ADHEMAR
A fantástica história de um político populista desbocado, amado e odiado, inspirador do infame lema “rouba, mas faz”, que participou do golpe militar de 1964, foi posto de lado pelos generais e morreu exilado em Paris, depois de marcar sua época e história do Brasil.

DEUSES DO OLIMPO
Explore o universo mágico da Grécia Antiga e conheça as histórias dos personagens mais famosos da mitologia. Um livro para gente pequena e gente grande tambécm! ( + )

OS VENCEDORES
Quem ganhou, perdeu. Quem perdeu, ganhou. Cinquenta anos após o advento da ditadura de 1964, é assim que se resume a ópera daqueles anos de chumbo, sangue e lágrimas. Por ironia, os vitoriosos de ontem habitam os subúrbios da História, enquanto os derrotados de então são os vencedores de agora. ( + )

A VILA QUE DESCOBRIU O BRASIL
Um convite a conhecer mais de quatro séculos de história de Santana de Parnaíba, um município que tem muito mais a mostrar ao país. Dos personagens folclóricos, tapetes de Corpus Christi, das igrejas e mosteiros, da encenação ao ar livre da “Paixão de Cristo”. Permita que Ricardo Viveiros te conduza ao berço da nossa brasilidade. ( + )

O BRASIL PRIVATIZADO
Aloysio Biondi, um dos mais importantes jornalistas de economia que o país já teve, procurou e descobriu as muitas caixas-pretas das privatizações. E, para nosso espanto e horror, abriu uma a uma, escancarando o tamanho do esbulho que a nação sofreu. ( + )

CENTELHA
Em “Centelha”, continuação da série “Em busca de um novo mundo”, Seth vai precisar ter muita coragem não só para escapar da prisão, mas para investigar e descobrir quem é esse novo inimigo que deixa um rastro de sangue por onde passa. A saga nas estrelas continua, com muita ação de tirar o folego! ( + )

MALUCA POR VOCÊ
Famosa na cidade pelos excessos do passado, Lily terá de resistir ao charme de um policial saradão oito anos mais jovem que acaba de chegar na cidade. Prepare-se para mais um romance apimentado e divertidíssimo escrito por Rachel Gibson.. ( + )

NOS IDOS DE MARÇO
A ditadura militar na voz de 18 autores brasileiros em antologia organizada por Luiz Ruffato. Um retrato precioso daqueles dias, que ainda lançam seus raios sombrios sobre os dias atuais. ( + )





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nov 10, 2015
admin

Com doença grave­, pastor escreve diário revelando sua homossexualidade

O título acima se encontra em uma das páginas do romance “polêmico e provocante sobre fé, paixão, sexo e loucura”, o primeiro escrito por Gustavo Magnani.

Gustavo-Magnani-2

 “Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e as fracas para confundir as fortes”  Gustavo Magnani, In: “Ovelha: Memórias de Um Pastor Gay”

Yago Rodrigues Alvim

Lançado em agosto deste ano, o romance “Ovelha” conta a história de um pastor homossexual que, depois de ter descoberto uma doença extremamente grave e ciente que passará a eternidade no inferno, decide tentar ser verdadeiro, ao menos, na morte. O pastor narra toda a sua história desde a infância até os dias derradeiros no hospital, todo o sofrimento, a repressão, o preconceito e, inclusive, o preconceito consigo. “Ovelha” e a primeira obra do escritor paranaense Gustavo Magnani, 21, o idealizador do maior blog literário brasileiro, o Literatortura.

Primeiro, conhecer um pouco mais sobre o autor. Quem é Gustavo Magnani? Como têm sido estes 21 anos de caminhada?
Eu sempre fui uma pessoa muito tranquila, muito diferente do personagem do livro. Sou uma pessoa muito equilibrada. Eu vivi muitas mudanças na minha vida, muitos fatos que me deram uma guinada diferente, por exemplo, aos 13 anos quando descobri o prazer pela leitura. Alguns meses mais tarde, eu entrei para igreja evangélica, onde também vivi uma grande mudança, um grande panorama. E, também na mesma época, eu comecei a namorar uma garota. Nós estamos juntos até hoje, já há quase oito anos. Foram, então, três coisas que mudaram o meu mundo de uma vez; tanto a literatura, quanto a religião e o “amor”, digamos assim. Depois disso, passei três anos lendo muito, escrevendo bastante, eu experimentava a linguagem. Entrei na literatura com a ajuda de um consultor literário, que é como se fosse um professor particular que me ajudava nas questões técnicas, em como construir um personagem, uma cena, este tipo de coisa. Trabalhei em um romance por um bom tempo. Tenho daqueles pequenos momentos em que eu escrevo muito e do bom tempo em que não escrevo nada. Agora, eu estou terminando meu segundo livro, sendo que tinha escrito vinte mil palavras em 2014, passei o ano inteiro sem pegar nele e, de outubro para cá, escrevi 45 mil palavras e estou finalizando ele em questão de um mês. Eu tenho isso e preciso, cada vez mais, me policiar para não parar de escrever –– o meu objetivo a partir de agora.
Com 17 anos, eu tinha esse livro quase pronto e foi quando eu abri o site Literatortura; pois, além de enxergar um nicho na literatura, eu também acreditava que seria bom para mim ter uma base de leitores, um contato com editores e tudo mais; foi uma grande mudança, no entanto, pois o projeto acabou crescendo enormemente e a minha primeira ideia, a de fazer o meu nome, ficou em segundo plano. Foi quando eu abandonei o livro que eu estava escrevendo, pois ele era muito mediano, medíocre –– no sentido da palavra –– pois, eu acreditava que podia fazer algo melhor e, assim, eu comecei o “Ovelha” e tudo mudou.

