nov 17, 2014
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Jornada da geração que combateu a ditadura militar é retratada no livro de Ayrton Centeno

Alana Rodrigues*

Cinquenta anos após o golpe que derrubou Jango, a jornada exitosa de exilados, presos e torturados que, mais tarde, tornaram-se presidentes, ministros, escritores, artistas e músicos são retratadas no livro “Os Vencedores – A volta por cima da geração esmagada pela ditadura de 1964” (Geração Editorial), escrito pelo jornalista Ayrton Centeno. “É uma grande reportagem, quase uma crônica geracional, onde os vivos contam as próprias histórias e a dos mortos”, define.

vencedores

Dilma Rousseff, Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, Raul Ellwanger, Alfredo Sirkis e Jacob Gorender são alguns dos sobreviventes que compõem a obra num total de 25 entrevistas e pesquisas variadas.
“O objetivo era pegar a juventude dos anos 60 e 70, que insurgiu com outras armas como a literatura, artes plásticas, teatro, música popular e cinema. Reuni principalmente o pessoal da luta armada e da cultura”, explica Centeno.
O primeiro texto é dedicado a Dilma, personagem que deu o ponta pé inicial para os escritos do autor, que pensou, inicialmente, em produzir uma obra apenas sobre ela. A mudança de plano veio com o convite de Luiz Fernando Emediato, dono da Geração Editorial, que propôs o resgate da trajetória dos esmagados pela ditadura que deram a volta por cima e chegaram ao poder. 
A presidente virou uma das figuras da produção. Ao falar sobre a petista, o repórter percorre casos da infância e da família, aborda a influência do pai, que gostava de livros e ópera, e desnuda sua trajetória por organizações clandestinas, a prisão e a tortura.
Na política, experiências como a de Aloysio Nunes Ferreira na Ação Libertadora Nacional (ALN) leva a narrativa para episódios da organização comandada por Marighella. José Genoino e José Dirceu lembram dos períodos de militância e visões atuais. Na cultura, o autor lembra dos festivais como Tropicália, Jovem Guarda e das atividades no cinema, como a história de Lúcia Murat sobre o “Movimento Revolucionário 8 de outubro”.
“Cada uma dessas vidas é extraordinária. São pessoas que têm dons artísticos ou que se doaram para uma luta, vista depois, como algo antecipadamente perdido. Tem muito romantismo entregar-se para essa empreitada”.

Imprensa alternativa
Em meio a um regime em que não se permitia a investigação jornalística e o apoio inicial dos grandes jornais ao golpe, a imprensa alternativa se sobressaiu à época, em especial, após o Ato Institucional Número 5 (AI-5). 
Se a censura serviu para cercear periódicos de grande circulação como Última Hora e Correio da Manhã e os da imprensa alternativa ou nanica, como Opinião, Movimento, Em Tempo, Pasquim, igualmente foi útil a muitos outros para calar aqueles que veiculavam posições contrárias ao regime, mas que encontraram refúgios para se manifestar.“A imprensa alternativa continua merecendo ser estudada, pois percebemos a posição de respiradouro da sociedade civil nesse período dos anos 70, principalmente no período Médici e Geisel”, pondera o autor, que, à época, trabalhou no Coojornal, editado pela Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre (RS).


Passado e presente
 
Além de investir numa grande reportagem, Ayrton Centeno também projeta pinceladas biográficas dos personagens. Para ele, a história principal flui com as trajetórias de cada entrevistado. “Não é simplesmente uma série de biografias estanques incluídas no mesmo volume. É uma reportagem pesada, colocada sobre outro suporte”, esclarece.
O jornalista destaca ainda que a história dialoga com o presente. “Há uma conexão com a intolerância que existe hoje. Percebida na exacerbação do conceito racial, de classe, da homofobia. Há uma negação do outro. Algo que a ditadura exacerbou e que os tempos presentes ainda mantêm”, conclui.

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.


Serviço
Amanhã será o lançamento da obra.
Dia 18 de novembro a partir das 19h.
Saraiva Moinhos Shopping – Porto Alegre.
*Rua Olavo Barreto Viana, 36. 

Fonte: Portal Imprensa

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