Minhas lembranças de Leminski

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Minhas lembranças de Leminski
Autor:
Domingos Pellegrini
Gênero:
Biografia
Acabamento:
Brochura
Edição:

Formato:
15,6×23 cm
Páginas: 200
Peso:
314g
ISBN: 9788581302201
Selo: Geração
Preço: R$ 38,00

E-book
eISBN:
9788581302218
Preço: R$ 19,90

Sinopse

Pé vermelho (Domingos Pellegrini) entra em contato com a obra de Polaco (Paulo Leminski), no ano de 1964, ao ler um artigo deste na revista Invenções. Alguns anos depois eles se conhecem, iniciando uma amizade que dura duas décadas.

Vinte e cinco anos depois, tendo Leminski já falecido, Pé Vermelho recebe a proposta de uma editora para escrever sua biografia. Como já havia uma lançada, O Bandido que sabia latim, de Toninho Vaz, ele fica em dúvida sobre como deve fazer, e se deve fazer. Pede um tempo pra pensar. Tem, então, um sonho onde está preparando sopa num caldeirão, com Leminski, este a adicionar páprica, ‘tempero fino’, à sopa comum. Ele interpreta com humor: deve escrever algo incomum, não uma biografia convencional, mas algo além, algo escrito pelos dois, sobre as faces poliédricas de Leminski, que tanto escreveu sobre pedras…

Leia o primeiro capítulo

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Leminski: M.de memória

Domingos Pellegrini reúne diálogos e memórias de seu amigo meio hippie, meio beat, em biografia não autorizada lançada pela Geração Editorial

“Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5o, incisos IV, V, X, XIII e XIV” (art. 220, § 1o).

A Geração Editorial não é uma editora anarquista. Simplesmente segue a Constituição Federal de 1988 e por isso publica com prazer Minhas memórias de Leminski (200 páginas / R$ 34,90), de autoria de Domingos Pellegrini. Com isso, desafiamos o grupo Procure Saber ao publicar uma biografia não autorizada que conta a história de quase duas décadas de amizade entre os dois escritores.

Há exatos vinte e cinco anos de sua morte, Leminski continua mais vivo do que nunca. Brotam histórias a seu respeito, antologias, entrevistas, citações. Porém, graças ao conflito entre herdeiros e biógrafos, a história desse mestre astuto, lapidador de palavras tem sido censurada há algum tempo.

A única biografia publicada sobre Leminski teve sua reimpressão barrada por familiares, já que a quarta edição do livro incluiria trecho sobre o suicídio do irmão do poeta. Familiares não aprovaram, a editora recuou e a edição segue esgotada no mercado.

Convite a escrever

Eis então que em 2013, Domingos Pellegrini recebe a proposta de uma editora para escrever a biografia de Polaco, sob supervisão das herdeiras: a viúva de Leminski e suas filhas. Empolgado, ele começa a produção e vai enviando os capítulos para apreciação. No entanto, não obtém resposta, é simplesmente ignorado. Depois ele entende o porquê: censura. “Comecei convidado para escrever um livro, me saiu outro, com a certeza de que biografias oficiais só podem ser servientes, em vez de revelar o ser”, afirma Pellegrini.

Leminski censurado. Mas o que havia de errado nas memórias que escreveu sobre seu amigo? Afinal, coerente com seu propósito desde o início, ele só tinha retratado a verdade. As verdades. Que Leminski levava uma vida sem luxo, numa casa quase sem móveis, onde havia pouca comida; que o poeta tinha o hábito de dormir em qualquer lugar quando o sono batia, não ligava para responsabilidades de trabalho e não gostava de tomar banho; e que era viciado em álcool, chegando a beber duas garrafas de destilado por dia, além de cerveja, o que o levaria à morte precocemente, aos quarenta e quatro anos.

Porém, excetuando-se a menção a seus vícios, o que é natural numa biografia, Pellegrini apresenta um Leminski amigo, poeta libertário assombrosamente inteligente, com quem se encontrava com frequência em Curitiba, São Paulo e Florianópolis durante as décadas de 1960 e 1970. “Não é uma biografia, é uma trança de lembranças e adjacências, trançada já desde os pontos de vista dos narradores: ele, o Polaco, falando na primeira pessoa, e eu como outro ‘ele’, o Pé Vermelho juntando cacos para formar uma história fora do óbvio, como ele gostaria, um polka de retalhos costurados por um conivivente”, afirma Pellegrini.

Pellegrini transcreve a biografia do amigo com paixão, por meio de suas lembranças mais marcantes: suas visitas frequentes à casa de Polaco, as discussões acaloradas sobre arte, política, e tudo quanto fosse assunto de interesse a dois curiosos por natureza. E depois, o período nebuloso em que acompanha a decadência de Polaco, cada vez mais debilitado pela bebida, até sua morte.

“É difícil saber quanto do livro escrevi e quanto foi ditado por Leminski. É um diálogo ou um jogo de estilos de escrita e de vida”, explica Pellegrini. É um livro denso, intenso, surpreendente do começo ao fim. Pellegrini estava completamente certo ao brigar pelo direito de publicá-lo sem censura.

Após a polêmica sobre a obra, que acendeu discussões nos jornais e na televisão, o livro chega agora ao leitor pela Geração Editorial, inteiro como deve ser. E sem cortes.


