40 anos de Gloria

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40 anos de Gloria
Autores: Eduardo Nassife e Fábio Fabrício Fabretti
Categoria: Biografia
Formato: 21X23 cms,
Págs: 346
Peso: 350gr.
ISBN:
9788561501433
R$ 39,90
Editora: Geração

Sinopse:

Em “40 Anos de Gloria”, biografia autorizada de Gloria Pires, os autores Eduardo Nassife e Fábio Fabrício Fabretti contam a trajetória da atriz que começou a atuar diante das câmeras aos quatro anos de idade, em 1969. Na obra, há detalhes da sua personalidade de atriz, mãe, esposa,  celebridade, cantora e amiga. Os relatos misturam a terceira pessoa com a primeira, ao enfatizar os acontecimentos de sua trajetória e visão de mundo. O livro está em ordem cronológica, dividido em 25 capítulos, agrupando histórias sobre a gravidez de risco da mãe da atriz; o início   precoce da carreira; a rejeição inicial de um poderoso diretor da TV Globo, o trabalho com o ator e pai Antonio Carlos Pires; as primeiras  participações em programas humorísticos; as estreias nos papéis de repercussão, como Marisa em “Dancin Days” e Zuca em “Cabloca”; a  convivência com os amigos mais velhos, como Lauro Corona e Daniel Filho; os nascimentos dos  seus quatro filhos e a interrupção de três  gestações. O livro traz também curiosidades como o convite, feito pela revista Playboy, para  Gloria Pires posar nua – logo recusado – as cirurgias dentárias; a uma tatuagem no pé; os problemas de saúde e as premiações recebidas. “40 anos de Gloria” contém uma centena de fotografias  históricas e capa com foto de Marcelo Faustini, com design de Giovanni Bianco, que cuida dos cartazes e programação visual dos discos e shows da cantora Madonna. Bianco fez questão de fazer a capa, como um presente para sua amiga Gloria Pires.

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40 anos de glória na TV e nas telas

Gloria Pires, a dama da tevê brasileira, ganha livro com a história de sua carreira: 40 anos de sucesso

Ela é uma das atrizes brasileiras mais bem sucedidas de todos os tempos. O seu currículo é de dar inveja a qualquer profissional. Foram 21 novelas, 13 filmes, duas minisséries e diversos programas especiais em 40 anos de carreira. Seu nome é sinônimo de sucesso.
Em uma simples consulta no Google, Gloria Pires aparece em mais de um milhão de citações. A atriz está à frente de todas as grandes estrelas da tevê nacional. “O tempo não apaga da lembrança dos fãs a maquiavélica Maria Fátima, na telenovela “Vale Tudo”, ou as inesquecíveis irmãs gêmeas Ruth e Raquel, de” Mulheres de Areia” .
Para coroar essa brilhante carreira, a Geração Editorial lança “40 anos de Gloria”, (com mais de 100 fotografias coloridas e em preto-e-branco), a história da longa e vitoriosa carreira de uma atriz ainda jovem, mas com 40 anos de atuações marcantes e cenas antológicas. Embora trate da vida de Gloria, o livro não é propriamente uma biografia, mas a história de sua carreira na televisão e no cinema.
Os autores Eduardo Nassife e Fábio Fabrício Fabretti desvendam a trajetória de Gloria desde a sua estreia em 1969, aos quatro anos de idade, até os dias atuais, quando está vivendo em Paris com a família, em paz e longe dos holofotes. Pelo menos provisoriamente, pois em julho ela estará de volta ao Brasil, para participar da nova novela de Gilberto Braga.
Na obra há detalhes da vida de atriz, de mãe, de esposa, da celebridade, inclusive da cantora (sim, Gloria canta) com relatos em primeira pessoa de Gloria Pires sobre todos os grandes acontecimentos da sua carreira e do dia-a-dia de uma mãe de quatro filhos. Os depoimentos são em ordem cronológica e reveladores.
O livro – uma edição de luxo – foi impresso em tamanho 21 x 23 centímetros e papel especial, com mais de 100 imagens resgatadas de álbuns de família, arquivos pessoais, divulgação e mais um ensaio exclusivo realizado pelo reconhecido fotógrafo Marcelo Faustini. A capa foi um presente do designer Giovanni Bianco, que também trabalha para Madonna e é um dos maiores designers de moda do planeta, com escritório em Nova York.

