Astrícia

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Astrícia
Autor: Cristovam Buarque
Categoria: Romance
Formato: 14 X 21 cm
Páginas: 200
Peso: 250gr
ISBN: 857509103-4
Cód. barra: 9788575091034
R$ 34,00
Editora: Geração

Sinopse:

Cristovam Buarque, dublê de engenheiro, economista, educador, escritor e homem público, autor de 20 livros, define “Astrícia” como “um livro diferente de tudo o que já escrevi”. Pode ser lido como romance, coletânea de contos e até como ensaios, em que se narram as aventuras de um escritor, “estórias sobre a arte e o drama de escrever”. É um livro para pessoas inteligentes, que adoram ler pelo puro prazer de ler. O narrador chama-se Astor, que escreve sobre um escritor também chamado Astor. Esse segundo Astor vive no imaginário mundo de Astrícia, um universo labiríntico, de espelhos e enigmas, à maneira de Borges, Cortazar ou do cineasta David Lynch. Há uma trama, um suspense, um mistério a ser desvendado. Astor, o personagem narrado pelo outro Astor, morre logo na primeira história, ou capítulo, ao cair da janela de seu apartamento. Pode ter sido um acidente, mas também um crime. Quem poderia tê-lo assassinado? Quase no final, descobre-se que Astor, pelo contrário, pode ter, ele sim, assassinado um chinês pela única razão de que a vítima era isso mesmo – um chinês.

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O não-livro de Cristovam Buarque

Ex-ministro da Educação lança romance misterioso, “Astrícia”, no qual um autor inexistente escreve sobre um lugar que também não existe

Cristovam Buarque, dublê de engenheiro, economista, educador, escritor e homem público, surpreende o Brasil, nem bem deixou o ministério da Educação, lançando um romance inesperado e misterioso: “Astrícia”, que ele não define nem como romance, contos ou ensaios, mas simplesmente como “um livro diferente de tudo o que já escrevi”. Lançado quase em segredo em 1984, numa edição particular, talvez só agora, com uma edição profissional possa ser avaliado em todas as suas estranhas dimensões. É um livro de ficção – ou de ficções, como diria Jorge Luís Borges, no qual vagamente se inspira – em que se narram as aventuras de um escritor, “estórias sobre a arte e o drama de escrever”.

É um livro para pessoas inteligentes, que adoram ler pelo puro prazer de ler. O narrador chama-se Astor, que escreve sobre um escritor também chamado Astor. Esse segundo Astor vive no imaginário mundo de Astrícia, um universo labiríntico, de espelhos e enigmas, à maneira de Borges, Cortazar e David Lynch.

É saboroso esforçar-se para entender o significado de cada personagem que replica Astor até nos nomes: Sator, Rotsa, Taros, Sorat, Rosta, Tosar, Rasot, Sotar, Atros, Srat, Arsot. Cada um pode ser a imagem distorcida – sempre num espelho – do ser que escreve e é escrito, imagina e é imaginado. Moderno, revolucionário? Sim, mas já no passado não era Stendhal que, em “O Vermelho e o Negro”, dizia que “um romance é um espelho que é levado por uma longa estrada”?
Este é um livro experimental, mas não é, digamos, chato, como livros desse tipo podem ser. Há uma trama, um suspense, um mistério a ser desvendado. Astor, o personagem narrado pelo outro Astor, morre logo na primeira história, ou capítulo, ao cair da janela de seu apartamento. Pode ter sido um acidente, mas também um crime. Quem poderia tê-lo assassinado? Quase no final, descobre-se que Astor, pelo contrário, pode ter, ele sim, assassinado um chinês pela única razão de que a vítima era isso mesmo – um chinês.

Astor, o personagem, sofria de uma estranha neurose que o fazia sentir-se personagem irreal de uma novela fantástica de Jorge Luís Borges. Astor, o narrador, conta histórias dentro de histórias, que se entrelaçam e se refletem em outras histórias. Em algum momento somos levados a crer que é um livro sobre impossibilidades – inclusive a da existência. Será que existimos ou somos apenas personagens imaginários de algum desígnio cósmico que jamais entenderemos?

Da impossibilidade de existir podemos chegar à impossibilidade de fazer, mas aí já ingressaríamos num terreno pantanoso – afinal, o autor desta obra de ficção lida com a realidade e a utopia, a tentativa desesperada de fazer para se cumprir o que se prometeu – não fosse ele um dos homens da República. Será a realidade apenas um labirinto no qual, como fantasmas, nos perdemos? A vida é sonho, como queria Calderón de la Barca?

Astor, o narrador – alter ego de Cristovam Buarque – repete Salvador Dali (“Só pintei o que vi e vivi”) ao afirmar que escreveu sobre o que viu e viveu. Astor, aquele que vive em Astrícia, conclui sua aventura afirmando que, afinal, “eu sou nada”. Alma sonâmbula que um contador inventou, ele pode nos levar a concluir tanto que nada faz sentido como que o sentido da vida, como está no Eclesiastes, é fazer bem enquanto vivemos, na realidade estranha e fugaz deste mundo, pelo qual podemos passar tanto como sombra ou como luz. Cristovam Buarque, um sábio, tenta passar como luz. Imitemo-lo.

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