Voltando um pouquinho a você. Nasceu em Guaíra, no Paraná?
Isso, eu nasci em Guaíra, onde vivi toda minha vida. Eu só passei oito meses em Curitiba, na Universidade Federal do Paraná, e logo depois voltei. Eu não cheguei a me formar; cursei Letras apenas um semestre na Federal e foi na mesma época que o site viveu um boom de audiência; eu tinha, então, o site, a literatura, morava sozinho, o que me tomava tempo com compras de mercado e tudo o mais, e eu não estava me dedicando nem ao site, nem a faculdade direito e, por isso, eu optei pelo o que eu mais amava, que era a literatura.

Quanto ao Literatortura, como foi cria-lo? De onde surgiu a ideia e conte um pouco mais sobre o boom que ele viveu?
O Literatortura nasceu no dia 4 de dezembro de 2011, quando a internet era muito diferente do que é hoje, 2015, no Brasil. Naquela época, existiam nichos e nichos em que ninguém falava nada e eram vazios; portanto, não existiam sites sobre o assunto. Existiam apenas alguns sites de resenha, um ou outro de mercado editorial e outros de crônicas, contos, mas nenhum que falasse especificamente de literatura, que fosse sobre notícias literárias ou de matérias que misturassem clássicos com o cotidiano, que falasse de livros de uma forma um pouco diferente; no Literatortura também abordamos literatura contemporânea. Foi quando eu pensei “Pô, eu posso fazer algo do tipo” e comecei, no Twitter, já que eu me perguntava “Quem é que vai ler o meu site?”. Mostraria para os meus amigos e, em Guaíra, onde eu morava/moro, pouquíssimas pessoas gostam de ler; se eu dependesse do público leitor, teria cinco acessos por dia. Foi assim que comecei o Twitter e, do zero, sem sequer um seguidor, segui alguns perfis de literatura, comecei a twittar , fazer algumas piadas com clássicos, e algumas pessoas começaram a me retwittar; assim, ganhei seguidores e quando cheguei aos 500, eu abri o blog. Depois de um mês de vida, eu publiquei um artigo –– que nem era sobre literatura; algo que o Literatortura faz muito; publica sobre sociedade, arte em geral ––, com uma capa da Época, que dizia da música “Ai, se eu te pego”, do Michel Teló, se ela traduzia a cultura popular brasileira para todas as classes sociais –– algo assim, pois eu não me lembro ao certo. Eu fiz uma crítica a essa capa e o site explodiu; foram 600 mil acessos em dois dias. Eu tive um pouco de sorte, pois até achei que seria um “grande” site, mas que demoraria um bom tempo para chegar aonde chegou. Foi muito rápido.

Você também é consultor literário e até comentou que teve, por um tempo, o auxílio desse profissional. Como é o seu trabalho?
O trabalho de consultoria, para fazer um paralelo, é como se fosse um professor particular do assunto, pois ele cuida especificamente do que você precisa aprender com uma base muito universal, por exemplo, das diferentes estruturas que existem para se compor um romance ou como construir uma cena, uma sequela, ou ainda como construir uma personagem, a escrita de diálogo. Portanto, a consultoria é basicamente este tipo de trabalho de acompanhamento. Há outros paralelos interessantes, por exemplo, um tipo de leitor crítico que, ao invés de ler todo o trabalho no final, ele lê enquanto o escritor o está produzindo. Ele lê junto do escritor para auxiliá-lo em vários aspectos. Ele opina na leitura crítica da obra e, inclusive, na criação, na concepção dela, dos personagens, de todo o universo, do ponto de virada, do fechamento dos arcos e tudo o mais. É um trabalho extremamente pessoal que lida diretamente com o autor. Para mim foi muito útil, realmente uma virada de mundo. Eu conheci, tive uma ideia muito melhor do que é literatura depois que tive um consultor e é um trabalho muito importante para quem está começando. Não acho que seja essencial, mas que, em um mercado cada vez mais competitivo e mais profissional, ter este tipo de aporte é muito interessante.

O contato primeiro com a literatura, que despertou sua vocação literária, foi por volta dos 13 anos, como comentou. Conta um pouco mais sobre isso; como começou esta paixão?
Foi por volta dessa idade e eu tinha uma “paquerinha”, uma menina que morava na praia, que lia muito. Ela era viciada em livros da Agatha Christie, falava tanto daquilo e eu “cacete, mas os livros que eu li são tão chatos. Como ela pode gostar tanto disso?”; minha família uma vez foi, coincidentemente, para cidade da praia em que ela morava e eu fui a uma livraria, pois queria ter assunto com ela, ter o que dizer, falar de algum livro; e eu comprei –– escolhendo pela capa, olha só; não sabia nem do que se tratava, só achava a capa muito bonita ––, “O Pistoleiro” do Stephen King. Cai logo em um dos maiores contadores de história da atualidade. A partir do momento que eu li aquilo, pensei “poxa, isso é muito legal!” e acabei me dando conta que era o tipo de coisa que eu queria e achava que eu podia fazer bem, que era contar histórias, escrever. Eu tinha facilidade com a escrita desde a escola, achava que era uma coisa que eu podia amadurecer. Foi algo que aconteceu. Cada vez mais tenho amadurecido. Seis meses depois, se não me engano, eu contratei o consultor. Conversei com a minha família, expliquei o que ele faria e que eu precisava disso; era um preço alto e ainda o é até hoje, mas criamos um plano para conseguir pagá-lo e ele mudou toda a minha concepção de literatura e eu com 14 anos já tinha certeza que escrever, publicar livros era uma coisa que eu queria fazer pelo resto da minha vida.