Os capítulos de uma vida que mais lembra um filme

Entre os 25 capítulos, há histórias sobre a gravidez de risco da mãe da atriz, o início precoce da carreira de Gloria aos quatro anos, o trabalho com o pai, o talentoso ator Antonio Carlos Pires, as primeiras participações em programas humorísticos, uma reprovação traumatizante, os primeiros papéis de repercussão, como Marisa, em “Danci’n Days” e Zuca em “Cabocla”, a convivência com os amigos mais velhos, como Lauro Corona e Daniel Filho, os nascimentos dos seus quatro filhos e a interrupção de duas gestações precocemente.
O livro contém curiosidades, como os dois convites feitos pela revista Playboy, para posar nua, as cirurgias dentárias reparadoras, a tatuagem no pé, além dos frequentes problemas de saúde ao longo da sua premiada carreira.
Os autores abordam o rigoroso profissionalismo da atriz e sua obsessão com a disciplina nas preparações para viver seus personagens. Exemplo: para viver a heroína Maria Moura, na minissérie “Memorial de Maria Moura”, em 1994, Gloria Pires fez aulas de equitação, tiro e até curso básico de sobrevivência na selva. “Maria Moura trouxe uma mulher poderosa dentro de mim”, conta.
Para interpretar com maior riqueza de detalhes a heroína, durante um treinamento de tiro, a atriz quase se machucou quando atirou com uma espingarda calibre 12.
Nas páginas também há relatos emocionantes e sinceros sobre com a convivência com as atores mais velhos como Lauro Corona, seu grande amigo e Daniel Filho, que a reprovou em um teste para quando ainda era garota.
No set de filmagem Gloria esteve presente nos filmes de maiores públicos e de reconhecimento internacional desde a retomada no cinema  nacional, como nos papéis de Helena e Claudio, em “Se Eu Fosse Você 1 e 2”, além de fazer parte do elenco de “O Quatrilho”, que levou um longa-metragem brasileiro a concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1995, depois de um jejum de 33 anos. Além de estrelar a mãe do  presidente Lula, Dona Lindu, em “Lula, O Filho do Brasil” neste ano e participou de outras 10 produções nacionais. Ela quase interpretou a pintora mexicana Frida Khrlo, em uma produção estrangeira.

Depoimentos

Na parte final da obra, diretores, atores, atrizes e familiares deixam um recado para Gloria Pires. Entre eles estão StephanNercessian, Daniel Filho, Cléo Pires, Joanna Fomm, Reginaldo Faria, Rogéria, Arlete Salles, Malu Mader, Regina Duarte, Denis Carvalho, Orlando Morais e Aguinaldo Silva. Confira alguns trechos:

“Em “A Partilha”, tinha pouco dinheiro para o filme e todo mundo sabia disso. Meu prazo era curto e a Gloria passando mal com a gravidez. As pessoas falavam para substituí-la. Respondia que não faria isso de jeito nenhum. Sem ela, não teria filme. Resolvi dar uma parada e banquei tudo até ela melhorar”, Daniel Filho

“Ela tem uns recursos espontâneos, naturais, que eu admiro demais numa atriz. Era difícil contracenar com ela. Levava aquela frieza da Maria de Fátima às últimas consequências, com muita propriedade e talento”, Regina Duarte

“Adoro escrever para a Glorinha porque ela encaixa o tom do personagem como realmente queremos.”, Aguinaldo Silva

