Burocrata e o presidente, O

O Burocrata e o Presidente – Crônicas do Governo Lula
Autor: Afonso Oliveira de Almeida
Categoria: Crônicas de humor
Formato 15,5×22,5 cm
Páginas: 176
Peso: 300gr.
ISBN: 9788561501594
R$ 29,90
Editora: Geração

Sinopse:

Elogiado por Luis Fernando Veríssimo, este livro mostra, pela pena afiada de um burocrata escritor, como as coisas funcionam em Brasília, com seus absurdos kafkianos. Afonso de Oliveira Almeida conhece as figuras, conhece as histórias, conhece os labirintos burocráticos e as  compensações de Brasília. E acima de tudo conhece o  governo, do qual faz  parte e acompanha com um olhar às vezes afetuoso e às vezes crítico, mas sempre atento para o insólito e o engraçado. Afonso conviveu com Lula, Dilma, ministros, secretários, técnicos… e continua convivendo, pois continua no governo.

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O discreto charme da burocracia

Especialista em Políticas Públicas e titular de cargos de várias naturezas no governo Lula lança livro queretrata o surreal, o cômico do cotidiano do governo em Brasília

Em um estilo sucinto e elegante, Afonso Oliveira de Almeida nos deleita e diverte com seu O Burocrata e o Presidente – Crônicas do Governo Lula, composto de 50 narrativas curtas e ágeis (42 com título), que lançam um olhar bem-humorado e sagaz sobre o Brasil, sobre suas instituições e sobre algumas bizarrices no funcionamento do governo federal.
Todo brasileiro se pergunta: o que se passa em Brasília? Pois com a experiência adquirida ao longo de sua atividade no governo Lula, o autor sabe melhor que ninguém a resposta para essa pergunta, visto que conhece as figuras, as histórias, os absurdos e as contradições da capital federal, as quais retrata fielmente nas suas crônicas, com um olhar às vezes afetuoso e às vezes crítico, mas sempre atento para o insólito e o cômico.
Gênero de difícil conceituação, a crônica pode configurar-se como uma mescla de prosa e poesia, ficção e jornalismo, ou como cada um desses subtipos. Pois o autor domina tal gênero com uma maestria que faz lembrar a de outros grandes cronistas, de Ricardo Ramos a Luís Fernando Veríssimo.
Nem os grandes vultos da história são poupados da sua irreverência, pois, segundo o autor, “o enigma finalmente decifrado dos grandes homens é que não são grandes homens”.

Dom Pedro bradou “Independência ou Morte” e até hoje ninguém respondeu.
De Gaulle contou que este não é um país sério, mas a gente levou na brincadeira.
Getúlio Vargas saiu da vida para entrar na história, mas a recepção foi fria.

Na crônica “Bala de Prata”, o autor nos encanta com uma descrição do Brasil que surpreende tanto pela beleza da prosa quanto pela agudeza
da análise:

Ao sul da linha do Equador, a oeste da África, curtido pelo sal abundante do Atlântico, a leste da América do Sul espanhola, eis o Brasil, paraíso selvagem infantil, gigante faminto adolescente, eterno passado velho presente, cada vez mais presente, com a cara lambida e a afoiteza dos penetras, aos grandes eventos do mundo.

O livro ainda nos presenteia com passagens de notável sutileza, como Dilma Rousseff pedindo emprestada a faixa presidencial a Lula e prometendo
devolvê-la logo, na crônica “Ritmo de Passagem”.

Combate as falsas dicotomias:

Se a molecada se arriscar a dar um chutão nela, vira custeio.

Onera a cerimônia:

Depois, assuntaram que o Lula substituía as gravatas vermelhas por uma preta e branca após as vitórias do Corinthians; e as gravatas alvinegras
se acabaram junto com as vitórias do Corinthians.

Envenena o clássico burocrata versus político:

É golpe baixo apelar para estoicismos de última hora e jogar na cara dos políticos que a democracia custa e que queremos discutir a relação apenas para efeito de reembolso.

As crônicas deste livro conseguem extrair da matéria cotidiana os substratos mais elevados, capazes de levar à reflexão sobre temas profundos ou, em sentido diverso, resgatar os elementos singelos contidos nos temas ditos “sublimes”.
Afonso Oliveira de Almeida é um escritor talentoso e refinado, que demonstra uma técnica apurada, um conhecimento formal profundo dos recursos literários, e uma narrativa de leveza frequentemente poética. O burocrata e o presidente reúne a síntese de qualidades necessárias para
consolidar um grande nome das letras brasileiras.