E o que mais você gosta de fazer? Ouvir música, futebol, cinema?
Eu sou extremamente eclético. Eu adoro futebol, estou até recentemente com o tornozelo fraturado, me machuquei jogando bola, e a tevê aqui está ligada, está passando “Champions League”, no mudo, mas passando o jogo; então, sou apaixonado por futebol. Também amo de paixão o cinema e tem algo que cada vez estou mais apaixonado, viciado e com certeza que, até mais do que cinema, é uma coisa que quero fazer que são séries de tevê. O que o formato permite, os episódios, as temporadas são uma coisa que me abre muitas chances narrativas; é algo que estou amando assistir e quero muito no futuro me especializar e atuar na área. E, claro, a literatura sempre. À música, eu nunca fui muito ligado, talvez por minha frustação por não ter voz para ser cantor e eu nunca acabei me apegando a um estilo musical. Ouço, é claro, como qualquer pessoa normal, mas não tenho um conhecimento técnico, nem nada do tipo.

Pode citar algum livro ou série que você está assistindo e lendo, no momento?
Eu estou lendo, no momento, “O Frágil Toque dos Mutilados” de um colega também estreante este ano, o Alex Sens e acabei de terminar a terceira ou quarta releitura do livro “Cem Anos de Solidão”, do Gabriel García Márquez, e o livro da Elvira Vigna “O Assassinato do Bebê Martê”. Mas, nos últimos dias, eu não tenho conseguido ler muitos livros, por conta do segundo livro e até porque eu não gosto de ler enquanto estou escrevendo. Mas séries, eu tenho assistido aos montes. Estou saindo de uma depressão forte, depois do fim de “How To Get Away With Murder”, que tem um suspense muito forte, muito bem feito e estou começando outras, esperando tantas outras que devem estrear.

Primeiro, conhecer um pouco mais sobre o autor. Quem é Gustavo Magnani? Como têm sido estes 21 anos de caminhada?
Eu sempre fui uma pessoa muito tranquila, muito diferente do personagem do livro. Sou uma pessoa muito equilibrada. Eu vivi muitas mudanças na minha vida, muitos fatos que me deram uma guinada diferente, por exemplo, aos 13 anos quando descobri o prazer pela leitura. Alguns meses mais tarde, eu entrei para igreja evangélica, onde também vivi uma grande mudança, um grande panorama. E, também na mesma época, eu comecei a namorar uma garota. Nós estamos juntos até hoje, já há quase oito anos. Foram, então, três coisas que mudaram o meu mundo de uma vez; tanto a literatura, quanto a religião e o “amor”, digamos assim. Depois disso, passei três anos lendo muito, escrevendo bastante, eu experimentava a linguagem. Entrei na literatura com a ajuda de um consultor literário, que é como se fosse um professor particular que me ajudava nas questões técnicas, em como construir um personagem, uma cena, este tipo de coisa. Trabalhei em um romance por um bom tempo. Tenho daqueles pequenos momentos em que eu escrevo muito e do bom tempo em que não escrevo nada. Agora, eu estou terminando meu segundo livro, sendo que tinha escrito vinte mil palavras em 2014, passei o ano inteiro sem pegar nele e, de outubro para cá, escrevi 45 mil palavras e estou finalizando ele em questão de um mês. Eu tenho isso e preciso, cada vez mais, me policiar para não parar de escrever –– o meu objetivo a partir de agora.

Com 17 anos, eu tinha esse livro quase pronto e foi quando eu abri o site Literatortura; pois, além de enxergar um nicho na literatura, eu também acreditava que seria bom para mim ter uma base de leitores, um contato com editores e tudo mais; foi uma grande mudança, no entanto, pois o projeto acabou crescendo enormemente e a minha primeira ideia, a de fazer o meu nome, ficou em segundo plano. Foi quando eu abandonei o livro que eu estava escrevendo, pois ele era muito mediano, medíocre –– no sentido da palavra –– pois, eu acreditava que podia fazer algo melhor e, assim, eu comecei o “Ovelha” e tudo mudou.

Voltando um pouquinho a você. Nasceu em Guaíra, no Paraná?
Isso, eu nasci em Guaíra, onde vivi toda minha vida. Eu só passei oito meses em Curitiba, na Universidade Federal do Paraná, e logo depois voltei. Eu não cheguei a me formar; cursei Letras apenas um semestre na Federal e foi na mesma época que o site viveu um boom de audiência; eu tinha, então, o site, a literatura, morava sozinho, o que me tomava tempo com compras de mercado e tudo o mais, e eu não estava me dedicando nem ao site, nem a faculdade direito e, por isso, eu optei pelo o que eu mais amava, que era a literatura.