“Tenho grande admiração por Gloria. Fui muito amiga do pai dela. Trabalhamos juntos em rádios e tevês. Ele só podia fazer uma filha como Gloria Pires. Ela é uma atriz inteira, quente, aglutinadora. Ela sempre se põe no jogo da comunicação humana e se entrega de uma forma simples e delicada. Mas muito forte. Merece todo o sucesso que tem. E todo o nosso carinho. E todo o nosso reconhecimento” Fernanda Montenegro

Entrevista com Gloria Pires

Qual foi o motivo para fazer este livro, mesmo antes de completar 50 anos de vida?
O projeto é de Eduardo Nassife. Eu não concordava com uma biografia por considerar ainda cedo para isso, poderia ficar uma coisa pretensiosa. Então Eduardo sugeriu que fosse um livrocomemorativo, revendo os meus trabalhos.

Como foi o processo de criação e de lembranças do resgate da sua vida? Qual foi o trecho que mais a emocionou ou mais a incomodou?
Eduardo fazia as perguntas e, algumas vezes, precisei da ajuda de minha irmã, Linda, para responder .

No livro há detalhes sobre a composição dos seus personagens, como a dedicação total para alcançar o seu objetivo. Maria Moura foi a  personagem que a senhora mais se esforçou para criar?
Cada personagem precisa de uma dose de entrega, mas eu diria que Maria Moura foi, sim, uma das mais complexas.

Poucas pessoas sabem, mas na obra a senhora fala dos dois convites feitos pela revista Playboy para uma sessão de fotos nua. Um no começo da carreira, que foi negado de prontidão, e o segundo em 1993, que a senhora chegou a considerar. Caso a revista faça um terceiro convite, qual será a sua resposta?
Seria a mesma, isso não tem nada a ver comigo.

Em 40 anos de Gloria há passagens tristes, como as duas gestações interrompidas e a morte do seu irmão adotivo, além dos seus problemas de saúde. Em todas as ocasiões a senhora não desistiu e seguiu em frente. Por qual motivo não obedeceu às ordens médicas para repouso?
Eu era muito “Caxias”, como dizia minha mãe. O diretor da Globo Mario Lucio Vaz uma vez disse, brincando, que eu poderia ganhar o prêmio “operário padrão”.

Porque o episódio em que supostamente o seu marido teria se envolvido com sua filha Cléo Pires não foi retratado na obra?
Esse episódio não faz parte de nenhum trabalho meu e não foi gerado por algo verdadeiro, que tivesse acontecido em minha vida. Toda a imprensa já noticiou o que, como, quando e o desfecho. O fato, falso, gerou processos judiciais e ganhamos todos. O livro não é sobre minha pessoal, é sobre minha carreira.

O seu casamento com o ator e cantor Fabio Junior foi muito comentado na época. Por que ele mereceu apenas uma pequena passagem?
Como já disse, é um livro comemorativo dos meus 40 anos de carreira, não é sobre minha vida pessoal.

Ao mudar para Paris, na França, a senhora deixou de ser reconhecida em locais públicos e a família ganhou uma maior privacidade. Esse foi o motivo para a mudança ou teve outro? Pretende retornar a morar no Brasil?
Em 2007 Orlando Morais, meu marido, gravou um CD com Manu Katche e Pino Paladino, que conta com a participação de Sting e Peter Gabriel, em Paris. Por conta disso, foi agraciado com o visto “Competence et Talent”, que dá a ele o direito de viver e trabalhar em sua área na França. Retornarei ao Brasil com as crianças e ficarei no Brasil pelo menos até que termine a novela que farei, de Gilberto Braga.

Qual foi o papel que mais a marcou no cinema?
Cada personagem é um desafio, e o cinema sempre exerceu enorme atração sobre mim, mas não fico assistindo meus filmes, normalmente.

Fazer a mãe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Dona Lindu foi complicado, já que Lula exibe extrema devoção para a mãe? Quais foram os métodos que a senhora utilizou para criar uma personagem com esse peso?
A primeira coisa foi dissociar essa ligação e a pessoa dele. Também tive o auxílio de Suely Master, fonoaudióloga e Sergio Pena e Silvana, preparadores de elenco.

