out 22, 2015
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Escritora brasileira traz Frankenstein a nossos dias para debater bioética

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Há alguns anos que a paulistana Jeanette Rozsas vem desenvolvendo trabalhos em um gênero que chama romance biográfico, no qual se apoia na vida de personalidades – normalmente grandes escritores do passado – para inseri-las em uma história ficcional, mas com personagens e situações fundamentadas por pesquisas históricas. Foi assim em “Edgar Allan Poe: O Mago do Terror” – que resenhei aqui – e “Kafka e a Marca do Corvo”, por exemplo, e também é assim em “As Vidas e as Mortes de Frankenstein”, livro que lança hoje pela Geração Editorial, a partir das 18h30, na Livraria da Vila (Alameda Lorena, 1731).

A obra se divide em três planos narrativos. Mais próximo de nossos dias, sabemos da história de Elizabeth Medeiros, a Liz, principalmente por meio das mensagens digitais que ela troca com sua família. Médica e pesquisadora, Liz consegue uma bolsa na Alemanha para trabalhar com transgenia, o que traz para a contemporaneidade os debates sobre transgressões bioéticas. “Não há barreiras religiosas, nem científicas, nem éticas. Se descobrirem como se faz um ET com cinco cabeças de elefante num tubo de ensaio, tanto melhor”, escreve em um assustado e-mail.

É com esse aspecto profissional da vida de Liz que as outras duas frentes do livros dialogam. Em outro plano temos a britânica Mary Shelley e a história por trás da criação de sua obra-prima: “Frankenstein”, publicada pela primeira vez em 1818 e escrita durante uma excursão promovida pelo já famoso poeta Lord Byron – na mesma viagem surge também outro clássico: “O Vampiro”, de John Polidori.

Na terceira frente do livro, por fim, somos levados ao século 17, quando o jovem Max Muller torna-se pupilo do alquimista Johann Konrad Dippel, que morou no castelo da família Frankenstein – que mais tarde daria nome à obra de Mary – e concentrou suas polêmicas atividades na busca dos segredos por trás da criação e eterna manutenção da vida.

Tudo isso serve para mostrar aos leitores como o conceito de ética e os limites da ciência variam de acordo com a época. “O que era ético há 200 anos deixou de sê-lo com as novas conquistas sociais. Para complicar, a ciência se desenvolveu com uma rapidez incrível, criando novos temas e suscitando dúvidas de até onde se pode avançar. Passou-se a estudar uma nova ciência, a bioética. Existe a Comunidade Científica Internacional que, em princípio, deveria marcar os limites. Mas como saber se os princípios éticos estabelecidos não estão sendo postos de lado pelo cientistas, no afã de criarem o que sempre foi o maior desafio do homem?”, acredita a escritora, referindo-se à busca pela vida eterna.

“As Vidas e as Mortes de Frankenstein” vem a calhar para que esse debate seja fomentado. Da minha parte, devolvo duas perguntas: e quem define quais são os limites éticos? E a quem interessa que esses limites sejam respeitados ou ignorados? A discussão é longa, mas essencial.

Fonte: Uol/Blog página cinco

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