A Praga

O holocausto da hanseníase.
Histórias emocionantes de isolamento, morte e vida nos leprosários do Brasil.

praga

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Autora: Manuela Castro
Gênero: Reportagem
Acabamento: Brochura
Formato: 15,6x23cm
Págs: 280 + 20 (caderno de fotos)
Peso: 410g (estimativa)
ISBN: 978-85-8130-379-6
Preço: R$ 42,00

Sinopse

HOLOCAUSTO DA HANSENÍASE: UMA PRAGA MILENAR DE QUE O BRASIL CONSERVA RESÍDUOS ASSUSTADORES

O medo envolve esta praga a partir do nome: lepra. Para vencê-lo, foi necessário vencer a palavra, substituindo-a por “hanseníase” no Brasil a partir dos anos 1960. Palavra que carrega um significado de pavor e isolamento inumano desde milênios, atravessando a Bíblia, a história do Oriente Médio, da Ásia e da Europa, atingindo indiferentemente reis e pobres da mais baixa classe, ela abriga uma doença que passou a ter cura nos anos 1940. Mas o Brasil, com seu atraso científico e social, ignorou ou subestimou isso. O pavor brasileiro se espalhou facilmente entre as políticas de saúde, os médicos interessados apenas em lucro, a ignorância, a pobreza, as regiões desassistidas e as famílias em pânico. Conheça esse contexto e depoimentos alarmantes acerca de uma realidade ainda presente no país, neste livro documento da repórter Manuela Castro. É outra das muitas pragas que o Brasil ainda não venceu.

“Quando o silêncio e o preconceito se unem o resultado é a chaga do esquecimento. Neste livro, Manuela Castro dá visibilidade ao drama de brasileiros que foram condenados à exclusão por causa da hanseníase, doença que atravessou a vida de milhares de pessoas, criando um abismo entre elas e suas famílias. Ao resgatar o drama dos leprosários no Brasil, a jornalista desvenda uma realidade surpreendente, na qual o mal não é a doença, mas a forma de a sociedade lidar com ela.”
– DANIELA ARBEX, AUTORA DE HOLOCAUSTO BRASILEIRO

Leia o primeiro capítulo

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HANSENÍASE: UMA MALDIÇÃO DE MILÊNIOS PERSISTE NO BRASIL

O livro A praga, de Manuela Castro, é um documento alarmante e fundamental para compreender a sobrevivência da maldição em torno da hanseníase, antigamente conhecida como lepra. Doença que significou o isolamento compulsório, a separação entre pais e filhos, esposas e maridos, ainda hoje é cercada pelo preconceito e pelas sequelas da política equivocada no Brasil de confinamento de doentes que poderiam ser tratados e curados.

O relato de Manuela Castro começa em um dia normal de trabalho em Brasília, como repórter da TV Brasil, quando ela se depara com Artur Custódio, então coordenador nacional do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan). Ele estava na capital do país para reivindicar indenizações aos filhos de ex-internos de leprosários, que foram separados dos pais por causa do isolamento forçado. Manuela soube então que os ex-internos já haviam conquistado o direito à indenização. Cerca de dez mil pessoas deveriam receber o benefício. A repórter, que nunca tinha ouvido falar em leprosário ativo no Brasil, espantou-se com o número. As vítimas são muitas porque a história é recente: as colônias de leprosos existiram no país até 1986, sendo que a cura da doença foi descoberta nos anos 1940. Tal fato levou a autora a investigar o assunto e a produzir o episódio “Hanseníase, a história que o Brasil não conhece” para o programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil. O material rendeu prêmios de jornalismo. O passo seguinte foi aprofundar a pesquisa, o que deu origem a este livro.

Em vinte e quatro capítulos e duzentas e setenta e cinco páginas, marcadas por fartas e significativas ilustrações, esta é parte significativa da história da lepra no país, contada com coragem e esperança, sem omitir fatos desagradáveis e comportamentos governamentais odiosos em termos de preconceito e discriminação.

Verdadeiras ações policiais perseguiam os doentes com lepra. Eles eram denunciados por comunidades pobres ou por membros da própria família, apavorados com a possibilidade de contágio da doença. Afastados das escolas, dos empregos e das relações sociais, perdiam a própria identidade e, muitas vezes, a dignidade intrínseca à condição humana. Uma mãe, por exemplo, era proibida de tocar no filho recém-nascido na hora do parto. A criança era levada imediatamente a uma espécie de orfanato. Muitas seguiam para a adoção sem consentimento dos pais.