Quanto ao Literatortura, como foi cria-lo? De onde surgiu a ideia e conte um pouco mais sobre o boom que ele viveu?
O Literatortura nasceu no dia 4 de dezembro de 2011, quando a internet era muito diferente do que é hoje, 2015, no Brasil. Naquela época, existiam nichos e nichos em que ninguém falava nada e eram vazios; portanto, não existiam sites sobre o assunto. Existiam apenas alguns sites de resenha, um ou outro de mercado editorial e outros de crônicas, contos, mas nenhum que falasse especificamente de literatura, que fosse sobre notícias literárias ou de matérias que misturassem clássicos com o cotidiano, que falasse de livros de uma forma um pouco diferente; no Literatortura também abordamos literatura contemporânea. Foi quando eu pensei “Pô, eu posso fazer algo do tipo” e comecei, no Twitter, já que eu me perguntava “Quem é que vai ler o meu site?”. Mostraria para os meus amigos e, em Guaíra, onde eu morava/moro, pouquíssimas pessoas gostam de ler; se eu dependesse do público leitor, teria cinco acessos por dia. Foi assim que comecei o Twitter e, do zero, sem sequer um seguidor, segui alguns perfis de literatura, comecei a twittar , fazer algumas piadas com clássicos, e algumas pessoas começaram a me retwittar; assim, ganhei seguidores e quando cheguei aos 500, eu abri o blog. Depois de um mês de vida, eu publiquei um artigo –– que nem era sobre literatura; algo que o Literatortura faz muito; publica sobre sociedade, arte em geral ––, com uma capa da Época, que dizia da música “Ai, se eu te pego”, do Michel Teló, se ela traduzia a cultura popular brasileira para todas as classes sociais –– algo assim, pois eu não me lembro ao certo. Eu fiz uma crítica a essa capa e o site explodiu; foram 600 mil acessos em dois dias. Eu tive um pouco de sorte, pois até achei que seria um “grande” site, mas que demoraria um bom tempo para chegar aonde chegou. Foi muito rápido.

Você também é consultor literário e até comentou que teve, por um tempo, o auxílio desse profissional. Como é o seu trabalho?
O trabalho de consultoria, para fazer um paralelo, é como se fosse um professor particular do assunto, pois ele cuida especificamente do que você precisa aprender com uma base muito universal, por exemplo, das diferentes estruturas que existem para se compor um romance ou como construir uma cena, uma sequela, ou ainda como construir uma personagem, a escrita de diálogo. Portanto, a consultoria é basicamente este tipo de trabalho de acompanhamento. Há outros paralelos interessantes, por exemplo, um tipo de leitor crítico que, ao invés de ler todo o trabalho no final, ele lê enquanto o escritor o está produzindo. Ele lê junto do escritor para auxiliá-lo em vários aspectos. Ele opina na leitura crítica da obra e, inclusive, na criação, na concepção dela, dos personagens, de todo o universo, do ponto de virada, do fechamento dos arcos e tudo o mais. É um trabalho extremamente pessoal que lida diretamente com o autor. Para mim foi muito útil, realmente uma virada de mundo. Eu conheci, tive uma ideia muito melhor do que é literatura depois que tive um consultor e é um trabalho muito importante para quem está começando. Não acho que seja essencial, mas que, em um mercado cada vez mais competitivo e mais profissional, ter este tipo de aporte é muito interessante.

O contato primeiro com a literatura, que despertou sua vocação literária, foi por volta dos 13 anos, como comentou. Conta um pouco mais sobre isso; como começou esta paixão?
Foi por volta dessa idade e eu tinha uma “paquerinha”, uma menina que morava na praia, que lia muito. Ela era viciada em livros da Agatha Christie, falava tanto daquilo e eu “cacete, mas os livros que eu li são tão chatos. Como ela pode gostar tanto disso?”; minha família uma vez foi, coincidentemente, para cidade da praia em que ela morava e eu fui a uma livraria, pois queria ter assunto com ela, ter o que dizer, falar de algum livro; e eu comprei –– escolhendo pela capa, olha só; não sabia nem do que se tratava, só achava a capa muito bonita ––, “O Pistoleiro” do Stephen King. Cai logo em um dos maiores contadores de história da atualidade. A partir do momento que eu li aquilo, pensei “poxa, isso é muito legal!” e acabei me dando conta que era o tipo de coisa que eu queria e achava que eu podia fazer bem, que era contar histórias, escrever. Eu tinha facilidade com a escrita desde a escola, achava que era uma coisa que eu podia amadurecer. Foi algo que aconteceu. Cada vez mais tenho amadurecido. Seis meses depois, se não me engano, eu contratei o consultor. Conversei com a minha família, expliquei o que ele faria e que eu precisava disso; era um preço alto e ainda o é até hoje, mas criamos um plano para conseguir pagá-lo e ele mudou toda a minha concepção de literatura e eu com 14 anos já tinha certeza que escrever, publicar livros era uma coisa que eu queria fazer pelo resto da minha vida.

E o que mais você gosta de fazer? Ouvir música, futebol, cinema?
Eu sou extremamente eclético. Eu adoro futebol, estou até recentemente com o tornozelo fraturado, me machuquei jogando bola, e a tevê aqui está ligada, está passando “Champions League”, no mudo, mas passando o jogo; então, sou apaixonado por futebol. Também amo de paixão o cinema e tem algo que cada vez estou mais apaixonado, viciado e com certeza que, até mais do que cinema, é uma coisa que quero fazer que são séries de tevê. O que o formato permite, os episódios, as temporadas são uma coisa que me abre muitas chances narrativas; é algo que estou amando assistir e quero muito no futuro me especializar e atuar na área. E, claro, a literatura sempre. À música, eu nunca fui muito ligado, talvez por minha frustação por não ter voz para ser cantor e eu nunca acabei me apegando a um estilo musical. Ouço, é claro, como qualquer pessoa normal, mas não tenho um conhecimento técnico, nem nada do tipo.

Pode citar algum livro ou série que você está assistindo e lendo, no momento?
Eu estou lendo, no momento, “O Frágil Toque dos Mutilados” de um colega também estreante este ano, o Alex Sens e acabei de terminar a terceira ou quarta releitura do livro “Cem Anos de Solidão”, do Gabriel García Márquez, e o livro da Elvira Vigna “O Assassinato do Bebê Martê”. Mas, nos últimos dias, eu não tenho conseguido ler muitos livros, por conta do segundo livro e até porque eu não gosto de ler enquanto estou escrevendo. Mas séries, eu tenho assistido aos montes. Estou saindo de uma depressão forte, depois do fim de “How To Get Away With Murder”, que tem um suspense muito forte, muito bem feito e estou começando outras, esperando tantas outras que devem estrear.