O autor Aguinaldo Silva diz que a Gloria Pires é uma atriz de televisão que também brilha no cinema, mas não tentou nada no teatro. A maioria dos artistas da área de artes cênicas tem uma passagem, por mais que breve, pelo teatro. A senhora nunca teve vontade?
Não tenho nenhum projeto disso para o futuro, mas não me oponho também. Simplesmente ainda não aconteceu.

O livro afirma que a senhora tem uma vida múltipla. Qual o seu segredo para fazer tantas e diversas atividades e ter sucesso em todas elas?
Isso se refere à vida múltipla que toda mãe que trabalha tem que ter.

Depois de tantos personagens já feitos durante a carreira, se alguma atriz tivesse a oportunidade de fazer o papel da Glória Pires, o que a senhora diria a ela?
O que ela me perguntasse…

Em sua opinião, sua trajetória contada no livro merece mais alguma etapa, tipo filme, série, novela ou documentário? Ou um formato novo?
Não pensava nem em um livro…

Na época em que fazia a novela Água Viva a senhora “mergulhou” na Lagoa Rodrigo de Freitas, e atualmente desfruta de uma paisagem no rio Sena, em Paris. Que diferença tem a Gloria de hoje e a Gloria daquela época?
A maturidade e tudo de bom que ela traz junto.

Um capítulo editado da novela Mulheres de Areia influenciou uma eleição na Rússia. A senhora tem dimensão de quanto seu trabalho pode  influenciar a sociedade hoje?
Penso que toda expressão artística influencia as pessoas, positivamente.

Entrevista com os autores

Vocês sempre foram fãs do trabalho da Gloria Pires ou tiveram outro motivo para escrever sobre a carreira da atriz?
EDUARDO – Desde muito cedo, sempre gostei de telenovelas. Cresci vendo novelas. Adoro o cinema também, mas afirmo isso, sobre as novelas, sem medo de ser condenado por essa pseudo-intelectualidade que tenta minimizar a importância das novelas. Foram osfolhetins de Aguinaldo Silva, Gilberto Braga e Ivani Ribeiro que me fascinaram e formaram o profissional que sou hoje. E, com isso, o trabalho memorável de Gloria foi rapidamente filtrado por mim. Ora, se eu era fã de novelas excelentes, era provável que me tornassetambém fã da Gloria, uma atriz grandiosa e ser humano maior ainda.
FÁBIO – Sempre admirei o trabalho da Gloria atriz, mas não a conhecia pessoalmente. A partir do convite do Eduardo, há dois anos, para fazer o livro, passei a conviver esporadicamente com ela, quando nos encontrávamos, e a nos falar sempre, comecei a prestar mais atenção ao seu talento. Hoje tenho mais respeito ainda, além de um grande carinho e orgulho.

Como vocês descrevem o contato com a atriz para a produção da biografia?
EDUARDO – Conheço Gloria há 12 anos. E, por confiar e acreditar no trabalho do Fábio, de quem já era amigo e fã, eu o trouxe para o projeto do livro. Fábio não a conhecia, mas rapidamente tornou-se seu fã quando se aprofundou nas histórias de sua vida e carreira. Eu e Gloria somos amigos, temos uma relação harmoniosa e creio que isso tenha nos deixado muito à vontade para que pudéssemos fazer esse trabalho fluir. Sempre solícita, Gloria nos cedeu horas de entrevistas, em sua casa, cabeleireiro e até em consultório médico, na sala de espera!
FÁBIO – Gloria foi disponível e favorável o tempo todo. Sempre vinha ao Brasil para nos encontrar. Desde o salão de beleza até no Projac. Foram encontros rápidos e longos, mas muito proveitosos para o livro. Também nos correspondíamos muito pela rede (internet).