Sobre o autor

Formado em Letras (apenas o suficiente para não chamar a atenção do revisor, segundo ele), Afonso Oliveira de Almeida é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira vinculada ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Participou da transição entre os governos FHC e Lula e das mais diversas câmaras temáticas do governo, seja de política econômica, social ou de infraestrutura. Contribuiu na formulação e na implementação do Projeto Piloto de Investimentos – PPI e do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, construídos em novos modelos orçamentários e financeiros, de coordenação interssetorial e de gestão.
Foi assessor da Junta Orçamentária do governo, secretário-executivo adjunto e Secretário de Planejamento e Investimentos do MP, e militante dos movimentos estudantil e sindical.

Entrevista com o autor

Em O burocrata e o presidente, o presidente é Lula, mas e o burocrata, o Avelar? Quem é ele? Ele existe também, como o Lula, ou é um personagem fictício, ou ainda um símbolo da burocracia federal?
O presidente é o Lula, mas nem sempre o Lula é o presidente. É um personagem na fronteira de suas situações críveis como autoridade e como símbolo. O que se imagina ser o Lula dentro ou fora do país aparece nas crônicas com o matiz do escritor. Já o Avelar é um personagem  completamente ficcional, certo e errado, certo e torto, um macunaíma, um arrivista ou um bom burocrata. Não é Tia Zulmira ou o Analista de Bagé, é diferente em cada situação. O Avelar representa bem o papel de tecnocrata de país subdesenvolvido, construindo modelos para nos subdesenvolvermos cada vez mais, ou não, buscando o melhor. Não é um personagem linear, logo, não é símbolo ou síntese da burocracia federal.

Por que o senhor escolheu o gênero da crônica ficcional para retratar a realidade política  de Brasília?
Não há realidade política. A ficção ganha horizontes de realidade aos olhos do leitor. Cada crônica terá sua paisagem, realidade para uns, para outros não. É possível se ler Borges e dizer “É isso!” ou colocar uma placa em Macondo, “Moro aqui!”. O leitor faz o que quer com a obra e explora seu próprio livro. Uns verão denúncia, outros idolatria ou crítica. Escolhi a crônica porque, creio, domino bem suas técnicas e há uma riqueza material (ou imaterial, desculpe a insistência) nos textos que se oferece de graça para o gênero. Como crônica é tudo aquilo que chamamos de crônica, o leitor verá, foi uma boa escolha.

A sua prosa exibe uma notável elegância estilística; quais são as suas filiações literárias, ou autores que mais influenciaram o seu modo de escrever?
Procurei impor um estilo que pareceu apropriado a cada situação. Uma passagem na Amazônica, achei bacana me aproximar do lirismo do Rubem Braga; há textos limpos como os de Fernando Sabino ou Paulo Mendes Campos; ironias saborosas como as de Luis Fernando Veríssimo. Sempre como exigência dos assuntos. Como eu disse, cada leitor vai encontrar influência de A ou B, Cecília, Drummond, Novaes e outros. Cada texto, eu me perguntava: fulano assinaria isso? Se sim, foi pro livro; se não, pro lixo. Se é um jeito de responder, perguntei mais ao Veríssimo. Em um esforço mais cuidadoso do leitor, vejam que não é minha obrigação, ele encontrará sintaxe ao longo dos textos das mais variadas escolas literárias. Há coisas próximas ao simbolismo, ao modernismo e a vários ismos, mas olhando para trás, não foram provocadas. No caso da crônica, o importante não é ser justo com as escolas, mas com as palavras. As figuras de linguagem ou pensamento devem ser apropriadas a cada texto. As aliterações, as metáforas, as ironias, as alegorias, são de quem? Do leitor, exclusivamente.

O senhor consideraria as suas histórias neste livro como caricaturas, ou talvez paródias, de acontecimentos reais que o senhor presenciou em Brasília ao longo de suas atividades ligadas ao governo federal?
Voltemos ao cronista: como começa uma crônica? De uma piscadela, um escorregão em casca de banana, um episódio interessante que serve a tantas tintas; ou uma vivência, uma reflexão. Quando envolve o Lula, eu diria que foi no campo na piscadela; o Avelar, no campo da vivência, da reflexão. Se o leitor me ajudar, crônicas inteiras, não todas, foram e serão alegorias, no sentido de uma metáfora contínua.

O senhor tem algum outro projeto literário em andamento?
Sim, mas não vou sacrificar a editora. Veremos como responde o leitor ao escritor, ao burocrata e ao presidente.

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