Sobre o autor:
Domingos Pellegrini, nasceu em Londrina, Paraná, em 1949, formou-se em Letras. Autor de mais de 30 obras, vencedor de seis prêmios Jabuti, já teve contos publicados em antologias de diversos países. Também é jornalista e publicitário.

Entrevista com o autor

1) A obra e vida de Leminski impactaram na sua vida de escritor? De que maneira?

Apesar da amizade com muita densidade cultural, tivemos trajetórias e preferências artísticas bastante distintas, embora conviventes, conforme nosso espírito democrático e ecumênico. O que nos unia era o interesse comum por arte da guerra, antropologia, política enquanto movimento de massas e não só de elites, além de outros assuntos com que conversávamos horas em nossos tantos encontros. Ele reverenciava autores de vanguarda por quem eu não sentia interesse, embora tivesse lido e respeitasse. O entusiasmo dele pelo Concretismo, por exemplo, não era compartilhado por mim, embora eu reconheça muitos benefícios do Concretismo para a poesia brasileira, e o maior exemplo disso é o próprio Leminski, que captou recursos concretistas — e de muitas outras vanguardas — misturando com formas tradicionais no seu caldeirão de sincretismo artístico. Por exemplo, boa parte de sua poesia é formada por quadras, embora não convencionais, inventivas, recriações da quadra convencional. Nossa adoção do haicai, uma forma poética tradicional, foi também sempre adaptando o haicai à linguagem e à visão de mundo de cada um.

2) Como surgiu o convite da família para escrever a biografia? Como e quando ela deixou de ser uma biografia autorizada?

Em junho de 2013, o editor Samuel Ramos Lago me convidou, a pedido das herdeiras de Leminski, para escrever uma biografia dele. Aceitei, honrado, mas lendo a biografia já existente, O Bandido Que Sabia Latim, de Toninho Vaz, vi que é consistente, bem pesquisada e, se fosse só para contar a vida de Leminski, seria apenas uma duplicação, além de que eu teria de “chupar” informações desse livro, o que não considero ético. No entanto, me entusiasmei com a ideia de uma biografia “não convencional”, como me sugeriu Leminski num sonho. Enviei os primeiros capítulos para as herdeiras, por intermédio do editor, e não obtive resposta. Escrevi o livro em três meses, apaixonadamente, já como livro de memórias minhas, focando nas facetas de Leminski, misturando sua vida com noções de teoria da literatura, genética, clínica médica etc. Enviei todo o texto às herdeiras, novamente por meio do editor. Passado um mês sem resposta, apesar de insistentes cobranças, comuniquei a Alice Ruiz que, se ela não respondesse, eu colocaria o livro na internet. Então ela logo respondeu, fazendo objeções que considerei descabidas, daí coloquei na internet. Enviei também à Geração, que aceitou desafiar a legislação que está agonizando de caduca, e fico feliz de ver que esse livro pode se tornar o marco de um novo tempo para as biografias na civilização brasileira.
Ressalto que sou favorável à chamada Emenda Caiado, para que biografado ou herdeiros possam requerer alterações na rápida Justiça Especial, em edições posteriores à primeira, que continuará sem embargos. Não creio que será uma censura a posteriori (pois na atual legislação a censura é a priori), pois o pedido de alterações será julgado por juiz, que simplesmente poderá deferi-lo totalmente ou em parte ou também indeferi-lo totalmente. Parece justo, para que quem se sinta prejudicado não tenha de esperar décadas por decisão da Justiça comum. No caso de Minhas Memórias de Leminski, creio que todo juiz verá que é um livro fraterno, digno e criativamente coerente com Leminski. Fiquei com a impressão de que as herdeiras visualizavam uma biografia chapa-branca, totalmente avessa ao espírito libertário de Leminski.

3) Por que decidiu escrever a biografia em forma de diálogo? Como aconteceu?

É difícil saber quanto do livro escrevi e quanto foi ditado por Leminski. É um diálogo ou um jogo de estilos de escrita e de vida. Nem é uma biografia, é uma trança de lembranças e adjacências, trançada já desde os pontos de vista dos narradores: ele, o Polaco, falando na primeira pessoa, e eu narrando na terceira pessoa, como o Pé Vermelho, juntando cacos para formar uma história fora do óbvio, como ele gostaria, um polka de retalhos costurados por um conivivente.

4) Imaginação e memória se fundem ao longo do tempo. Podemos acreditar que você nos contou a verdade ou é tudo verossimilhança?

Os trechos narrados na primeira pessoa (por Leminski, personagem póstumo) são o que se pode chamar de real-ficção, pois são estritamente calcados no conhecimento que tive dele, seu estilo de vida e de escrita e sua visão de mundo. Assim, mesmo o que foi inventado é Leminski verdadeiro. Enfim, comecei convidado para escrever um livro, me saiu outro, com a certeza de que é um livro de memórias e de amor, e também com a certeza de que biografias oficiais só podem ser servientes, em vez de revelar o ser.

5) O que você acha do Procure Saber? É uma tentativa de censura?

O movimento Procure Saber devia se chamar Procuramos Esconder. Já foi amplamente derrotado pela imprensa e pela opinião pública, inclusive por muitos artistas como Ney Matogrosso e Alceu Valença. Seus proponentes não souberam distinguir entre privilégios pessoais e valores civilizatórios.

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