Por que escrever uma biografia da Gloria Pires antes mesmo de ela completar 50 anos de idade?
EDUARDO – Eu tenho certeza de que, no caso dela, a idade é o que menos importa. Gloria começou criança ainda e acumula uma carreira ímpar no cenário artístico brasileiro. É uma pessoa que tem muita coisa para contar, muita coisa para ser dita, pois foi precoce em tudo: no trabalho, no casamento, na maternidade… Por que não em um livro em que narra sua trajetória artística?
FÁBIO –. Quarenta anos de carreira, para uma pessoa que possui apenas 46, é um grande festejo, pois Gloria praticamente viveu dentro dos estúdios.

Como foi a receptividade dos mais próximos à atriz para concederem depoimento sobre ela? Alguém hesitou?
EDUARDO – Com algumas pessoas, tivemos facilidade para fazer contato, pois foram acessíveis. Outras, nem tanto. E há, ainda, aqueles que não quiseram ou não puderam dar entrevistas – seja por estrelismo ou quaisquer outros motivos que não importam agora. Mas o livro conta, de verdade, com pessoas relevantes, com pessoas que mereciam estar presentes nele, com pessoas que importam para Gloria.
FÁBIO – A maioria foi receptiva e muito afetuosa, pois Gloria possui um rol de amigos e admiradores tanto na vida pessoal quanto profissional.

Como foi o processo de pesquisa sobre a vida da Glória?
EDUARDO – Pesquisamos em revistas, jornais, internet, em livros e na Biblioteca Nacional. Juntamos horas de material gravado, entrevistas com familiares e amigos de Gloria. A própria nos cedeu fotos de seu arquivo pessoal. Também tivemos muita colaboração da Rede Globo, de amigos como os cineastas Anna Muylaert e Fábio Barreto, que nos cederam imagens, assim como familiares de Gloria. Foi um trabalho de pesquisa vasto e bem elaborado, sem falsa modéstia.
FÁBIO – Uma versão do livro estava feita, e foi em cima dela que trabalhei, reescrevendo cada capítulo e criando uma nova roupagem. Elaborei, com o Eduardo, mais de cem perguntas de todos os níveis, e Gloria respondeu a todas detalhadamente. Isso ajudou muito. Depois, Gloria lia os originais e opinava sobre eles. A pesquisa em jornais, revistas e internet serviram muito também, além das entrevistas com pessoas próximas e do próprio conhecimento do Eduardo sobre a atriz.

Teve alguma passagem da vida de Glória que deu muito prazer em escrever?
EDUARDO – O livro, como um todo, foi um trabalho maravilhoso, porque Gloria é uma pessoa maravilhosa, com uma energia vibrante, positiva, uma pessoa que está ali para ajudar, colaborar. Ela foi participativa em todos os processos. Mas o que mais me toca, entre tudo o que foi abordado, é a parte da infância, saber as dificuldades que ela passou na vida e, com tudo isso, ter chegado aonde chegou. Ela é inspiradora, um exemplo de garra e determinação. De superação, até. Foi mágico mostrar a trajetória de uma menina que nasceu pobre, foi desacreditada em um teste para novela e hoje é uma das maiores atrizes do mundo!
FÁBIO – Várias. Fiquei muito emocionado com a determinação dela durante vários percalços que apareceram em sua vida mas que não a impediram de continuar seu trabalho, como a morte da mãe em meio à gravação de “Mulheres de Areia”, entre outros.

Alguma passagem importante ficou fora do livro?
EDUARDO – O assunto sobre aquele boato maldoso, de 1998, resolvemos eliminar. Primeiro porque ele já foi muito explorado pela mídia. Segundo porque, quando queríamos abordá-lo, a imprensa sensacionalista deu manchetes e mais manchetes como se aquela história fosse maior do que o livro todo. Especulações à parte, Gloria tem muito mais a mostrar do que aquela história triste. E cada assunto abordado teve o tamanho que realmente possui na vida de Gloria hoje.
FÁBIO – O biógrafo deve respeitar a individualidade, a privacidade e a vontade do biografado, quando se trata de uma obra autorizada pelo próprio.