Ovelha

Qual seria uma sinopse, um resumo do livro?
“Ovelha” é a história de um pastor homossexual que, depois de ter descoberto uma doença extremamente grave e ciente, para ele, de que não existe salvação, de que está decretado que ele passará a eternidade no inferno, decide tentar ser livre ao menos na morte, decide se livrar de todos os seus demônios, decide abraça-los, pelo menos na morte, para que possa ir para outra vida sabendo que, ao menos, contou a verdade. Ele conta toda a história dele desde sua infância até seus dias derradeiros no hospital, o sofrimento, a repressão, o preconceito e, inclusive, o próprio preconceito dele mesmo.

Intrigou-me bastante, ao final, o título ser “Ovelha: Memórias de um pastorgay”. Foi genial a “brincadeira” dele se declarar uma ovelha, sendo um pastor. Perdi-me muito no nome. Como comentou, também leio vários livros ao mesmo tempo, e por isso fiquei me perguntando sobre o nome do personagem; eu não sabia se tinha perdido o nome dele ou se era uma metáfora; portanto foi algo genial.
Ele mente o nome dele, no livro, três vezes. E é até curioso, pois em algumas resenhas dizem que é um personagem sem nome e, em outras, o chamam de Eliseu. Em outras ainda, o chamam de Thiago. Foram poucos os que perceberam que o nome dele é revelado depois, ainda que em muitos momentos ele apareça no livro. Portanto, existe toda esta brincadeira no romance.

O livro parece ter três questões predominantes; existe a religião, religiosidade, que agrega a figura materna, com quem o pastor tem uma relação muito conturbada, e também o padrasto; a sexualidade, que permeia os diversos relacionamentos afetivos e sexuais que ele vive, bem como a relação com a Bianca, a esposa de quem ele não livra a culpa da doença; e a própria doença. Portanto, como foi escrever um livro que trata de assuntos tão polêmicos, que mais parece uma caixa de abelhas, diante a realidade atual, uma época em que até se tem discutido tais temas, mas cuja voz narrativa, que fala do lugar de pastor, de algo legitimo por ser alguém que vive/viveu aquela realidade, é quase inexistente. Isso tudo desagua no último capítulo, intitulado “O Ser­mão que nunca tive coragem de dar”; portando, como foi criar isso?
A primeira coisa que nasceu no “Ovelha” foi o personagem. Foi a primeira coisa que eu tive, meu ponto-primário. Eu sempre fui consciente da polêmica, mas nunca fui em busca da polêmica. Então, tudo que o livro gerou, ele gerou por conta de que eu, escritor, acreditava que eram as melhores opções literárias, mas nunca com o pensamento “ah, isso aqui vai criar uma discussão”; sempre foram escolhas literárias. Eu sou apaixonado por personagens complexos, dúbios, contraditórios. Então, este personagem emana contradição, ele é contradição em pessoa e em divindade. Tudo começou nele. Eu nunca pensei, por exemplo, que a Bianca seria uma ex-prostituta; foram coisas que aconteceram pela minha vivência e por meu conhecimento dentro da igreja evangélica. Um pastor que acolhe uma pessoa do mundo, ele é muito bem quisto, ainda mais um pastor que tem coragem de se casar com uma mulher do mundo; isso dá muita força ao discurso dele. Um livro que fala de uma doença grave, de um pastor homossexual, que fala da igreja, da sexualidade, de uma ex-prostituta é sim um livro que, sem dúvida, se fosse tarjado como os remédios, seria tarja preta. Entretanto, a ideia nunca foi “eu tenho que escrever um livro tarja preta”. É um livro que, como eu disse, tinha um personagem complexo e eu, como escritor, levo muito a sério o que faço, ou seja, eu prezo muito pela honestidade que eu tenho com aquilo que estou escrevendo. Se eu pegasse esse personagem e tentasse descaracterizá-lo, transformá-lo em algo mais palatável ao público diverso, me sentiria muito mal com meu trabalho, pois ele veio para mim desta forma, de completo desespero, quase beirando a loucura, beirando até a própria morte e o que ele quer é jogar tudo no ventilador. Eu não poderia censurá-lo, não poderia fazer com que ele não dissesse tudo o que ele tinha/tem para dizer, da forma como ele queria/quer dizer; por isso, a necessidade de cenas e palavras pesadas, em muitos casos. Esta foi a melhor forma que ele, pastor que sempre viveu no púlpito, que sempre cuidou muito bem das palavras, do tom e da forma que se proclamava, esse pastor que perdeu tudo, a formalidade, o modo doce, gentil e cuidadoso de se falar, encontrou. Ele perdeu o amor da vida dele, perdeu a dignidade, a saúde, a fé, perdeu, inclusive, a forma de se comunicar com as pessoas. O jeito que ele encontra é voraz e violento. Foi nisso que pensei quando construí o livro, sempre silenciando a minha censura, as minhas críticas pessoais e dando mais voz ao narrador.

