adrenalina e estragam tudo. E tem policial falando também. E jornalista, idem. É leitura que vale. É o mais completo painel sobre o fenômeno que mudou a cara do Brasil, pelo menos por um ano.

Fonte: Zero Hora

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