Você percebeu alguma característica dos personagens em comum à da atriz?
EDUARDO – O ator, quando é bom, sempre coloca características suas em seus personagens. O ator que interpreta um vilão, por exemplo, e diz que aquele personagem não tem nada seu, é mentiroso, quer parecer melhor ator do que é de verdade. A personagem que acho que mais seja próxima do que a Gloria é, na vida real, é Stella Barreto, de O Dono do Mundo. Mas vejo muitas outras características dela em personagens como a Rosália (de Direito de Amar), Maria Moura, e até vejo coisas dela na Maria de Fátima e na Raquel, de Mulheres de Areia, suas duas maiores personagens na TV e que foram grandes vilãs.
FÁBIO – A luta de Gloria para conquistar seu espaço, sem medir esforços, foi um fator impulsionador para mim, que me identifiquei muito por ter uma história de vida também muito difícil.

No capítulo destinado a depoimentos, se você quisesse se expressar, o que estaria escrito lá?
EDUARDO – O que já escrevemos logo no início. Por mais que palavras nos venham, elas também nos faltam quando falamos de Gloria Pires.
FÁBIO – O livro todo, de certa forma, é um depoimento meu para ela, em cima de tudo o colhemos e fizemos.

Depois de todo o contato com a Glória, como você explica o sucesso da Gloria Pires? Ela pode ser considerada um fenômeno?
EDUARDO – Como disse acima, uma menina que nasceu pobre, que teve um pai maravilhoso e grande ator, mas que nunca foi reconhecido à altura do enorme talento que tinha, uma menina que foi reprovada em um teste porque não foi considerada bonita e, 25 anos depois, estava lá no Oscar, na maior festa mundial do Cinema, concorrendo com uma produção brasileira como Melhor Filme Estrangeiro, não pode ser qualquer pessoa. Se ela é um fenômeno? Bom, a carreira dela responde a essa pergunta.
FÁBIO – Gloria é uma pessoa como qualquer outra que teve objetivo e oportunidades e soube aproveitá-los bem. No entanto, há algo realmente especial nela, em seu brilho de fazer para o que nasceu, e na força do seu olhar que me fazia dizer: “ela vê com a alma”.

A ideia de trabalhar como biógrafo de celebridade sempre ganhou muito destaque. Vocês planejam fazer outras biografias?
EDUARDO – O termo “celebridade” me deixa um pouco desconfortável, pois hoje em dia qualquer pessoa pode se tornar celebridade. A fama virou uma indústria – onde ela usa e é usada por pessoas que querem, a todo custo, satisfazer suas vaidades e ter o ego inflado. E que nem sempre possuem um talento específico; são apenas corpos e rostos bonitos e quase sempre plastificados. Gosto de lidar com artistas, com pessoas realmente artísticas, que sejam relevantes. Tenho um projeto, sim, de outra biografia, mas não posso adiantar ainda.
FÁBIO – Minha formação foi em Letras, mas me interessei pelo jornalismo investigativo quando trabalhei no Departamento de Pesquisa da Globo, em 2000. Especializei-me então em Jornalismo Cultural. Logo após, tornei-me biógrafo ao participar da assistência de pesquisa do livro de cartas póstumas do autor Caio Fernando Abreu, com Italo Moriconi, através da Aeroplano Editora, coordenado pela Heloísa Buarque de Hollanda. Inventar histórias é algo fabuloso que me fascina desde menino. E lidar com vidas reais é diferente. Sou um autor que gosta de escrever, seja realidade ou ficção, seja para adultos ou crianças. Não gosto de rótulos e nem de me engessar em um formato. No momento estou negociando a biografia da Neuzinha Brizola “Sem mintchuras”, e prestes a lançar o meu primeiro romance, “Matadouro”.

Qual foi o papel de cada um na produção da obra?
EDUARDO – Fizemos de tudo, não houve uma divisão exata de trabalho. Eu e Fábio pesquisamos, entrevistamos e escrevemos. Foi realmente um trabalho em parceria.
FÁBIO – O projeto era do Eduardo, como citei anteriormente, mas tornou-se meu também quando aceitei investir nele. O livro tem uma mistura de nossos estilos, como é próprio de toda obra feita a dois.