Recentemente, li um texto que comentava da poética erótica de Vinicius de Moraes. No seu livro, existem parágrafos com essa poética, pois são eróticos, com descrições altamente sexuais –– alguns, para mim, são geniais, como o do macarrão, e compõe até um dos meus capítulos favoritos, e também o com a personagem Pietra em que ele narra: “Pietra não foi a primeira mulher que comi, porque ela simplesmente me devorou”  ––; portanto, eu queria saber dessa poética e também sobre a pesquisa quanto a homossexualidade e quanto a religião. Como foi isso?
Quanto ao erotismo, eu concordo contigo, o livro tem muito de erótico e tem diferentes eróticos; vai do erótico grotesco ao mais sensual. Portanto, todo o erótico casa muito bem com o livro, faz parte da narrativa, ele nunca acontece simplesmente por acontecer, para chocar ou para mostrar “olha, gente, ele transa”. Ele acontece para mostrar que esse personagem tem outras vertentes, outras visões, outros caminhos. Todas essas cenas tem alguma motivação. Eu nunca tive muito pudor para falar sobre sexualidade com qualquer pessoa que fosse e muito menos teria na minha literatura. Tentei ler coisas do tipo, pois nunca fui um leitor de literatura erótica, por não ter interesse mesmo; li pouca coisa e, do que li, muito foi por conta do “Ovelha”, para tentar entender, aprender um pouco e colocar em prática no livro. Quanto à homossexualidade, foi o meu maior ponto de pesquisa; pois, quanto à religião, eu que vivi a igreja evangélica jamais passei por algo próximo que esse personagem passou e tampouco vi alguém passar algo semelhante; mas foi todo um exercício de me colocar no lugar do meu personagem. Foi aí que eu consegui esta identidade religiosa, eu tinha estes conhecimentos; então, a pesquisa da religião foi basicamente conferencia de dados, de versículos e tudo o mais. A grande pesquisa vem em torno da homossexualidade, pois eu não tenho essa vivência, não tenho esse sofrimento de viver com o preconceito tanto do mundo externo, quanto da própria família e de si mesmo. Eu conversei, então, com vinte colegas que são homossexuais, fiz diversas perguntas e todos foram muito honestos, muito sinceros. Todos receberam muito bem as minhas colocações e me ajudaram muito na compreensão deste universo; claro, nenhum deles sofreu tanto quanto o meu personagem sofreu, pois eles conseguiram se assumir homossexuais para família e para o mundo em si, conseguiram dar um passo que meu personagem não conseguiu nunca. Então, tem uma grande diferença.

Concomitantemente ao “Ovelha”, eu estava lendo “A Insustentável Leveza do Ser”, do Milan Kundera; e a personagem Teresa, presente no seu livro, cita a obra, comentando sobre a contradição, a dualidade entre a leveza e o peso do ser. E, no seu livro, existem ainda outras referências, você cita Brás Cubas, de Machado de Assis, o “Quintanares” de Mário Quintana, como com o verbo “adeusar”; portanto, como foi trazer estas referências literárias e até mesmo vê-las como influências –– o que eu não sei bem se seria, uma “influência”?
São influências sim; o autor tem dois caminhos: ou ele admite as influências que ele tem ou ele não admite, pois influências ele tem. Não existe autor que não tenha influências e, outra coisa, ou sabemos de onde tiramos as coisas ou simplesmente não sabemos; é o inconsciente, mas de algum lugar tiramos. Eu prefiro saber de onde tirei as coisas, justamente porque sabendo eu posso trabalhar o melhor e o pior daquela coisa, talvez misturar com outros elementos; então, estou sempre em uma investigação de onde eu estou puxando cada situação. O Machado de Assis é, claramente, a maior influência desse livro, tanto em termos estruturais, a forma de contar histórias em fragmentos, parágrafos curtos, o ir e vir da história; então o Machado foi muito influente nisso. Alguns leitores apontam a questão da ironia e do sarcasmo como algo muito machadiano e isso não foi consciente, pois eu sou muito irônico e sarcástico, mas para dentro de mim, porque eu acredito também que sou muito educado, mas elas surgem e muitas vezes como algo rude. Mas como a literatura é a externalização do “eu”, acabo levando essa ironia e esse sarcasmo. O García Márquez influenciou um personagem inteiro no livro. O Rubem Fonseca, o Dalton Trevisan e alguns outros autores estão na linguagem do livro, que tem muito de todos esses autores, além é claro de uma construção bíblica. A Bíblia me influenciou muito em termo de linguagem; a ausência de descrições físicas, o ambiente e os próprios discursos de pastores evangélicos foi uma influência muito grande. Tem outro autor que me influenciou muito que é o Raduan Nassar, de “Lavoura Arcaica”, em dois capítulos especificamente que são os em que o pastor dialoga com o irmão dele. É muito o que acontece em “Lavoura Arcaica”. Então, tem vários autores que consigo identificar a influência e, claro, muitos que não consigo. Alguns dizem que os capítulos “Apócrifos de um homem morto” são influenciados em Saramago, mas até eu ter escrito aqueles capítulos, eu nunca havia lido Saramago, então, não foi uma influência, mas isso não tem problema, a literatura é cíclica.

E quanto à recepção da obra? Ela foi lançada em agosto, há três meses, e como tem sido este feedback?
Tem sido muito positiva, é claro que com pontos negativos. Os livros tem tido uma boa saída e as pessoas têm gostado do que tem lido –– é um ponto muito louvável para mim Eu tive uma boa aceitação por parte da imprensa, como o próprio Jornal Opção, mas outra parte dá de ombros por livro, talvez pelo tema, não sei. Recebi algumas negativas, outras favoráveis, acho que tem muito leitor receoso em ler a obra por conta do tema e eu vejo isso muito claro, mas, no geral, a recepção tem sido muito positiva. Eu vejo mais pontos bacanas que negativos, visto que é um tema tão complicado e a primeira obra de um autor. Tem sido uma recepção muito boa.

