Dolorosa raiz de Micondó, A

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A dolorosa raiz do Micondó
Autora:
Conceição Lima
Gênero:
Poesia
Formato:
13,5 x 21 cm
Págs:
80
ISBN:
9788581300344
Preço: 24,90
Editora:
Geração

Sinopse

Nesta coletânea de 27 poemas da poetisa são-tomense Conceição Lima, o micondó, árvore considerada sagrada em diversas regiões da África, simboliza origem, casa, morada ancestral. A evocação de tais raízes é dolorosa devido a acontecimentos históricos, como a escravidão e a colonização, que imprimiram profundas feridas e rupturas na identidade nacional, e na própria poetisa, cujos antepassados foram trazidos à força para o arquipélago africano e mais tarde enviados para outras terras como escravos. Íntima, pessoal e sofrida, a poesia de Conceição Lima é também dotada de um lirismo e esteticismo sublimes, presenteados aqui pela primeira vez ao público brasileiro. Embora a dor seja uma constante em seus versos, o sentimento que os perpassa é o da sutil esperança de que a mesma memória que resgata os fatos traumáticos ajude a fazer germinar algo novo dos escombros, como o micondó que, com suas profundas raízes e frondosa copa, fez fl orescer o alfabeto poético de Conceição Lima.

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Conceição Lima: A dolorosa raiz do Micondó

A dolorosa raiz do Micondó é a segunda coletânea de poemas (a primeira, O útero da casa, foi lançada em 2004 em Portugal pela editorial Caminho) da jornalista e poeta são-tomense Conceição Lima, que começou sua atividade literária no contexto pós-independência de São Tomé e Príncipe, ocorrida no ano de 1975, em concomitância com a proclamação da Independência de Angola, de Moçambique e de Cabo Verde.
Essa coletânea apresenta, já desde o título, alguns dos elementos centrais à percepção estética e à reflexão crítica da autora, por insinuar a tensão – constante ao longo da obra – entre a busca por uma raiz ancestral e o sentimento doloroso decorrente da perda de uma noção heterogênea de origem. De fato, uma das características marcantes da voz lírica que aqui se apresenta pela primeira vez ao público brasileiro, é a fina tessitura entre o sentimento e a reflexão, instrumentos do fazer poético com os quais a autora lida com muita sensibilidade ao revelar – através de um eu lírico que muitas vezes fala em nome de uma coletividade – a consciência reflexiva de que a diáspora africana e os processos de colonização nos territórios africanos embaralharam os caminhos que permitem a definição de uma identidade linear, genealógica, cultural.
O micondó, ou imbondeiro, é considerada uma árvore sagrada em muitas regiões do continente africano, tendo originado numerosos mitos e assumindo portanto um valor simbólico marcante. Na coletânea, essa árvore se torna personagem que encarna a noção de origem, de casa, de morada ancestral, de fronteira da intimidade, algo que, quando evocado na voz poética em primeira pessoa, remete à infância e a um tempo antes da história, antes da consciência, antes da dor, “quando eu não sabia que era quem sou / quando eu ainda não sabia que já era eu” ,“[quando] o mundo era grande/ eu tinha o mundo, o quintal era meu”.
O micondó assume uma função de limiar temporal, entre o presente e o passado, entre os vivos e os mortos, entre o tempo da inocência e o tempo da destruição. No entanto, a evocação dessa raiz  é dolorosa, conforme aponta o título, em função dos acontecimentos históricos, tais como a escravidão e a colonização, que imprimiram profundas feridas e rupturas na construção da identidade
nacional. Nesse sentido, a coletânea é caracterizada por uma clara interrogação ou releitura (em chave autobiográfica) da história de São Tomé, como vemos nos poemas “Anti-epopeia”, “Zálima Gabon” ou também “São João da Vargem”. Mas o olhar atento de Conceição Lima vai além da fronteira nacional e da perspectiva histórica do seu país, e se universaliza num canto que abraça tanto a procura pela “dolorosa raiz” de outros sujeitos que buscam pelo elo da ancestralidade, como vemos no poema “Canto obscuro à raiz”, que abre a coletânea, quanto à fraternidade para com povos que viveram situações traumáticas e de violência, conforme apontam os poemas “1953”, “Jenin” e “Ignomínia”.
Apesar de a dor ser uma constante na coletânea, quase um corredor de passagem obrigatório em direção a outro cômodo da casa, mais iluminado, o sentimento que perpassa esses versos é o da sutil esperança de que, justamente através da memória que resgata os fatos traumáticos, pessoais e coletivos,  seja possível construir algo novo a partir dos escombros. E ver nascer outros  micondós nos quintais da infância das crianças de hoje e de ontem, assim como suas raízes e seus galhos invadiram com força e desenharam com encantamento o alfabeto poético de Conceição Lima.

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