fev 17, 2015
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Compilação reúne temas como religião, política e romance


‘Cartas da Humanidade’, traduzido por Márcio Borges, traz 141 epístolas desde 6.000 a.C. até 2008

Por Marita Siqueira

Conhecer a história, os hábitos e a evolução da linguagem estão entre as formas mais eficazes de tentar compreender a humanidade. Nesta busca, as cartas mostram-se como elementos fundamentais, seja em caracteres cuneiformes, pergaminhos, papéis diversos ou e-mails, dos mais remotos desertos da antiguidade às povoadas metrópoles contemporâneas. Os homens vêm trocando mensagens ao longo dos milênios e, coube o Márcio Borges, um dos fundadores do movimento musical mineiro Clube da Esquina, compilar e traduzir documentos que demonstram essa evolução no livro ‘Cartas da Humanidade’ (Editora Geração), oferecendo assim uma viagem por 8 mil anos de história.
A obra traz 141 cartas datadas de 6000 a.C. (documento do livro sagrado do Zoroatrismo, escrito por Zaratustra) a 2008 (Carta Aberta ao Povo de Illinois, assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama), passando por documentos de grandes nomes como Albert Einstein, Orson Welles, Marilyn Monroe, Che Guevara, Lênin, Fernando Pessoa, Getúlio Vargas, Jânio Quadros e Juscelino Kubitschek, entre outros. A seleção abarca temas como religião, artes, ciências, romances célebres, declarações de grandes reis, estadistas e presidentes, conflitos, intrigas palacianas, prenúncios de golpes de estado e guerras, frases preconceituosas e curiosidades.
 
Artistas
Entre elas, uma carta do dramaturgo Arthur Miller para sua mulher, a atriz Marilyn Monroe, de 1956, e uma mensagem de Marlon Brando, enviada na pessoa de uma índia e lida na cerimônia do Oscar — premiado por sua atuação em O Poderoso Chefão, em 1973, ele preferiu, com a carta, atacar o genocídio dos indígenas norte-americanos.
 
Na política, destacam-se a última carta de Che Guevara ao líder cubano Fidel Castro, de 1965, na qual o revolucionário se despede do companheiro para continuar a batalha; a resposta do soviético Josef Stalin ao britânico W. Churchill, de 1946, rebatendo as acusações de expansionismo feitas pelo governo inglês e esfriando de vez as relações entre as partes, fato que culminou na Guerra Fria; e a citada carta do presidente norte-americano Barack Obama, na qual fala de esperança e mudança (e que fecha o livro).
 
O começo
O começo da obra, por sua vez, é com um documento importante, extraído de jornais, revistas, livros e internet sobre o bem e o mal sob a ótica de Zaratustra, sábio do Zoroatrismo, uma das primeiras religiões da humanidade, em 6000 a.C. Ainda no tópico religião, há desde os cantos aos deuses misteriosos do antigo Egito, celebrando funerais de faraós e a epístola de São Tiago, única carta atribuída a este apóstolo, no século 1, ao testamento de São Francisco, datado de 1226. Nos provérbios de Ki-en-Gir, da Suméria, 2600 a.C., num dos mais antigos idiomas escritos, os chamados caracteres cuneiformes sumerianos, podem ser encontradas pérolas como: “Os pobres são o silêncio da terra”.
 
Outros capítulos muitos interessantes são: Napoleão Bonaparte escreve a Josefina (1797), Cartas à Amada Imortal, de Ludwig van Beethoven (1812) e Machado de Assis escreve a Quintino Bocaiúva (1888). Célebres da filosofia e da ciência, como Locke, Copérnico, Spinoza e Galileu, também estão presentes na compilação, assim como figuras da arte. Por exemplo: o trágico amor de Oscar Wilde pelo jovem Alfred Douglas, que o levou aos tribunais e o baniu da Inglaterra, é expresso numa carta; assim como a escrita atormentada do grande poeta Fernando Pessoa a seu amigo, também poeta, Mário de Sá-Carneiro, que se suicidou. Há também a carta do escritor negro norte-americano James Baldwin atacando o racismo do país.Textos curtos
Os textos são curtos, cada qual com sua especifidade de espaço/tempo e conteúdo. Trazem reis antigos e suas guerras, disputas, rivalidades e inimizades envolvendo figuras emblemáticas. E o Brasil não ficou de fora.
A publicação apresenta as cartas de José de Anchieta (Carta da Companhia de Jesus, 1534-1597) e Pero Vaz de Caminha, em 1500, e dois documentos: carta testamento de Getúlio Vargas ao povo brasileiro (1954) e a declaração de renúncia do presidente Jânio Quadros à Presidência da República, em 1961. Há ainda uma carta de Juscelino Kubitschek à escritora Vera Brant, de 1973. Uma leitura no mínimo curiosa.

Fonte: Correio Popular 

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