Tem alguma história que tenha te marcado e que você possa compartilhar, tanto positivo como negativo?
O que mais me chateou sobre o “Ovelha” –– além das resenhas que são publicadas na internet, dizendo que tantos palavrões não eram necessários, que o autor é inteligente, mas o uso de palavrões é uma escolha burra, coisas que faltam um pouco de leitura da obra, que mais parece uma leitura rasa ––, foi no lançamento da obra em Guaíra e eu participei de um breve debate com um pastor ou evangélico, não sei bem, de cerca de vinte minutos e ele fez várias interpelações e, para mim, a história tinha acabado ali, tinha dado tudo certo, mas no outro dia e demais semanas, em que eu viajei para São Paulo e para Bienal do Rio, começaram a espalhar coisas desagradáveis na cidade, começaram a dizer que eu tinha deixado o sucesso subir a cabeça e a ideia fixa que eu estava blasfemando contra deus, um absurdo o que eu estava fazendo. Me chateou por serem falas da região, da cidade, e por chegarem aos ouvidos da minha família, dos meus pais, então foi uma situação desagradável e, fora isso, eu recebo uma mensagem por dia dizendo que eu sou “filho do demônio”, que eu sou “seguidor do anticristo”, essas mensagens para mim já são comuns. São pessoas que dizem coisas para mim porque elas não têm coragem de dizer para si mesmas. Isso, eu levo numa boa. Outro ocorrido foi quando eu lancei o livro em São Paulo, eu sentei na cadeira e um rapaz me entregou um folheto do salmo 91 e disse que eu deveria visitar a igreja dele porque Jesus iria salvar a minha alma. Isso aconteceu três vezes no lançamento. Três pessoas me interromperam para dizer que a minha alma seria salva por Jesus.
Eu tive muitas respostas positivas que me marcaram profundamente. São casos muito sérios em que as pessoas leem “Ovelha” e eu acho lindo que elas veem em mim uma pessoa de confiança para contar algum caso da vida, desabafar alguma coisa. Eu vejo uma quantidade de pessoas que chegam até a mim e contam o sofrimento que elas passaram dentro da igreja, o que elas ainda passam, pois muitos homossexuais, assumidos ou não, permanecem na igreja porque se sentem bem ouvindo a palavra; portanto, são histórias muito marcantes e eu recebi vários e-mails, que se eu juntasse em laudas do Word… Teve uma menina, do Canadá, que me mandou mais de vinte páginas do Word me contando a história dela, sobre como ela saiu da igreja e tal. Isso é incrível. Eu adoro essa recepção, eu adoro saber que o livro é real, que os personagens são reais, que eles falam com pessoas reais, de carne e osso. Isso para mim vale muito. O destaque, pelo diferente, foi de uma evangélica, que segue a igreja; ela leu o livro e me mandou uma mensagem no Facebook, dizendo que era uma das melhores coisas que ela tinha lido e que ela discordava frontalmente de quem disse que eu desrespeitei a igreja, pelo contrário, que a única coisa que eu fiz foi mostrar como funciona muitas situações dentro da igreja; que ela compreendeu e teve uma visão de muitas mentiras ou de muitas questões que eu coloco no livro e ela nunca tinha parado para pensar e que a visão dela, hoje dentro da igreja, era outra, que o meu trabalho tinha sido muito respeitoso e de qualidade, muito útil para vida dela. Mensagens como essa valem muito.

O seu Jesus tem algum recado para o leitor?
Se ele tem um recado, depois do capítulo final, é que as pessoas não tenham medo de assumir o que elas são de verdade, caso isso não machuque, não prejudique ninguém. Que elas tenham coragem de se mostrar ao mundo como elas realmente são; de mostrar ao mundo o quanto elas sofrem, o quanto elas se sentem machucadas e doloridas por coisas que a sociedade impõe. Que elas não deixem que o peso seja da religião, da família ou da sociedade as impeça de serem felizes –– esta é, talvez, a grande lição, se é que existe uma lição que as pessoas poderiam tirar com a personagem do livro “Ovelha”.

Fonte: Jornal Opção

 

 

out 22, 2015
admin

Escritora brasileira traz Frankenstein a nossos dias para debater bioética

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Há alguns anos que a paulistana Jeanette Rozsas vem desenvolvendo trabalhos em um gênero que chama romance biográfico, no qual se apoia na vida de personalidades – normalmente grandes escritores do passado – para inseri-las em uma história ficcional, mas com personagens e situações fundamentadas por pesquisas históricas. Foi assim em “Edgar Allan Poe: O Mago do Terror” – que resenhei aqui – e “Kafka e a Marca do Corvo”, por exemplo, e também é assim em “As Vidas e as Mortes de Frankenstein”, livro que lança hoje pela Geração Editorial, a partir das 18h30, na Livraria da Vila (Alameda Lorena, 1731).

A obra se divide em três planos narrativos. Mais próximo de nossos dias, sabemos da história de Elizabeth Medeiros, a Liz, principalmente por meio das mensagens digitais que ela troca com sua família. Médica e pesquisadora, Liz consegue uma bolsa na Alemanha para trabalhar com transgenia, o que traz para a contemporaneidade os debates sobre transgressões bioéticas. “Não há barreiras religiosas, nem científicas, nem éticas. Se descobrirem como se faz um ET com cinco cabeças de elefante num tubo de ensaio, tanto melhor”, escreve em um assustado e-mail.

É com esse aspecto profissional da vida de Liz que as outras duas frentes do livros dialogam. Em outro plano temos a britânica Mary Shelley e a história por trás da criação de sua obra-prima: “Frankenstein”, publicada pela primeira vez em 1818 e escrita durante uma excursão promovida pelo já famoso poeta Lord Byron – na mesma viagem surge também outro clássico: “O Vampiro”, de John Polidori.