Que sensação vocês tiveram ao terminar o livro?
EDUARDO – A minha foi: não quero esperar nove meses para meu filho nascer. Tomara que ele seja prematuro! (risos) Foi uma sensação mágica, não sei explicar. Quando colocamos o ponto final Gloria passou uma madrugada toda acordada lendo o livro, choramos muito. E comemoramos juntos também: ela, de Paris; e nós aqui, do Brasil.
FÁBIO – Minha sensação foi a de ter perdido algo que já fazia parte de mim. Enviei um email pessoal para Gloria, muito comovido, agradecendo pela oportunidade e lamentando o término da obra que já fazia parte de mim. Impossível não se envolver. Sem envolvimento, não produzo.

Na opinião de vocês, o que na vida da Gloria Pires pode ser interessante para o público de uma maneira geral?
EDUARDO – Tudo. Gloria cresceu diante das câmeras e dos olhos mais apaixonados por TV. Gerações cresceram e conheceram seu trabalho. Gloria é uma atriz que aglomera público de várias gerações: desde as adolescentes que usaram meias lurex em 1978, na época de Dancin’s Days, às mulheres que adoram suas personagens mais maduras. É um livro para o público que curte o trabalho de uma das maiores atrizes brasileiras de todos os tempos, que vai se identificar com ela de alguma forma.
FÁBIO – Todo o trajeto da sua história, desde quem era até de onde veio, quem ela é hoje e onde está. Pessoas de sucesso são exemplos i para todos. Principalmente uma atriz atípica como ela, que adora fazer exclusivamente tevê e cinema.  Fernando Morais, biógrafo de grandes personalidades brasileiras vive relatando suas técnicas para realizar seu trabalho.

Qual foi a técnica utilizada para esse trabalho?
EDUARDO – Não usamos receitas ou fórmulas. Escrevemos em um formato simples, linear, cronologicamente organizado. Foi um trabalho elaborado, mas também intuitivo.
FÁBIO – Um trabalho encomendado é técnica, tática, comércio. Um trabalho pessoal é envolvimento, paixão, sangue. Não acho que exista uma fórmula específica, cada autor cria a sua conforme seu aprendizado e conveniência. Mas o tempero principal para se fazer um livro ainda é amar o que se está fazendo, como qualquer trabalho.

O conteúdo do livro merece uma nova etapa, tal como um filme, série, novela ou documentário?
EDUARDO – Bom, sou roteirista e tenho o projeto de transformar o livro em documentário.
FÁBIO – Todo livro pode virar filme ou peça. Havia uma ideia de fazermos um material em DVD para acompanhar o livro, mostrando os bastidores das entrevistas, fotos inéditas e nossa relação com ela, mas não aconteceu. Como comentei com Gloria, certa vez, esta biografia é apenas a primeira parte da vida dela.

Na área acadêmica existe uma discussão sobre a aproximação do pesquisador e do objeto de estudo. Os orientadores dizem que o pesquisador não pode “apaixonar-se e ficar exaltado” pelo objeto. Como foi distinguir isso?
EDUARDO – Fomos extremamente profissionais. Não deixei minha admiração por ela suplantar a responsabilidade de ser um biógrafo equilibrado e consegui criar essa muralha que separou essas ideias. Fiz perguntas que qualquer biógrafo faria. Eu e Gloria somos amigos há mais de dez anos, mas na hora do trabalho isso não foi levado em conta, senão perderíamos o rumo. Todos nós agimos, inclusive ela, de forma muito centrada e disciplinada. E conseguimos!
FÁBIO – Repetindo o que respondi anteriormente, escritores não são máquinas que trabalham mecanicamente. São artistas. E nenhum artista realiza algo sem se envolver, acreditar, apaixonar-se e se entregar.

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