Roupas desinfetadas, vagões especiais em trens para conduzir os doentes às colônias de leprosos, a troca do nome por apelidos, moradias em pavilhões sem privacidade, tão policiados quanto presídios. Essa política de isolamento persistiu por muitos anos no país.

Quando finalmente as correntes das colônias foram rompidas, a reintegração do ex-leproso à sociedade tornou-se problemática. Esbarrou em preconceitos ora silenciosos, ora visíveis, que impediam, e ainda impedem, o acesso a empregos e a uma vida normal.

Dentro dos leprosários, a vida assumia uma feição muito peculiar. Alguns deles eram verdadeiras cidades, com cinco mil habitantes, como a Colônia Santa Isabel em Betim, Minas Gerais. Nesses lugares havia a solidariedade de médicos e religiosos abnegados, muitas vezes franciscanos que não raro também contraíam a doença. Formavam-se também grupos musicais de seresta, de teatro e surgiam verdadeiros talentos, como o artista plástico Luiz Carlos de Souza, o “Veganin”. Ele pintou os quatorze quadros da Via Sacra que mostra Jesus Cristo acometido pela lepra, na Igreja Matriz de Santa Isabel.

Um antibiótico chamado sulfona surgiu nos anos 1940 como forma eficaz de alcançar a cura da doença. O medicamento tinha que ser importado, era caro e causava efeitos colaterais. A família Flores, de Betim, sacrificou-se para comprá-lo, mas depois foi informada que, por causa dos tristes e famosos desmandos da saúde no país, havia centenas de ampolas do remédio escondidas e estocadas no leprosário!

A lepra, desde os tempos bíblicos, sempre foi estigmatizada. O doente era visto como impuro, imundo e era abandonado nas cavernas e florestas à mercê de um destino cruel. A enfermidade penetrou na Europa, vinda da Ásia e do Oriente Médio por meio das campanhas de Alexandre, o Grande, e com as cruzadas cristãs. A Europa foi rigorosa com seus doentes, declarando-os legalmente mortos e confiscando seus bens. Nem reis escaparam, embora a chaga tivesse maior penetração nas classes mais pobres. Pequenos sinos nas mãos e nas roupas dos leprosos anunciavam sua aproximação, para que as pessoas sãs se afastassem do caminho. Isso é relatado no filme Ben-Hur.

Para tentar apagar essa imagem ruim da lepra, perpetuada por milênios, a partir dos anos 1960 o leprologista Abrahão Rotberg propôs o nome “hanseníase” para a doença, já que “lepra” possuía (e ainda possui) uma forte carga negativa, bem como “leproso”, adjetivo associado a termos pejorativos como “morfético” ou “lazarento”. O novo nome deriva do bacilo de Hansen, bactéria causadora da doença, descoberta por Gehard Amauer Hansen.

O Brasil é o segundo país no mundo com a maior concentração de hanseníase, mesmo com a descoberta de um tratamento moderno e eficaz que resulta na cura da doença, sem sequelas. A eliminação desse mal ainda esbarra no preconceito e no descaso com a saúde em zonas mais pobres e carentes do país, onde o acesso a medicamentos e profissionais é dificultado. Campanhas para esclarecer o público sobre a doença são feitas por pessoas famosas, como Ney Matogrosso, Patrícia Pilar e Ney Latorraca. Mas o caminho para acabar com a hanseníase ainda é muito longo. O livro de Manuela Castro poderá deixar os leitores boquiabertos com as tristes condições brasileiras.

Manuela buscou depoimentos de vítimas da hanseníase e dos leprosários de várias partes do Brasil, dando a verdadeira dimensão humana do problema dos filhos perdidos que não reencontram seus pais ou dos desaparecidos e tidos como mortos que retornam com auxílio do Morhan, por meio de exames de DNA para comprovar parentescos.

O livro apresenta um panorama assustador, mas também mostra casos de solidariedade e soluções para uma questão que só revela as dimensões de nosso atraso científico e social, além de nossas políticas públicas de saúde completamente equivocadas.

Sobre a autora

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MANUELA CASTRO apresentadora e repórter da TV Brasil desde 2008. Com experiência em coberturas especiais no Brasil e no mundo, recebeu diversos prêmios com o programa Caminhos da Reportagem. Além de duas premiações com o episódio “Hanseníase, a história que o Brasil não conhece”, também foi agraciada com os prêmios Sebrae de Jornalismo, Ministério do Meio Ambiente e CNBB de Comunicação.

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