Na terceira frente do livro, por fim, somos levados ao século 17, quando o jovem Max Muller torna-se pupilo do alquimista Johann Konrad Dippel, que morou no castelo da família Frankenstein – que mais tarde daria nome à obra de Mary – e concentrou suas polêmicas atividades na busca dos segredos por trás da criação e eterna manutenção da vida.

Tudo isso serve para mostrar aos leitores como o conceito de ética e os limites da ciência variam de acordo com a época. “O que era ético há 200 anos deixou de sê-lo com as novas conquistas sociais. Para complicar, a ciência se desenvolveu com uma rapidez incrível, criando novos temas e suscitando dúvidas de até onde se pode avançar. Passou-se a estudar uma nova ciência, a bioética. Existe a Comunidade Científica Internacional que, em princípio, deveria marcar os limites. Mas como saber se os princípios éticos estabelecidos não estão sendo postos de lado pelo cientistas, no afã de criarem o que sempre foi o maior desafio do homem?”, acredita a escritora, referindo-se à busca pela vida eterna.

“As Vidas e as Mortes de Frankenstein” vem a calhar para que esse debate seja fomentado. Da minha parte, devolvo duas perguntas: e quem define quais são os limites éticos? E a quem interessa que esses limites sejam respeitados ou ignorados? A discussão é longa, mas essencial.

Fonte: Uol/Blog página cinco

out 21, 2015
admin

Cinco diferenças da vida “sem mordomias” na Suécia para o Brasil

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O trabalho da jornalista Claudia Wallin, uma brasileira que mora em Estocolmo há 12 anos, vem chamando cada vez mais atenção no Brasil. Ela tem mostrado como uma sociedade mais igualitária e sem mordomias pode funcionar. “Não é uma utopia”, diz ela, em uma entrevista à Gazeta do Povo publicada no domingo.

Em seu livro “Um país sem excelências e mordomias” e em seu blog, a jornalista tem mostrado algumas diferenças importantes entre o modo como suecos e políticos tratam seus políticos e outros profissionais. Abaixo, seguem alguns exemplos.

Mordomias dos deputados

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Um dos primeiros pontos que todo mundo cita é a falta de mordomia nas acomodações dos deputados suecos. No Brasil, recentemente, os apartamentos funcionais de Brasília, de 200 metros quadrados, receberam banheira de hidromassagem com controle remoto.

Na Suécia, durante muitos anos, os deputados dormiam nos próprios gabinetes, que tinham um sofá-cama. Depois se rebelaram e acabaram ganhando pequenos apartamentos funcionais. Pequenos mesmos: alguns têm 18 metros quadrados.

Assessores

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Os deputados estaduais paranaenses, por exemplo, têm direito a 23 assessores em seus gabinetes. Cada partido também tem direito a mais 12 assessores. E, mesmo assim, eles extrapolam as cotas. Em Brasília, deputados e senadores também têm senadores repletos de gente.

Na Suécia, os deputados não têm funcionários particulares, não contratam ninguém nem têm a própria secretária. Usam os funcionários do Congresso, que atendem a vários parlamentares, e não a um único gabinete.

Os juízes

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No Brasil, recentemente, os juízes se autoconcederam auxílio-moradia de R$ 4,5 mil por mês, mesmo sendo proibido acrescentar ganhos aos seus salários. Na Suécia, segundo Claudia Wallin, nenhum juiz sueco têm direito a auxílio-moradia, auxílio-saúde, auxílio-alimentação, abono de permanência, prêmios, gratificações extras ou carro oficial com motorista. Em números atualizados, os salários dos magistrados suecos variam entre cerca de 15 mil e 30,2 mil reais”.

Ao ser questionado sobre os novos benefícios que os juízes brasileiros querem pôr na Lei da Magistratura, um juiz sueco entrevistado pela brasileira começou a rir. E, obviamente, disse que aquilo era imoral.

A polícia

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Desde 2001, depois de uma repressão a uma manifestação em Gotemburgo, os policiais suecos passaram a ter outro tipo de treinamento. Escreve Wallin:

Na nova forma de lidar com os manifestantes, o mais importante para a polícia sueca não é vencer a guerra – e sim evitá-la‘A arma mais importante da polícia é a habilidade de dialogar com os manifestantes, e não a capacidade de reprimir’, diz Österling.

‘E é fundamental que a polícia parta da premissa de que o ato de se manifestar é um direito básico de qualquer democracia séria. Dessa forma, os cidadãos que participam de uma manifestação sentem que têm o apoio da polícia, e que a polícia sempre será a salvaguarda do direito democrático dos cidadãos de protestar’.”

O lixeiro

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O lixeiro que Claudia Wallin estava tentando entrevistar para saber como viviam os trabalhadores do setor na Suécia demorou a retornar o telefonema dela. O motivo? Estava esquiando de férias nos Alpes. Quando voltou, mostrou a ela a casa de madeira de 250 metros quadrados com piscina em que mora. Segue um trecho da entrevista.

“Em uma sociedade desigual, nem todos têm direito a uma vida digna. Também sei que em uma sociedade menos igualitária, as pessoas têm que morar trancadas em condomínios, atrás de muros e guardadas por seguranças, para se proteger dos pobres que não têm nada. Como imagino que seja o Brasil.”

“Aqui (na Suécia), você raramente vê a polícia, e existe menos violência”, ele acrescenta. “E os policiais são ok. Ninguém tem medo de atravessar a rua em frente a um carro da polícia, nem mesmo quando o sinal está fechado para o pedestre.”

Fonte: Gazeta do Povo

 

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